A sua voz era cheia de comando. A mãe não a tinha levado para a escola nos últimos dias, o que a deixava irritada, e naquele momento, com aquela brincadeira, ela ficou ainda mais brava. A menos que a mãe fizesse várias comidas gostosas, ela não ia perdoar a mãe.
Alice Campos pensava aborrecida enquanto olhava para a lancheira.
Aquela lancheira já era familiar para ela, que parecia conseguir sentir o cheiro bom do mingau.
Julia Mendes soou fria: — Não foi feito para você.
Alice Campos abriu os olhos incrédula: — Não foi feito para mim? Para quem é, então? Eu quero comer.
Julia Mendes respondeu: — Se você quer comer, vai pedir para a sua mãe, você não acabou de chamar outra pessoa de mãe? De agora em diante, não serei mais a sua mãe.
Alice Campos paralisou, e seus olhos ficaram vermelhos na hora.
Larissa Lacerda logo se levantou e puxou o braço de Julia Mendes: — Julia, mesmo que você não goste de mim, não faça isso. Ela é pequena, não entende das coisas, ela só falou da boca para fora, por que você vai ficar brava com a criança?
Ela abaixou a cabeça e esfregou os cantos dos olhos ao terminar de falar.
— Julia Mendes, não arrume confusão — a voz fria de Lucas Campos soou de repente. Ele se levantou do sofá e parou em frente a Julia Mendes.
— Você larga a criança, que moral tem para culpá-la por não ser apegada a você?
Lucas Campos não usou um tom de voz alto nem baixo, mas o hospital estava silencioso e as pessoas em volta escutaram. Todos começaram a olhar, e alguém até apontou o dedo para Julia Mendes.
Julia Mendes se sentiu extremamente chateada.
Ela sofreu um acidente de carro para salvar a filha, e passou um mês na cama de um hospital sem receber atenção do pai e da filha.
E agora a culpavam por não cuidar da criança?
Lucas Campos sempre agia assim. Não importava a situação, ele a julgava sem entender o que tinha acontecido.

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