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Na Noite da Tempestade, Eu Escolhi Partir romance Capítulo 447

No instante em que a voz de Cecília Tavares silenciou, um silêncio mortal tomou conta do ambiente.

Foi Aurora Rocha quem reagiu primeiro.

Seu rosto, levemente marcado por rugas, exibia uma expressão indecifrável e complexa; ela repuxou os cantos dos lábios, tentando instintivamente disfarçar com hesitação.

— Ora, Cecília, que... que conversa é essa? O Gustavo, o Gustavo, ele...

— Mãe.

Cecília a interrompeu suavemente, com uma expressão calma:

— Não esconda mais isso de mim.

— Afinal, ele é o pai da Candy. Eu devo ir ao funeral.

Aurora ficou em silêncio por um longo tempo, suspirou profundamente e, com um olhar de compaixão, perguntou:

— Cecília, como você ficou sabendo?

Cecília baixou os cílios:

— Quem sabe? Talvez... tenha sido intuição.

Curioso, não?

Eles cresceram juntos, eram as duas pessoas que melhor se conheciam neste mundo.

O que quer que ele quisesse fazer, nunca conseguia esconder dela.

Nunca.

Após o Ano Novo, logo chegou o início da primavera.

O tempo ainda estava um pouco frio.

No dia do funeral, como se o céu sentisse, uma garoa fina começou a cair das nuvens cinzentas, gelada ao tocar a pele.

Cecília vestia um vestido preto, com o cabelo preso, e estava sentada na primeira fila segurando Candy Tavares.

Ela permaneceu quieta durante todo o tempo, de olhos baixos e sem dizer uma palavra, como se estivesse isolada do resto do mundo.

Aurora estava preocupada com ela:

— Cecília...

Cecília mantinha-se em silêncio, como se não ouvisse nenhum som externo, alheia a tudo.

Candy, em seus braços, parecia ter uma conexão de pai e filha; desde que Cecília entrou no velório, a bebê não parava de chorar.

— Buá! Buá!

Cristiano Tavares, que a acompanhava, viu que ela paralisou e, apertando os lábios, explicou suavemente:

— Ele pensou que talvez um dia você amolecesse e o perdoasse, então decorou o quarto igual ao de vocês, querendo te fazer uma surpresa.

— Ele se esforçou para recuperar os móveis que você vendeu; alguns, que foram danificados por Júlio Rocha, ele mandou refazer.

Os cílios de Cecília tremeram levemente; ela permaneceu em silêncio, o rosto delicado exibindo uma indiferença que não revelava emoção alguma.

Cristiano sentiu um aperto no peito, preocupado com o estado mental dela:

— Cecília...

Cecília piscou e o interrompeu:

— Irmão, eu estou bem.

— Vamos procurar as coisas primeiro.

Ela atravessou a sala passo a passo, cercada pela decoração que lhe era tão familiar; cada detalhe havia sido desenhado por ela, cada móvel feito sob sua supervisão, desde a compra do material até a confecção.

Ela pensava que tudo tinha sido vendido.

Nunca imaginou que veria tudo aquilo novamente um dia.

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