A admissão de amor de Carla tornou Ricardo mais corajoso, dando-lhe a coragem para perguntar sobre algo que o incomodava há muito tempo.
Ela simplesmente não escondeu mais nada: — Era o aniversário de casamento dos meus pais e coincidia com o aniversário do Marcos. Eu sempre o vi como um irmão.
— Meus laços de sangue são escassos, conto os parentes vivos numa única mão. Quando ele passou por dificuldades, eu deveria deixá-lo à própria sorte?
O rosto de Ricardo estava tenso, cheio de arrependimento. Tinha a entendido errado por tantos anos, desperdiçando muito tempo.
Por que ele teimou em segurar seu orgulho em vez de perguntar a ela com clareza?
Ele olhou apaixonadamente para Carla: — Então você não me ama mais agora?
Carla assentiu: — Isso. Sofri bastante depois que decidi me divorciar de você, mas tive que ser forte.
— Você se exibia na minha frente e tentou destruir minha carreira. Nada disso permitia que eu continuasse te amando.
— Na época em que eu estava grávida de Beatriz, você ostentava afeto todos os dias com a Natália. Fiquei tão enjoada que vomitei bile.
— Você observava eu ser intimidada pela sua família e pelos outros de braços cruzados, e foi aí que percebi que você não me tinha em seu coração.
— Você usou seu nome e aniversário na minha patente e me acusou de plágio.
— Foi você mesmo que me forçou a ir embora.
Ricardo não tinha como se justificar em relação aos acontecimentos passados. Seu coração estava misturado a emoções complexas, e agora só podia dizer que ele colheu o que plantou.
Carla continuou: — Sobre as ruínas, eu me reconstruí centímetro a centímetro, usando minha carreira para me anestesiar.
— Passo a passo, me ergui sob a pele, dizendo a mim mesma que nesta vida não teria mais nada a ver com você.
O coração de Ricardo estava dilacerado. Seus olhos ficaram vermelhos, e ele percebeu que foi sua própria teimosia que a afastou.
Os dois trocaram olhares em silêncio, sem que ninguém dissesse nada por um longo tempo.
O quarto estava tão quieto que só se ouvia a respiração de cada um. Eles se amaram no passado, mas por causa dos preconceitos dele, ele a feriu.
E os caminhos deles se separaram.
Somente depois que ela partiu, em meio à saudade que o acompanhava todos os dias, ele se deu conta de que se ela o amava não importava, o importante era mantê-la ao seu lado.
Ricardo sempre acreditou que revelar a verdade garantiria o perdão dela, pois achava que ela não o amava e não ligava tanto para o que ele fazia de errado.
Porém, havia sentimentos nela. Como ela poderia superar aquelas atitudes?
— Carla, eu... — Ele não tinha explicações para suas próprias atitudes, afinal, ela estava arrasada por causa dele.
Carla disse com calma: — Na verdade só fomos felizes durante um mês. Eu consegui superar tudo e você também deve seguir em frente. De agora em diante não guardo rancor de você, mas não quero que me persiga mais. Cada um siga o seu caminho.
Ricardo riu, mas a risada carregava angústia.


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