O sorriso dela permaneceu inalterado, mas os dedos dos pés, ao tocarem o chão, mergulharam em um frio que se espalhou dos pés até o corpo inteiro.
“Não tem problema, vou esperar ele terminar. Sr. Tavares, Sr. Botafogo, cuidem-se no caminho de volta para casa.” Samara acenou aos dois de forma elegante, despedindo-se.
Quando todos já haviam saído, as pernas de Samara ficaram um pouco bambas.
Encostou-se na parede de vidro, olhou para o próprio rosto cansado refletido no espelho à sua frente, e esboçou um sorriso extremamente feio.
Depois de um tempo, Quirino retornou com alguns documentos.
Ao ver Samara esperando na porta, Quirino demonstrou uma leve surpresa: “Sra. Vieira, por que não entrou? Está esperando aqui?”
“Estou esperando o Sr. Siqueira.” Samara sorriu suavemente. “Aconselho que você também não entre, ele está ocupado.”
Quirino entendeu o que ela quis dizer, mas, tendo trabalhado ao lado da Sra. Vieira por muitos anos, sabia muito bem que ele não era do tipo mulherengo.
Tanto física quanto psicologicamente, sempre demonstrou certa aversão a contatos desnecessários.
“Venha comigo, por favor.” Quirino abriu a porta. Lá dentro, não havia ninguém, apenas a porta do cômodo de descanso estava entreaberta.
“Eu não ousaria~”
Samara cruzou os braços e permaneceu na porta, elevando o tom num misto de ironia e descaso: “Vai que vejo algo inadequado, aí o Sr. Siqueira desconta em mim.”
No interior, o homem estava sentado no sofá, com uma mão de dedos longos segurando uma taça de vinho.
Ao ouvir o tom de leve reprovação do lado de fora, soltou um sorriso frio, quase imperceptível.
Quirino apenas sorriu.
Aqueles dois eram orgulhosos demais para cederem, sempre sobrava para ele intermediar.
Sem dar opção, puxou Samara para dentro: “Sra. Vieira, desde quando ficou tão tímida?”

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