O expediente na cozinha estava quase no fim quando vi Daiana entrando, carregando algo nas mãos. Uma caixa. Bonita, de um vermelho profundo, com uma fita de cetim envolta em volta.
"Achei isso na sua cama enquanto arrumava Hart. Estava com seu nome." Ela colocou a caixa sobre a bancada, tentando parecer neutra, mas eu vi o brilho curioso nos olhos dela. Ela sabia. Ou ao menos desconfiava.
"Obrigada, Daiana," murmurei, secando as mãos no avental. Peguei a caixa com certo cuidado, o coração acelerando por algum motivo que eu não queria admitir.
"Admirador secreto?" ela levantou uma das sobrancelhas."
"Eu realmente não sei." sussurrei."
Subi para o quarto e sentei na ponta da cama. A caixa era leve. Quando abri, o ar pareceu sumir dos meus pulmões por um instante. Um vestido vermelho. Lindo, elegante, quase etéreo. O tecido parecia derreter entre os dedos.
No fundo da caixa, um pequeno bilhete.
"Jantar beneficente. Hoje à noite. Vista isso. - D.T"
Simples. Direto. Damon.
Meu estômago revirou. Eu nunca tinha sido convidada para nada assim, com direito a um vestido especial escolhido por ele. E ele... ele me queria ao lado dele. Mesmo que não dissesse com palavras.
Abri a caixa com cuidado. Era um vestido vermelho, na altura do joelho, com um decote que caiu perfeitamente em meu corpo, ele sabia exatamente do meu gosto.
A noite caiu rapidamente. Me vesti em silêncio, cada pedaço do vestido se ajustando como se tivesse sido feito sob medida. Soltei o cabelo, coloquei um brinco discreto. Me olhei no espelho.
Quem era aquela mulher?
De uma coisa eu tinha certeza. Eu não era mais a mesma Caroline Hart que chegou aqui há meses atrás.
Quando desci, Daiana me olhou por um segundo a mais que o normal. Mas não disse nada. Apenas assentiu com um sorriso contido. Ela sabia. Talvez todos soubessem. Mas, por ora, ela respeitaria o segredo.
Lá fora, Damon esperava ao lado da SUV preta. Usava um terno escuro, impecável, e os olhos azuis me atravessaram como um raio quando me viu.
"Você está linda,Hart" ele disse, a voz baixa, rouca.
Tentei sorrir, mas minhas mãos tremiam. Eu estava nervosa. Mais do que deveria.
"A escolha do vestido ajudou."
"Eu sabia que você iria gostar."
Ele abriu a porta do carro e me ajudou a entrar. Quando contorneou para o lado do motorista, senti meu coração martelar mais forte.
Durante o trajeto, o silêncio era cômodo. Ele parecia absorto, mas não distante como antes. Era como se houvesse uma pressão invisível no ar entre nós. Quando paramos em frente ao salão totalmente iluminado, ele desceu primeiro e, para minha surpresa, estendeu a mão.
Peguei imediatamente, sentindo as mesmas suarem. Estar assim com ele diante de todos era algo novo.
O toque dele ainda fazia algo em mim tremer. Era calor e frio ao mesmo tempo. Um vômito de sensações que eu não sabia nomear, ainda.
Caminhamos até a entrada de mãos dadas, e pela primeira vez, senti que estava fazendo parte do mundo dele. Mesmo que ainda não entendesse qual era o meu lugar em sua vida.
“Damon…"eu disse, quebrando o silêncio entre nós," Por que me trouxe aqui, para que todos me vejam?"
Ele me olhou por um momento antes de responder, seus olhos azuis quase penetrantes.
“Porque você faz parte da minha vida agora, Caroline. Não importa o que você ache, ou como se sinta. Você não vai mais fugir.”
Eu esbocei um sorriso fraco, mas antes que eu pudesse dizer algo, ele estendeu a mão para mim.
“Vamos dançar.”
Eu hesitei, mas algo em seu olhar me fez sucumbir. Sem uma palavra, ele me conduziu até a pista de dança. A música era suave, mas a tensão entre nós dois se intensificava a cada passo.
"Você não faz o tipo de homem que dança." comentei."
"Eu gosto de dançar, Caroline Hart. Me dê essa honra." ele segurou a minha mão."
Os corpos ao redor dançavam como sombras, mas no meio de tudo aquilo, só existia Damon e eu. Ele me segurava com firmeza, sua mão em minha cintura, me puxando para mais perto, como se quisesse me marcar. Cada toque dele fazia meu corpo reagir de forma inexplicável.
Quando nossos corpos se moveram em sincronia, a proximidade dele me envolveu de uma maneira que me fez perder a razão. Eu queria mais. Queria me entregar, mas algo dentro de mim ainda lutava contra isso.
O medo era enorme, mas o sorriso em seu rosto, que normalmente está sempre sério, me fez sorrir também. Eu o queria, mais que tudo.
E queria que Damon Thorne fosse meu.

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