Valentim, por sua vez, observava Tania com a expressão afetuosa de um pai admirando a filha. Quanto mais a olhava, mais se encantava.
Como seria maravilhoso se ela fosse sua filha.
Naquele momento, Arthur segurava um garfo. Observando o perfil claro da jovem, ele perguntou em voz baixa:
— Gosta de goiaba?
Tania virou o rosto, encontrando o olhar dele, e respondeu com indiferença:
— Não gosto.
Valentim ficou sem palavras. Ele sabia que era mentira.
Arthur apertou os lábios finos em um sorriso satisfeito. Puxou a fruteira sobre a mesa e ergueu levemente o queixo.
— O que você gosta de comer?
— Laranja, eu acho.
Apesar da resposta, logo em seguida, Arthur acabou lhe dando vários pedaços de goiaba na boca.
Então, Valentim, que havia sido ignorado por um bom tempo, estreitou os olhos e bateu os nós dos dedos na mesa.
— Menina, o que aconteceu com o seu rosto?
Ele estava tão distraído admirando Tania que quase não notou os machucados. Havia um arranhão na testa e um hematoma no queixo, marcas que o incomodavam profundamente.
Tania ergueu os olhos para ele e, em vez de responder, devolveu com outra pergunta:
— Quando você vai para a fábrica?
— Não tínhamos combinado para amanhã? — Valentim respondeu por instinto, mas logo franziu a testa. — Agora que você já está aqui, o que eu iria fazer na fábrica? Onde está o vaso que eu pedi?
A troca de palavras entre os dois soava extremamente familiar e íntima.
Até mesmo Karina podia sentir que Valentim tinha uma paciência fora do comum com a Srta. Vargas. Mais do que isso, por que ele sempre exibia aquela expressão orgulhosa, como um pai olhando para a própria filha?
Tania engoliu o pedaço de goiaba e deu um leve tapinha no pulso de Arthur, indicando que não queria mais. Em seguida, respondeu:
— Assim que assinarmos o contrato, o vaso será seu.
Valentim passou a língua pelos dentes de trás, apontando para ela no ar com uma mistura de resignação e carinho.
— Só você mesmo para me dar ordens. Queria ver se fosse qualquer outra pessoa!
Arthur lançou-lhe um olhar frio e impenetrável.
Valentim rapidamente desviou o dedo e acrescentou:
— Vocês dois podem me dar ordens.
Karina observava a cena, completamente perplexa com aquela dinâmica absurda.
Pouco tempo depois, Tania levantou-se do colo de Arthur e puxou uma cadeira de vime ao lado para se sentar.
Valentim a observava com os olhos brilhando, como um pai coruja. No segundo seguinte, olhou para o homem à sua frente e ergueu uma sobrancelha.
— Arthur, você se lembra de quando eu contei, anos atrás, que havia conhecido uma menina em Mianmar?
Arthur tinha uma vaga lembrança do assunto. Ele ergueu os olhos preguiçosamente, batucando os dedos na mesa com leveza.
— Aquela menina... de quem você queria ser padrinho?
O homem deu ênfase à palavra menina, com um sorriso sarcástico brincando em seus lábios finos. Ah, então ele queria ser o padrinho de Tania?
Valentim deu uma risada sem graça. Esticou a mão para pegar o maço de cigarros à sua frente e limpou a garganta.



Valentim sentia a cabeça latejar. Vendo o rosto bonito de Arthur escurecer como uma tempestade, tentou mudar de assunto.
— Arthur, você me pediu para preparar a sala médica. Quem está doente?
O homem apertou os lábios, lançou um olhar cortante para Valentim e, lentamente, começou a dobrar as mangas da camisa.
— Onde está o seu presente de boas-vindas?
Sabendo que estava em desvantagem, Valentim viu o gesto com as mangas e apressou-se em responder com um tom solene:
— Já está preparado. Uma ilha na costa leste, totalmente de graça.
Em seguida, olhou para Tania com um sorriso afetuoso e perguntou:
— O que acha?
Tania torceu levemente os lábios e recusou com frieza:
— Não precisa. Você já me deu uma antes.
Anos atrás, Valentim já a havia presenteado com três ilhas, que pareciam ficar na costa oeste, embora ela nunca as tivesse visitado.
Pela breve conversa de instantes atrás, ela também compreendeu a relação entre ele e Arthur. Descobriu que Valentim era o mais velho dos cinco irmãos de juramento, um negociante de antiguidades de renome internacional.
E o motivo de ela ter saído às seis da manhã, dois dias antes, fora justamente para ir ao Arquipélago Vência procurar por ele. Como havia pilotado a lancha sozinha na ida e na volta, acabou ficando encharcada pela maresia.
Nesse momento, Valentim fechou a cara e fingiu estar zangado.
— Não aceito recusas. As três ilhas que te dei antes foram por mérito seu. Esta de hoje é um presente de boas-vindas, você tem que aceitar.
Arthur ergueu levemente os lábios finos, olhando de soslaio para o irmão de juramento.
— Apenas um presente de boas-vindas?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Queria Sejamos Casais? Ok, Me Chame De Cunhada!
Autor se lembre de nós por favor...
Oi, desde novembro 2025 sem atualização.... Será q o autor esqueceu de continuar escrevendo? Não é o primeiro livro que leio pra chegar em determinada parte e simplesmente morrer ali... sinceramente, desculpe se estou errada, mas acho uma falta de respeito pra quem,como eu, ama ler.......
Espero que o autor atualize, paguei pra ler esse livro no app,n tinha nesse site ainda. Parou no mesmo capítulo. Mas a última atualização foi em dezembro. Nesse site foi esse ano. Estou com grande expectativa...
Podem continuar atualizando. Melhor livro...
Atualizem logo. Estou gostando muito desse livro...
Cadê os outros capítulos...
Cadê mais capítulos...
??...
Porque parou de atualizar???...
Atualização por favor...