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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 174

Justo no momento em que Jorge Cavalcanti pegou outro copo de bebida e se preparava para virar na boca, Jonas Farias finalmente percebeu que algo estava errado e estendeu a mão para detê-lo.

— Jorge, você já bebeu o suficiente por hoje, não beba mais.

Até mesmo o parceiro de negócios que promovia o banquete já havia notado o comportamento estranho de Jorge Cavalcanti.

— É verdade, Diretor Cavalcanti. Hoje viemos apenas para bebericarmos e relaxarmos, não há necessidade de beber desse jeito.

Jorge Cavalcanti acenou com a mão, sinalizando para as pessoas à mesa que estava bem.

Ele realmente não estava passando mal, mas seu peito sofria com uma sensação constante de aperto. Sentia algo preso no peito, que não conseguia sair nem descer.

Ele mesmo acharia difícil descrever o que era aquela sensação.

Era um sentimento que ele jamais havia experimentado em seus trinta e três anos de vida.

Naquele instante, percebeu subitamente que o álcool, além de lhe causar tontura, não parecia entorpecer ou aliviar o que estava sentindo.

Ao notar que Jonas Farias e as outras pessoas na sala o observavam fixamente, Jorge Cavalcanti respirou fundo.

Colocou o copo sobre a mesa e, balançando um pouco o corpo, levantou-se. — Vou lá fora tomar um ar.

Dito isso, caminhou em direção à porta da sala privativa.

— Jorge. — murmurou Jonas Farias, intrigado e sem entender o que se passava com o amigo.

Era a primeira vez que ele via Jorge Cavalcanti daquele jeito. No passado, não importava quão difícil fosse a situação, Jorge sempre era o que mais conseguia manter a calma. Afogar as suas dores em bebida nunca tinha sido algo da sua personalidade.

No final, ainda inquieto, Jonas Farias o acompanhou.

Jorge Cavalcanti estava sozinho no pátio interno. Havia rochedos decorativos, um filete de água corrente, uma fumaça suave e azulada no ar; a paisagem possuía um encanto antigo e singular.

Mas, naquele momento, Jorge Cavalcanti não estava com a mínima vontade de apreciar o cenário deslumbrante. Ele estava em pé sob a galeria, e seu coração continuava vazio.

— Jorge, o que diabos aconteceu com você? — perguntou Jonas Farias, aproximando-se e parando ao lado dele.

Jorge Cavalcanti não respondeu à pergunta e se limitou a dizer. — Você tem cigarro?

Aquela mulher, afinal, quantas surpresas inesperadas mais ela guardava?

Apenas o pensamento de Alice Almeida já fazia brotar um sorriso inevitável nos lábios de Jonas Farias. Entretanto, logo se deu conta de que Jorge Cavalcanti continuava ali ao seu lado e rapidamente escondeu a expressão sorridente do rosto.

Inconscientemente, puxou duas lufadas de fumaça, numa tentativa inútil de disfarçar seu lapso.

Contudo, Jorge Cavalcanti não percebeu a estranheza do amigo. Soprando a fumaça, sua voz soou um pouco rouca e abafada. — A Alice e eu nos divorciamos.

— O q... cof, cof... o quê?! — Dessa vez, foi a vez de Jonas Farias se engasgar. Ele esmagou o cigarro de forma meio brusca e olhou para Jorge Cavalcanti, sem conseguir acreditar. — Jorge, o que foi que você acabou de dizer?

Jorge Cavalcanti tirou do bolso o Certificado de Divórcio já meio amassado e o estendeu para Jonas Farias. — O documento já foi emitido, a Alice foi atrás de tudo sozinha. — Ele soltou um suspiro desdenhoso. — Só Deus sabe que tipo de artifício ela usou.

Jonas Farias pegou o Certificado de Divórcio, o abriu e viu a foto de Jorge Cavalcanti e o nome dele registrados ali. — Isso é sério mesmo? Você já confirmou?

Jorge Cavalcanti acenou com a cabeça. — É sério, eu já verifiquei.

Logo após sair de casa, a primeira coisa que ele fez foi checar a autenticidade do documento.

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