Kelton Barros ficou um pouco surpreso ao olhar para ele e respondeu: “Sim.”
Ernesto Siqueira pegou o copo d’água e tomou um gole com indiferença, dizendo em voz baixa: “Conseguiu ver bem como ela é?”
Kelton lembrou-se daquele olhar adorável e exclamou: “É praticamente uma versão em miniatura da Sra. Vieira, só que como se Gotinho tivesse nascido menina!”
“……”
Ernesto franziu levemente a testa. “Fale de forma clara.”
Kelton sorriu constrangido: “Enfim, ela é muito, muito fofa. Basta olhar uma vez para ter certeza, é mesmo sua filha.”
Ernesto curvou levemente os lábios, e ao ouvir isso, um traço de ternura passou pelo canto dos seus olhos.
Ele jamais esqueceu a sensação suave e macia quando, pela primeira vez, aquelas mãozinhas delicadas o abraçaram pelas pernas.
Ao vê-la pela primeira vez, uma ligação de sangue inexplicável o fez ter certeza de que aquela era, sem dúvida, sua filha.
Kelton, percebendo que ele ficou em silêncio por um tempo, mas sem demonstrar uma expressão assustadora, não resistiu e perguntou: “Sr. Siqueira, e agora, o senhor pretende fazer o quê?”
Ernesto pousou os dedos suavemente na janela, refletiu por um momento e respondeu: “Vamos à Escola da Cidade do Paradoxo.”
Kelton olhou para ele surpreso, mas logo compreendeu seu propósito e virou o carro.
*
Samara Vieira não estava indo à casa de Humberto Azevedo pela primeira vez.
Quatro anos atrás, quando Humberto a trouxe de volta da país Y para a Cidade do Paradoxo, ela morou ali por um breve período.
Naquela época, a casa ainda tinha um estilo brasileiro clássico e exuberante, mas com os anos, Humberto adotou uma vida mais sóbria, trocando todos os móveis por um estilo wabi-sabi sereno.
Depois, no segundo ano de Samara na Deerss, Humberto teve uma febre alta.

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