No instante em que a voz de Cecília Tavares silenciou, um silêncio mortal tomou conta do ambiente.
Foi Aurora Rocha quem reagiu primeiro.
Seu rosto, levemente marcado por rugas, exibia uma expressão indecifrável e complexa; ela repuxou os cantos dos lábios, tentando instintivamente disfarçar com hesitação.
— Ora, Cecília, que... que conversa é essa? O Gustavo, o Gustavo, ele...
— Mãe.
Cecília a interrompeu suavemente, com uma expressão calma:
— Não esconda mais isso de mim.
— Afinal, ele é o pai da Candy. Eu devo ir ao funeral.
Aurora ficou em silêncio por um longo tempo, suspirou profundamente e, com um olhar de compaixão, perguntou:
— Cecília, como você ficou sabendo?
Cecília baixou os cílios:
— Quem sabe? Talvez... tenha sido intuição.
Curioso, não?
Eles cresceram juntos, eram as duas pessoas que melhor se conheciam neste mundo.
O que quer que ele quisesse fazer, nunca conseguia esconder dela.
Nunca.
Após o Ano Novo, logo chegou o início da primavera.
O tempo ainda estava um pouco frio.
No dia do funeral, como se o céu sentisse, uma garoa fina começou a cair das nuvens cinzentas, gelada ao tocar a pele.
Cecília vestia um vestido preto, com o cabelo preso, e estava sentada na primeira fila segurando Candy Tavares.
Ela permaneceu quieta durante todo o tempo, de olhos baixos e sem dizer uma palavra, como se estivesse isolada do resto do mundo.
Aurora estava preocupada com ela:
— Cecília...
Cecília mantinha-se em silêncio, como se não ouvisse nenhum som externo, alheia a tudo.
Candy, em seus braços, parecia ter uma conexão de pai e filha; desde que Cecília entrou no velório, a bebê não parava de chorar.
— Buá! Buá!
Cristiano Tavares, que a acompanhava, viu que ela paralisou e, apertando os lábios, explicou suavemente:
— Ele pensou que talvez um dia você amolecesse e o perdoasse, então decorou o quarto igual ao de vocês, querendo te fazer uma surpresa.
— Ele se esforçou para recuperar os móveis que você vendeu; alguns, que foram danificados por Júlio Rocha, ele mandou refazer.
Os cílios de Cecília tremeram levemente; ela permaneceu em silêncio, o rosto delicado exibindo uma indiferença que não revelava emoção alguma.
Cristiano sentiu um aperto no peito, preocupado com o estado mental dela:
— Cecília...
Cecília piscou e o interrompeu:
— Irmão, eu estou bem.
— Vamos procurar as coisas primeiro.
Ela atravessou a sala passo a passo, cercada pela decoração que lhe era tão familiar; cada detalhe havia sido desenhado por ela, cada móvel feito sob sua supervisão, desde a compra do material até a confecção.
Ela pensava que tudo tinha sido vendido.
Nunca imaginou que veria tudo aquilo novamente um dia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Na Noite da Tempestade, Eu Escolhi Partir
Pessoal aqui da plataforma,agora que os capítulos são pagos eles tem que pelo estarem completo tem capítulos aqui que estão incompleto dificultando o entendimento da história por favor revisem para nós leitores não ficarmos sem a história completa 😕...