Ernesto não interrompeu seus movimentos, mas seu tom de voz revelou certa urgência: “Aconteceu algo com Geovana, preciso ir até lá.”
Samara, ainda entre o sono e a vigília, de repente sentiu um aborrecimento inexplicável.
Pareceu-lhe como se o brinquedo de pelúcia ao qual estava acostumada a abraçar ao dormir tivesse sido subitamente tomado por outra pessoa.
Ela se arrastou até a beira da cama, segurou o pulso dele, e com os olhos semicerrados, deixou transparecer uma teimosia obstinada: “Eu não autorizei você a ir.”
Ernesto olhou para o delicado pulso branco sob o edredom de seda, afastou-se suavemente e, abaixando-se, beijou-lhe os lábios, tentando acalmá-la: “Não faça birra.”
“Por favor, não vá, está bem?”
O homem, um tanto contrariado, empurrou-a de volta para a cama, e seu tom, agora mais severo, advertiu: “Samara.”
Samara caiu sobre a cama, os longos cabelos espessos e escuros caindo até a cintura, cobrindo-lhe o rosto e o corpo esguio.
Por entre as mechas, observou o homem rapidamente colocar o relógio no pulso e, em seguida, pegar o celular no criado-mudo antes de sair.
A porta foi fechada, bloqueando o olhar que ela mantinha fixo nele.
Samara permaneceu naquela posição na cama até o amanhecer e, ao despertar completamente, percebeu que aquilo não fora um sonho.
Na noite anterior, ele realmente a deixara para ir atrás de Geovana.
Bruna bateu suavemente à porta: “Senhorita, já está quase na hora do almoço.”
Samara levantou-se lentamente, abriu a porta e viu Bruna com uma tigela de remédio quente nas mãos, sorrindo diante dela.
“O senhor ligou há pouco e disse que sua febre ainda não passou totalmente, então precisa tomar o remédio no horário. Vamos tomar o remédio e descansar mais um pouco?”

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