Seus olhos percorreram o nome do currículo abaixo da carteira de identidade e seus lábios se abriram para que ele dissesse em voz alta.
"Roxanne Harvey".
Como? Como isso poderia ser possível? Como isso pode estar acontecendo? Ele tinha lutado — e estava lutando — duro para tirar ela de sua mente, apesar da teimosia de Ziko.
E aqui estava ela de novo! Entrando em sua vida como ela considerava isso adequado? Ele não pediu para vê-la tentando estrangular Peter, no dia em que se conheceram. Ele não havia pedido para comparecer àquela festa de casamento onde se viu atraído pela própria essência dela. Ele não pediu para marcá-la da maneira mais cerimoniosa enquanto fazia o melhor s*xo da sua vida.
Talvez, apenas talvez ele tenha gostado de tudo, mas não pediu nada daquilo.
Ele também não pediu que ela aparecesse do nada na vida dele! E da maneira mais convencional — ou não convencional — das formas.
Quem ela pensava que era para desaparecer daquela forma, humilhar ele e depois reaparecer como se a vida dele fosse dela para atormentar?
'Companheira!', Ziko rosnou dentro dele.
Furioso, Lancelot fechou o laptop. A força com que ele fez isso fez Peter estremecer, temendo em ver o destino da tela do seu laptop.
Companheira, companheira, companheira! Foi só por isso que ele ouviu Ziko chorar. Essa era a única coisa que ele sabia dizer? Eles deveriam ser um só, portanto, por mais impossível que parecesse, eles tinham que tentar esquecer a americana estranha, JUNTOS.
'Ah, cala a boca!', Lancelot gritou mentalmente com Ziko, se levantando da cadeira. Quando sua força fez com que a cadeira colidisse com o chão, os olhos de Peter caíram sobre o pobre objeto de madeira. Ele próprio se afastou de Lancelot. Seu chefe claramente não estava de bom humor.
Peter não sabia como esperava que Lancelot iria reagir, mas não podia dizer que estava surpreso com a rapidez com que suas emoções... se manifestaram sobre ele.
"O que quer que seja...", Peter parou de falar quando os olhos de Lancelot caíram sobre seu pequeno corpo.
Nervoso, ele tossiu para limpar a garganta e endireitou a postura.
"O que você vai fazer agora, senhor? Em relação a situação atual das coisas", ele tentou perguntar. Ele estava ansioso para saber qual seria a próxima ação de Lancelot.
Francamente, Lancelot não sabia o que fazer. Ou o que ele queria fazer, mas ele sabia de uma coisa: ele tinha que levar Ziko para dar uma corrida já que a Dra. Flinn lhe recomendou isso.
Já era hora de ele e Ziko começarem a se comunicarem melhor um com outro em alguns assuntos.
Lancelot arregaçou as mangas da camisa e ficou em frente ao espelho.
"Eu vou correr", ele disse, severamente. Sem ao menos olhar para Peter.
"Senhor, eu estava falando sobre..."
"Eu não preciso da sua companhia, Peter. Você pode ficar aqui e terminar de analisar o resto dos outros documentos. Voltarei mais tarde".
Com isso, Lancelot estava fora de seu quarto, antes mesmo de Peter poder falar alguma coisa.
Depois de sair do seu quarto, Lancelot desceu correndo cegamente os degraus da escada de madeira. Eles estava tentando respirar fundo, precisava respirar, precisava limpar seus pensamentos.
Quando desceu a escada, encontrou Ava e sua mãe prestes a subir.
Madeline ergueu a sobrancelha para o filho e olhou para sua aparência áspera.
"E pra onde você pode está indo com tanta pressa... E por que está tão desesperado assim?"
Lancelot simplesmente deu a Madeline um beijo de cortesia em sua bochecha antes de passar por ela e Ava.
Havia assuntos mais urgentes em sua mente agora, coisas do que Madeline gostaria de saber.
Fora dos muros do palácio Dankworth, Lancelot estava em frente as enormes portas de mogno. Já eram 18h no horário europeu, a brisa fresca da noite invadiu sua pele, fazendo com que os pelos escuros do seu corpo se arrepiassem, uma sensação de frio que a brisa deixava ao passar por ele.
Suspirando fundo, Lancelot olhou em volta uma última vez. Quando teve certeza de que ninguém estava olhando para ele, abaixou a postura, colocou as duas mãos no joelho esquerdo, empurrando a perna direita para trás. Ele balançou a cabeça com veemência.
"Limpe sua mente", a Dra. Flinn havia dito.
Ele faria exatamente isso, agora.
Lancelot abaixou o olhar para o chão. Fazendo isso, ele contou mentalmente de um até dez. Lentamente, ele levantou a cabeça e deu uma última olhada ao redor de sua casa.
Quando piscou pela segunda vez, Lancelot acelerou os passos e disparou a toda velocidade que tinha.
Correr, correr e correr. Ele correria até que suas pernas cansassem. E mesmo que ele se cansasse, ele continuaria a correr, até ter certeza de que era corajoso o suficiente para enfrentar a verdade: a verdade dos seus verdadeiros sentimentos por ela.
Em cima do terraço e olhando para ele, Ava franziu a testa. O que quer que houvesse de errado com ele certamente estava desviando sua mente da única coisa em que deveria se concentrar.
E pela Deusa da Lua, ela jurou descobrir o que estava acontecendo com ele. Então, ela acabaria com isso, de uma vez por todas. Quando ela o viu passar correndo pelos portões, ela debochou e se virou.
Nada iria impedir ela de conseguir o que queria, absolutamente nada.
Assim como ele disse que faria, ele continuou a correr pelas árvores, gramas, estábulos e, quando pisou nos arredores da propriedade, parou para respirar.
'Você pode correr, mas não pode se esconder', Ziko disse, mentalmente.
Lancelot ficou furioso com Ziko.
Por que todo mundo ao seu redor não o deixava em paz? Ele já tinha problemas suficientes para resolver. Aqui estava ele, pensando na única coisa em que já havia pensado: seu lugar como rei alfa da sua alcateia. Falta vinte e seis dias para coroação. Ele deveria estar se preparando, tanto fisicamente, mentalmente e emocionalmente.
No entanto, ali estava ele. Correndo, correndo como se isso pudesse levar ele para longe dela. Longe dos seus pensamentos e quaisquer emoções m*lditas que ele estava sentindo agora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Meu Príncipe, Meu Alfa
Esse não está concluído, tem mais atualização?...