Carla deu um empurrãozinho nele: — O que foi?
Com medo de que Mariana o seduzisse, Antonio fez charme de um jeito muito coitado para Carla: — Carla, você precisa ficar de olho em mim, tem gente cobiçando a minha beleza.
Carla não precisava pensar para saber que era Mariana fazendo graça e disse para Antonio: — Para de se fazer de coitado, ninguém vai te sequestrar. E nada de ficar fazendo charme.
Antonio comeu comportado. Mariana o encarou com desgosto.
Isadora deu uma almôndega de carne para Rafael de propósito, forçando a voz: — Veterano, come.
Rafael sentiu um arrepio e falou sem reação: — Isadora, se você não parar com isso, eu vou ligar para o seu orientador pra passar mais coisa pra você fazer.
O orientador de Isadora era colega de faculdade de Rafael. Ele fez doutorado no MIT e voltou para lecionar na universidade deles.
Ele já era muito rígido com os alunos. Se Rafael adicionasse mais coisa, Isadora achou que ia acabar sobrecarregada de trabalho.
Isadora pediu arrego: — Veterano, me desculpa. Eu não vou mais zoar com a sua cara.
Rafael, para se vingar, colocou uma pilha de comida na tigela de Isadora até fazer uma montanha.
Ele disse, com um sorriso falso: — Se você não comer tudo isso, eu vou ter uma conversa séria com o seu orientador sobre o seu desempenho acadêmico.
Isadora comeu tudo até estourar, com medo de Rafael agir sem coração e lhe dar mais trabalho.
— Veterano, quando foi que você deixou de ser humano?
Rafael bufou: — Eu nunca fui.
Gabriela olhou os dois brigando e disse, rindo: — Às vezes o Sr. Martins é bem infantil, arranjando briga com a Isadora.
Carla disse: — Ele sempre foi assim. Uma vez eu o irritei e ele jogou todo o trabalho que o professor passou pra mim. Eu tive que trabalhar como mula no laboratório um mês até ele se acalmar.
Gabriela estalou a língua: — Quem diria que o Sr. Martins também pegaria no seu pé assim. Achei que ele sempre fosse carinhoso com você.
Carla disse: — Ele só não deixava os outros implicarem comigo. Ele não hesitava em implicar. Nas palavras dele, só ele podia pegar no pé da colega.
Antonio se voluntariou: — Se o Sr. Martins te incomodar de novo, me avisa. Eu peço pro meu pai resolver isso.
Carla disse que não precisava do pai dele, era só contar ao Prof. Silveira e o professor ia puxar as orelhas dele.
Isadora escutou e respondeu na hora: — Da próxima vez que for ver o Prof. Silveira, me leva.
— Levo!
Rafael ficou bravo por revelarem os podres dele.
Depois do almoço, na casa de três quartos de Gabriela que não era tão grande, Antonio sentiu que não tinha onde colocar as pernas compridas.

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