Caroline Hart
Fazia uma semana desde que eu e Damon tivemos aquela conversa.
A vida aqui era pacata. Nada de novo acontecia. Mas quando acontecia, era algo forte.
Eu não via ele com tanta frequência. Era como se estivesse se escondendo num casco, e minhas pesquisas sobre lobos estavam dominando a minha mente.
Não estávamos nos falando frequentemente, mas ele não saia da minha mente nem se quer por um segundo.
Eu conseguia sentir seu cheiro, suas mãos cravadas em mim. Era tudo tão vivido.
Eu estava na cozinha, tentando seguir minha rotina. Era o que eu fazia de melhor, sempre me escondendo na familiaridade da comida e da preparação. Mas hoje, tudo parecia mais distante, como se a casa estivesse se tornando um eco do que deveria ser.
O cheiro da lasanha subia pela casa, mas nem isso me trazia o conforto habitual. Algo em mim estava fora de sintonia. Eu não sabia o que era, mas estava lá — como uma sombra em cada canto da minha mente.
Um pesadelo.
Foi quando meu celular vibrou. O som do aviso de uma nova mensagem cortou o silêncio no ambiente.
Tirei as luvas rapidamente, e ao desbloquear o celular, quando vi o remetente, meu estômago deu um nó. Era de um endereço desconhecido.
A curiosidade me dominou, mas eu sabia que nada bom viria disso.
Abri a mensagem, e o texto que surgiu na tela só me fez sentir a raiva crescer dentro de mim:
"Devido ao não cumprimento das cláusulas do contrato estabelecido com o Sr Zion Wallace, e por não ter se casado conforme acordado, o contrato de não cumprimento entra em vigor. As ações legais serão tomadas imediatamente."
A raiva tomou meu corpo.
Eu já sabia que Zion era traiçoeiro, mas ver isso escrito com tanta frieza me fez querer destruir tudo à minha volta. O maldito conseguiu virar o jogo, mesmo depois de tudo que apresentamos contra ele.
Me sentia impotente, mais do que isso, eu me senti uma idiota. Ele me aprisionava em algo que eu não tinha como fugir. Eu não tinha como provar que eu nunca soube das cláusulas desse maldito contrato.
Mas estava claro: ele não ia desistir de infernizar a minha vida.
Só me restava saber por quê.
Senti uma necessidade urgente de sair dali.
Respirei fundo e coloquei a faca de lado,e peguei a primeira fruta que vi, me dirigindo até a porta dos fundos.
Suspirei.
O ar fresco da manhã bateu contra meu rosto.
Eu sentia meu corpo queimando, mas não só de raiva, algo mais estava acontecendo. Algo... mais profundo. A sensação de estar fora de controle me envolvia como uma onda, e eu não sabia como lidar com ela.
Caminhei pela propriedade, tentando afastar toda aquela pressão que estava em minha mente, mas as coisas estavam ficando intensas demais.
O mundo parecia estar mais vívido, mais intenso. Cada som, cada cor, estava amplificado de maneira que me fazia sentir como se eu estivesse à beira de perder a sanidade.
A minha respiração estava mais rápida. Meu corpo parecia mais forte, como se houvesse uma energia que eu não conseguia controlar.
"Para tudo há um jeito. Eu jamais te obrigaria a viver uma vida que você não quer."
Passei as mãos entre os cabelos levemente, e o olhei.
"Sobre aquilo… de se eu queria ser sua mulher, você estava falando sério Damon?"
Ele me analisou. Seu bíceps enorme estava a mostra,seu corpo perfeitamente esculpido estava em uma camiseta justa.
"Eu não brinco com as palavras. Sou um Alfa, se quero algo, esse algo já é meu."
"Então você me vê como uma propriedade." suspirei."
"Pelo contrário. Eu te vejo como algo valioso demais para perder, Caroline Hart."
Seus dedos se aproximaram dos meus, nossas mãos se juntaram. Ele me encarou, aproximando seu rosto e fazendo com que nossos lábios se encaixassem numa sincronia absurda.
Sua língua era quente, seu beijo era doce, e saciável.
Quando paramos de nos beijar, eu o encarei.
"Recebi isso." mostrei a mensagem para ele."
Damon pareceu analisar o celular cautelosamente. E me encarou de volta decidido.
"Eu não vou deixar o filho da puta do seu ex ganhar. Ele precisa saber que Damon Thorn está na sua vida agora, e eu odeio perder."

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