Damon Thorn
Aquela madrugada estava fria, o vento entrava pela janela, cortando minha pele e aquele silêncio ao redor me incomodava.
Eu estava deitado na cama com Hart ao meu lado, eu a observava dormindo como a minha presa: sua respiração era suave e tranquila.
O cheiro dela era doce, inebriante, algo que só os lobos poderiam sentir com tanta intensidade.
Eu estava cada vez mais consumido pela dúvida e pela necessidade de proteger minha matilha e, agora, ela. O bebê, Hart, tudo o que eu tinha. Mas, apesar disso, minha mente não conseguia descansar. Algo estava acontecendo. Eu sabia que algo estava prestes a romper a calmaria, e essa ideia me devorava.
Uma batida leve na porta me tirou do transe dos pensamentos, eu levantei com cuidado,e abri a porta lentamente. Victor entrou com uma expressão horrível, aquele tipo de cara que ele só fazia quando algo não estava nos conformes.
"Alfa, precisamos falar", disse ele, suando frio.
Levantei-me rapidamente, gesticulando para que ele se aproximasse. Hart ainda estava adormecida, e eu não queria perturbá-la.
"O que aconteceu?" perguntei baixo, fechando a porta atrás de nós.
Victor olhou para a porta, certificando-se de que estávamos sozinhos.
"A alcateia está sendo atacada de novo. Mas dessa vez... é diferente."
Meu corpo reagiu de imediato, o instinto de Alfa despertando com uma força quase imbatível. A ameaça não era mais simples.
"Quem fez isso?" indaguei, já me preparando para agir.
"Não sabemos ao certo, mas há sinais de que foi uma matilha do Sul. Eles estão tentando tomar o controle da região", explicou Victor.
Fechei os olhos por um momento, processando as informações. O Sul sempre foi uma ameaça latente, mas agora estavam agindo de forma aberta. E eu não permitiria que isso acontecesse.
"Reúna os melhores", ordenei. "Vamos retaliar imediatamente. Agora!"
Hart se mexeu na cama, o som de sua respiração suave me fez sentir uma tensão crescente. Ela acordou, os olhos se abrindo lentamente, ainda sonolenta, mas seus olhos logo se focaram em mim, curiosos.
"Damon…" ela murmurou passando a mão no rosto."
Eu me aproximei dela, tocando seus cabelos ondulados e castanhos com suavidade, tentando transmitir alguma calma. Ela me olhou, confusa, mas o medo já estava nos seus olhos.
"Você vai ficar aqui, Hart. Trancada na mansão. Não é seguro lá fora agora", disse com firmeza, sem hesitar.
Ela me olhou, parecia querer protestar, mas eu não ia permitir. Ela estava em risco, e eu não poderia deixá-la sair de casa.
"Você não vai sair", continuei, mais suave, mas ainda determinado. "Fique aqui. A mansão é a nossa única segurança."
Hart tentou resistir, mas eu a segurei firme, evitando que ela se levantasse. O olhar dela estava carregado de questionamentos, mas eu sabia o que estava em jogo.
"Eu... Me conte o que está acontecendo."
"A matilha está sendo atacada."olhei para ela com um semblante sério, sem demonstrar emoção. "Eu preciso de você segura, Hart. Nada vai acontecer com você se ficar aqui. Eu não posso arriscar."
Ela não disse mais nada, mas a expressão no rosto dela indicava que ela entendia a gravidade da situação.
Kael deu uma risada sádica, o som penetrante no ar, como se estivesse se divertindo com minha raiva.
“Eu não me importo com o que você chama de família. Você é fraco, Damon. Você escolheu uma humana, uma fraca. Isso mostra o quanto você perdeu. Eu vou tomar o que é meu e você não pode fazer nada para impedir”, ele desafiou, seu olhar cruel.
Eric se aproximou ao lado de Kael, sorrindo de forma viciosa.
“Não foi só a humana, Damon. Foi o fato de você ter escolhido algo mais fraco do que o seu próprio território.” Eric provocou, rindo. “Eu sempre soube que você era um fraco.”
A raiva dentro de mim explodiu. Eric nunca foi meu primo, ele era um inimigo, e agora eu tinha a dor da traição martelando meu peito. Ele se uniu a Kael para me destruir, e eu não iria deixar isso acontecer.
Eu avancei, minhas garras afiadas cortando o ar, indo direto para Kael. Mas Eric estava à minha frente, tentando me bloquear.
“O que aconteceu com a trégua, Eric?” eu gritei.
Eric apenas sorriu, sem remorso, com um sorriso cruel.
“Eu nunca te dei trégua, Damon. Eu vou ser o verdadeiro Alfa deste território”, ele provocou.
A batalha entre nós dois foi implacável. Golpes e garras se chocaram com força. O sangue já se misturava ao chão, e a luta não mostrava sinais de diminuição. Eu estava começando a ficar cansado, mas não podia parar. Kael me atacava pelas costas, mas a raiva me mantinha em movimento.
A cada passo, cada golpe, a dor só aumentava, mas eu sabia que tinha que vencer. O meu território estava em jogo, e eu não permitiria que Kael tomasse nada meu.
Então, no meio da luta, a dor em meu peito aumentou. Algo estava errado, muito errado. Mas não podia parar agora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Marcada pelo meu chefe Alfa