"Conta bloqueada."
Li a mensagem na tela com incredulidade. Digitei a senha de novo. Outra vez.
"Conta bloqueada."
Tentei outro cartão, o da minha poupança. Mesmo aviso. Um frio percorreu minha espinha. Zion. Só podia ser ele. Era a única explicação. Ele tinha poder sobre minhas finanças, sempre teve.
Desde que me convenceu a colocar tudo em nome conjunto. Idiota. Ingênua.
"Merda."esbravejei."
Saí da fila sentindo o sangue pulsar nas têmporas. As pessoas ao redor pareciam flutuar, irreais. Minha cabeça martelava com mil pensamentos ao mesmo tempo. Eu precisava trabalhar. Precisava de dinheiro. Não havia outra escolha agora. Voltar para a mansão Thorn era a única saída.
Zion fez isso, porque acha que em um ato desesperado eu voltaria para Nova York e casaria com ele. Mas somente por cima do meu cadáver!
Me machuquei, mas estou viva, e eu iria provar quem ele era, e se casasse, seria apenas uma marionete controlada.
Caminhei de volta para casa sem conseguir prestar atenção em nada. Só pensava na sensação de impotência ao ver minha conta zerada, bloqueada, sufocada pela armadilha que eu mesma permiti ao confiar no meu quase marido desgraçado.
Algumas horas depois, fui ao escritório de Damon, tínhamos uma reunião para decidir sobre os seus gostos, e ele, extremamente pontual, já estava de pé diante da janela.
Vestia um blazer escuro, mangas dobradas, uma xícara de café na mão e aquele olhar firme, quase predatório.
"Preciso falar com você sobre o pagamento", disse, firme.
"Mal trabalhou e já quer receber?", respondeu sarcástico. "Pode falar."
"Quero receber em espécie. Nada de transferências."
Ele ergueu uma sobrancelha, dando um passo na minha direção.
"Algum motivo específico?"
"Não", menti, desviando o olhar.
"Caroline Hart", ele disse, em tom baixo, quase como uma constatação. "Você acha que pode se esconder aqui, mas eu já sei quem você é."
Senti o estômago revirar.
"Do que você está falando?"
"Sei que é uma cozinheira famosinha nas redes sociais, ou era,talvez. Vi todas as reportagens do escândalo, e sei tudo sobre como seu ex-noivo é um crápula."
Minha boca secou. Eu não consegui dizer nada. Ele continuou.
" Zion, não é? Um nome forte para um homem que parece tão pequeno e estúpido."
Dei um passo para trás, mas ele me acompanhou, com a calma predadora de quem sabe exatamente onde está pisando.
"O que mais você está escondendo de mim, humana? Sou um homem discreto, e não quero trazer confusão para meu território."
Tentei manter a voz firme, mas ela saiu trêmula.
"Não estou escondendo nada."
"Mentira", ele disse com um sorriso de canto. "Você quer dinheiro em espécie porque suas contas estão bloqueadas. E se estão bloqueadas, é porque alguém quer te controlar."
"Você não sabe de nada", sussurrei." Afinal, quem é você?"
" Apenas um homem que se certifica de quem contrata. Você me subestima demais."
"O suficiente para me julgar? Você não faz ideia do que passei."
"A casa é minha, você se esqueceu?"
"Como poderia esquecer."
Ele se aproximou devagar. Seus olhos percorriam meu rosto com calma irritante, como se quisesse gravar cada detalhe.
"Você está suando", ele comentou, quase num sussurro. "É de tanto pensar em mim?"
Revirei os olhos, mas meu corpo parecia não ter recebido o mesmo comando. A pele continuava quente, o coração acelerado.
"Você está começando a parecer interessado."
Ele arqueou uma sobrancelha, o canto da boca subindo num sorriso lento, perigoso. "E se eu estiver?"
Cruzei os braços, sustentando o olhar dele. "Seria um problema... para você."
Ele se aproximou mais, até ficarmos a poucos centímetros. Seus olhos desceram brevemente até minha boca.
Meu coração bateu forte. Ele inclinou-se um pouco, e por um segundo, meu corpo vacilou.
Só que, quando achei que ele se aproximaria, seus lábios roçaram minha bochecha sem me tocar, ele murmurou, quase com humor:
"Não se preocupe, chef. Não sou tão fácil de conquistar quanto pareço. É o seguinte, se fazer um bom trabalho, posso até te ajudar a se livrar do seu noivo trapaceiro." ele sorriu."
"Como?" meus olhos se arregalaram."
"Tenho meus meios. Mas nada que eu faço, é de graça."
Ele disse se retirando.
Aquele homem não jogava limpo.

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