Normalmente, Antonio também enviava muitas coisas boas, e Dona Beatriz as recebia com alegria.
Achava que Antonio valorizava Carla.
Mas, sobre os presentes de Ricardo, ela os considerava um problema em mãos.
Carla disse que não precisava devolver, pois Ricardo não tinha falta de dinheiro; se ele os enviou, deveriam ficar com eles. Naquele ano em que ele levou Natália, o professor quase morreu de raiva, então isso serviria como compensação.
Dona Beatriz achava que Carla agora vivia com mais clareza do que antes. No passado, ela era tão teimosa quanto o professor, recusando categoricamente as coisas de pessoas de quem não gostava.
O velho estava emburrado no escritório, sem dizer uma palavra. Dona Beatriz pediu a Carla que fosse confortá-lo.
Carla bateu na porta e entrou. Ao vê-la, o Prof. Silveira a criticou: — Com que tipo de canalha você se casou? Como aguentou um homem como ele por três anos? Por que não me contou naquela época?
Naquela época, era porque ela o amava, e se casou com o coração cheio de alegria.
Pensou que, se ele aceitou se casar com ela, deveria haver algum amor, e não esperava que ele a tratasse daquele jeito após o casamento.
Carla disse com sinceridade: — Eu não fui tola? Gostava dele e me casei de bom grado. Achei que teria felicidade, mas não sabia que o caminho estava cheio de espinhos. Depois, reconheci a verdade e fiz o possível para compensar. Não vou cometer o mesmo erro no futuro.
O Prof. Silveira lançou-lhe um olhar e perguntou: — Ele tem um grande negócio e fortuna. Você não vai se interessar pelas riquezas da família dele e voltar com ele, vai?
Carla disse: — Realmente não. Antonio protege minha vida, não sou boba.
O Prof. Silveira disse com raiva: — Eu acho que você é sim, sendo maltratada por aquele casal de cães e não me dizendo nada. Se me dissesse, eu procuraria os superiores. Onde já se viu fazer alguém de informante para arruinar o casamento dos outros?
Carla abaixou os olhos: — Professor, isso já passou. Agora aprendi a olhar para a frente. O meu relacionamento com Antonio é sério.
Ao ouvir isso, a expressão do Prof. Silveira suavizou um pouco.
Na noite da festa de noivado, Antonio não hesitou em se jogar para salvar Carla, e eles viram isso. Com um homem assim, eles também ficavam tranquilos.
Carla almoçou na casa deles e explicou os acontecimentos do passado aos dois idosos. Dona Beatriz ouviu com um turbilhão de emoções.
— Quem diria que você também teve um momento de gostar de um homem em segredo. É uma pena que ele não tenha dado valor, e seu amor verdadeiro foi desperdiçado.
Dona Beatriz pegou a mão de Carla e disse: — Não desanime, a culpa não é sua por ter encontrado a pessoa errada. Antonio é uma ótima pessoa. Quando você se divorciar, case com ele. Quero ver se esse Monteiro consegue atrapalhar o casamento!
Carla sorriu: — Isso definitivamente não vai acontecer. Antes do casamento, vamos nos registrar no cartório, ele não poderá intervir.
O que ela não sabia era o nível de obsessão que Ricardo tinha por ela, muito além do que ela imaginava.
Os dois idosos começaram a rir.
Após o almoço, Carla conversou mais um pouco sobre tecnologia com o professor, antes de dirigir para sua consulta com a Dra. Viviane Costa.
O que surpreendia a Dra. Viviane era que, mesmo com a situação com Ricardo sendo tornada pública, o humor de Carla não havia melhorado muito e ela continuava desanimada.
Seu céu parecia estar sempre nublado.


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