A noite já estava funda, mas Jorge ainda estava ocupado trabalhando em seu escritório.
Somente quando o barulho da batida de Sabrina na porta ressoou foi que Jorge subitamente percebeu o quão tarde já havia ficado.
— Entre. — disse ele.
No segundo seguinte, a porta se abriu e Sabrina entrou usando uma camisola de seda branca de alcinhas.
Seus cabelos longos e levemente ondulados caíam soltos pelos ombros, deixando‑a com um ar muito sedutor.
Com olhos grandes, úmidos e nevoeiros como os de um cervo, ela piscou várias vezes olhando para Jorge.
— Sr. Jorge, já está muito tarde, o senhor precisa dormir.
Sabrina já tinha aparecido de pijamas na frente de Jorge antes, só que aqueles pijamas sempre foram de um estilo muito comportado e comum. Ou eram de mangas com calça comprida, ou uma camisola mais longa de manga curta.
Por esse motivo, Jorge não achara que houvesse nada de errado nas vezes passadas.
Mas aquela camisola de seda dessa noite era, obviamente, íntima e reveladora demais.
Na hora, a expressão de Jorge virou desconforto puro. Ele soltou uma tosse discreta e alcançou o paletó pendurado no encosto da cadeira, entregando a ela.
— Vista. A noite está fria.
Já havia entrado o verão, o ar-condicionado na casa estava ligado... Onde poderia estar frio?
Sabrina mordeu o lábio de leve, mas pegou o casaco mesmo assim e o jogou desajeitadamente por cima do corpo, repetindo mais uma vez com os olhos cheios de água:
— Sr. Jorge, é hora de ir dormir.
Jorge evitou olhar na direção dela e voltou a focar a tela do computador.
— Pode ir dormir na frente, eu ainda tenho algumas coisas a terminar.
Sabrina baixou a cabeça e seus ombros tremeram gentilmente.
— Por mais que eu saiba que é difícil para o Sr. Jorge aceitar agora, nós já somos marido e mulher. O senhor já dormiu no escritório na noite passada...
A escutar essa menção dela, uma onda de impaciência inexplicável invadiu o peito de Jorge.
— Eu já disse que estou ocupado.
Sabrina endureceu por um instante e, ao levantar os olhos, as lágrimas já escorriam pelo canto.
— Se os cartões estão nas suas mãos agora, então fique e utilize. Aquilo era, por natureza, um dinheiro que reservei para as despesas da casa que a Alice gerenciava. A Ester está certíssima, se a esposa agora é você, então você deve possuí-los.
Ele fez uma pausa e observou Sabrina com seriedade.
— O seu salário pertence só a você e você o guarda como quiser. Além desses dois cartões, também depositarei um valor fixo mensal voltado unicamente para os seus gastos pessoais de rotina.
— Ah? Então também vai ter um dinheiro vivo de despesas? — Sabrina expandiu os olhos com atordoamento.
— Sim. — Jorge concordou, sentindo a culpa crescer ao ver essa carinha boba de inocência: — Esse assunto fica a cargo do Yuri Valente. A partir de agora, ele depositará a mensalidade todo mês no seu cartão.
Isso era exatamente como ocorria com Alice no passado.
Todo mês, Yuri transferia a despesa do mês fielmente para a conta bancária dela.
A lembrança fez o humor de Jorge revirar de indignação.
Nos últimos sete anos, além daqueles cartões que sequer tinham limite, ainda havia o enorme volume do dinheiro das despesas de vida repassado a ela. Pelo seu julgamento, ele jamais a fizera passar vontade alguma nesses sete anos.
Seja em casa, nas roupas, nas comidas e transportes, as condições eram sempre extremamente luxuosas.

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