Caroline Hart
Ao longe, ouvi a sensação de ter alguém ali.
"Damon...", sussurrei, passando a mão ao redor da cama, mas só ouvi o vazio.
Respirei fundo. A sensação de que Damon estava me escondendo algo sério me perseguia, e a bebedeira de ontem apenas confirmou isso.
Abri o guarda-roupa e vesti a primeira coisa que encontrei. Minha mente estava atordoada.
Desci as escadas rapidamente. Ainda eram sete da manhã.
Daiana estava na cozinha, fazendo alguma coisa, enquanto outros empregados limpavam a casa.
"Bom dia, Daiana. Onde está Damon?" falei.
"Bom dia senh… quer dizer, Hart. O senhor Damon saiu antes do sol raiar."
"Ele não avisou onde foi?"
"Ele nunca avisa."
Murmurei e saí pela porta do fundo. Precisava de sinal, e a falta de wi-fi por aqui era uma merda.
Justamente por isso, eu usava os dois celulares. O que prestasse primeiro, serviria.
Eu necessitava de respostas. E só quem podia me dar era Daniel. Qualquer mínima informação sobre meu pai ajudaria.
Ao menos eu achava isso.
Subi as escadas do chalé onde fiquei no início e olhei ao redor. Como tudo muda rápido?
Em um piscar de olhos, eu era uma cozinheira com a vida devastada, sem esperança e com a conta congelada. Agora... eu era a mãe do futuro herdeiro de Damon.
Minhas malditas contas ainda estão congeladas, minha carreira paralisada, mas eu tinha fé de que iria me livrar disso.
Levantei o celular procurando sinal. Damon poderia melhorar o wi-fi, mas sua intenção era viver recluso.
"Merda. Funciona." Revirei os olhos.
Ouvi um barulho.
Olhei para trás. Não devia ser nada.
Quando olhei novamente, senti um pano em minha boca. Em segundos, meu corpo cedeu ao desmaio.
Acordei em um lugar desconhecido. Parecia uma cabana ou algo do tipo. A luz era fraca, e os sons abafados, como se estivesse isolada do mundo. Meus olhos se abriram com esforço, e percebi que estava amarrada a uma cadeira. O pânico me envolveu, mas a raiva logo tomou o lugar do medo.
"Zion...", murmurei, meu corpo tremendo de raiva. Ele apareceu diante de mim, com um sorriso triunfante.
"Eu sabia que você seria difícil, Caroline", disse ele, a voz baixa. "Mas não sou um homem que perde a paciência facilmente."
Eu tentei me mover, mas a corda que me prendia estava apertada. Meu coração batia rápido, a raiva transformada em ódio. Olhei para ele com desprezo.
"Você realmente acha que vai me forçar a fazer algo que eu não quero, Zion?", desafiei. "Vai me sequestrar e levar até a igreja?"
Eu gelei.
"Do que você está falando?"
"Pare de mentir, Caroline. Eu já sei. Vi ele se transformando na floresta. Não tive dúvidas."
"Você não vai contar nada", eu gritei. "SEU DESGRAÇADO."
"Ah, vou... Imagina o quanto a vida dele e de todos os outros vai ser destruída?"
Eu estava de mãos atadas. A gravação estava salva, mas se eu o ameaçasse, ele tomaria o celular. E então, a verdade apareceu diante de mim: meu pai, Richard Lancaster, sempre soubera de tudo. Ele sabia quem eu era. Ele sabia quem eu era. E ainda assim, ele me deixou ser esmagada por Zion.
Eu sempre pensei que meu pai fosse bom. Que tivesse motivos para não me procurar.
Mas a verdade era outra. Ele usou minha vida para manter seu segredo. E agora, essa dor ia se tornar minha força.
Zion me usou para chegar onde queria, mas a raiva que eu sentia por ele agora não tinha limites.
Eu precisava enganá-lo antes que ele revelasse o segredo de Damon. Eu tinha que usar a gravação contra ele.
"Eu caso com você. Se você não revelar nada sobre Damon."
"Acordo feito, querida." ele sorriu." Mas eu precisarei de um tempo até saber que posso confiar em você. E para todos os efeitos, esse bebê que está esperando é meu."
Eu quase vomitei. De nojo, asco. Como pude amar um homem assim um dia? Ele me usou, me traiu, manipulou, ele é um porco.
E mentalmente eu pedia a Deus, que Damon me achasse.

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