Alina
Os lobos que haviam saído retornaram em forma humana, vestindo apenas calças de couro, com o busto exposto. Desta vez, um macho mais velho os acompanhava.
— Uma preciosidade, como você disse.
O lobo mais velho me observou com atenção.
— Este é Eric, meu filho
O macho deu um passo à frente. Precisei me esforçar para não recuar diante de sua imponência. Ele devia ter quase dois metros de altura, com músculos bem definidos que saltavam sob a pele, algo intimidante até para alguém que cresceu entre lobos, como eu. Loiro, de olhos azul-acinzentados tiinham um brilho de perigo contido.
Seu olhar percorreu meu corpo sem demonstrar emoção. Em seguida, voltou-se para meu pai, que assentiu com a cabeça.
— Leônidas.
— Olá, Eric.
— Vamos. Já está tudo pronto.
Ele seguiu na frente.
— Ele ainda está chateado Alaor? — meu pai perguntou ao lobo mais velho, enquanto o acompanhávamos.
— Sim. Mas, ou se acasala, ou não assume como Alfa. Um lobo de trinta anos precisa se firmar.
— Exatamente. Se eu depender apenas da deusa, não terei descendentes.
— Essa juventude...
Continuei andando em silêncio, ouvindo a conversa. Eu sabia que Eric também escutava, mas, assim como eu, tinha seus próprios motivos para permanecer calado.
Duas cadeiras foram colocadas lado a lado. Eric sentou-se ao meu lado, e seu cheiro amadeirado me envolveu. Algumas fêmeas, vestidas com tecidos leves e esvoaçantes, dançavam animadas. Os machos pareciam satisfeitos, servindo comida enquanto circulavam.
Nem eu, nem ele, tínhamos fome.
Tudo o que consegui pensar foi que passei cinco anos longe da minha mãe… para reencontrá-la em uma semana caótica — e, então, nos separarmos de vez.
— Eu te amo, mãe — disse ao me despedir.
— Eu te amo, minha menina. Que a deusa ilumine seu caminho.
Ela me abraçava com força.
Quando me soltei dela meu pai me abraçou.
— Isso é para o bem da nossa família e da nossa alcatéia, se cuida.- Ele me abraça, como se realmente eu importasse algo, mas o único que lhe importa de verdade é o poder- Sei que está chateada… mas chateada ou não, quero notícias de um herdeiro.
Tentei ganhar tempo. Precisava me acostumar àquilo… a ele.
— Não foi para isso que seu pai pagou? — respondeu, frio. — Um belo macho de raça para montar a própria filha.
Senti o golpe das palavras.
— Não, Alina. Esta é a minha parte no contrato. E eu vou cumpri-la.
Seu olhar desceu lentamente pelo meu corpo.
-Pena que não tem carne. Espero que ao menos seja resistente.
Fiquei parada, absorvendo o impacto.
Mas, pensando bem… nunca fui chamada de feia.
Tenho um metro e sessenta e dois — sou baixa, é verdade — mas minha pele sempre foi bem cuidada, primeiro por minha mãe, depois por mim. Meus cabelos escuros têm brilho natural. Meus seios são médios, e meu corpo… longe de ser desprezível, tenho curvas bem acentuadas nos lugares certos.
Na universidade, nunca me faltaram elogios.
Talvez… eu simplesmente não seja o tipo dele.
Minha loba se agitou dentro de mim, furiosa com o desrespeito.

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