Ernesto franziu levemente as sobrancelhas, sentindo-se um pouco incomodado pelo barulho: “Mãe, quando foi que eu disse uma coisa dessas?”
“Você sabe o quanto fiquei preocupada esses dias sem conseguir falar com você?”
O pai de Ernesto, Ricardo, também prendeu profundamente a respiração ao lado, com uma voz carregada de seriedade: “Você realmente foi completamente enfeitiçado por aquela mulher!”
Thiago, com as mãos nos bolsos, tentou acalmar a situação: “Senhora, senhor, por favor, não fiquem bravos. Ernesto só escondeu a doença porque não queria que vocês se preocupassem desse jeito. Agora ele já está bem, não está?”
“Thiago, você não faz ideia do quanto aquela oportunista lá fora é habilidosa. Só porque trabalha na empresa dele e ainda é responsável por clientes importantes da família Siqueira, Ernesto simplesmente não consegue fazer nada contra ela!”
Thiago, porém, sorriu sem dar muita importância: “Uma mulher diante da qual Ernesto não consegue fazer nada... neste mundo, além daquela pessoa, não há uma segunda.”
Assim que ele terminou de falar, o silêncio tomou conta do cômodo, como se alguém tivesse apertado o botão de pausa, mergulhando tudo numa quietude estranha.
Rosana apenas chorou, sem dizer nada.
Apesar de estar irritada, ainda organizou as roupas do filho sobre a cabeceira e lhe serviu um copo d’água.
Ricardo tirou um cigarro do bolso e disse: “A partir de hoje, você vai ficar aqui se recuperando, com seguranças da família Siqueira vigiando dentro e fora do quarto. Não permito mais que aquela mulher entre aqui nem um passo!”
Após dizer isso, ele não se importou com qualquer reação do filho e saiu pela porta com passos largos.
*
Samara ficou arrumando a casa até o entardecer, só então conseguiu descansar.
Ela suou bastante.
Quando foi tomar banho, ao tirar a roupa percebeu que sua barriga, que sempre fora lisa, agora exibia uma leve curva.
A curva não era muito evidente; olhando com atenção, poderia até parecer apenas um pouco de gordura a mais.
No espelho, continuava linda e encantadora, o corpo alvo e esguio como uma jóia de jade sem imperfeições.
Só que, naquele momento, havia uma leveza e doçura em seu olhar, bem diferente da ambição e da intensidade de antes.
Assim que terminou o banho e saiu, a campainha tocou.
Samara se aproximou para olhar pelo olho mágico. Ao ver quem estava do lado de fora, seu semblante escureceu de imediato.
Ela se virou e foi embora, fingindo que não ouvira nada.
Fábio insistiu do lado de fora, batendo na porta: “Samara, abre a porta, por favor. Me ouve, deixa eu te explicar?”
Samara não respondeu, e seu humor, já confuso, ficou ainda mais irritado.

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