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Marcada pelo meu chefe Alfa romance Capítulo 43

Caroline Hart

Meus dedos escorregaram pelo lençol amassado, procurando algo que eu sabia que não estava mais lá.

Damon.

Mais uma vez, eu acordava nua em sua cama. Mas agora, eu sentia que havia algo de diferente.

Sentei na beira da cama e passei a mão entre os cabelos. Essa situação já estava se tornando recorrente.

Meu corpo ainda doía da forma como ele havia me tomado. Como se eu fosse dele. Como se aquilo fosse mais do que desejo.

Mas eu não posso negar de que fui avisada.

E talvez para mim… fosse.

Vesti a camisa dele, ainda com o cheiro da noite, e desci descalça.

A casa estava em silêncio, exceto pelos galhos farfalhando do lado de fora.

Peguei uma caneca na cozinha e servi o café que eu mesma tinha deixado pronto na noite anterior.

O gosto estava amargo. Ou talvez fosse a manhã.

Fui até a estufa, tentando achar paz no verde abafado sob o vidro, eu ainda tinha um tempo antes de meu expediente na cozinha começar e Daiana começar a encher meu saco. Então eu vi.

Na terra, riscado com algo pontiagudo, havia um símbolo.

Um círculo partido. Três linhas apontando para o centro.

Eu já tinha visto aquilo antes.

Nos cadernos do Damon. Nos papéis que ele guardava e nunca deixava que eu tocasse.

E aquele símbolo não estava ali ontem.

Voltei para dentro com o coração disparado.

Subi as escadas sem pensar. Quando passei pelo corredor do segundo andar, parei ao escutar vozes conhecidas.

A porta do escritório estava entreaberta. E eu ouvi.

Victor.

"Você sabe o que fez, meu Alfa. Marcou uma humana. A alcateia inteira já sabe dos boatos de que vocês estão juntos."

Silêncio.

"Foi só instinto. Perdi o controle por um momento, só isso." A voz dele era baixa. Quase fria.

"Você sente algo por ela, não sente?"

Mais silêncio.

"Não me faça essa pergunta, Victor."

"Se sente, precisa admitir. Pelo bem dela. Ou termina logo com isso."

Então veio a frase. A que destruiu o pouco que ainda estava inteiro dentro de mim.

"A verdade, é que sentimento não torna um Alfa mais forte. Só o deixa vulnerável."

Fui embora antes que me ouvissem.

Cada degrau parecia mais pesado. Mais cruel.

Engoli o seco.

Enxuguei o rosto com raiva.

Por que eu sempre esperava demais?

Fechei os olhos, mas a imagem veio fácil demais: Zion. O vestido branco que já estava guardado. A humilhação. O abandono.

Ele me traiu quando eu estava prestes a dar o maior passo da minha vida, e como se não bastasse,arrancou tudo de mim, pedaço por pedaço.

E agora Damon. Um lobo. Um alfa.

Um homem que me tomou como se fosse minha única chance... e depois descartou tudo com duas frases.

Eu devia ter aprendido. Amor não é seguro. Nunca foi. Pelo menos para mim.

E eu fui tola em achar que haveria uma segunda chance.

Me levantei, respirei fundo, e desci.

A cozinha ainda tinha cheiro de café. Peguei os ovos. O pão. Preparei tudo em silêncio. Calei o grito dentro de mim cozinhando — era assim que eu sobrevivia.

Trabalhar. Seguir. Fingir.

O som da porta se abrindo me fez parar por um segundo.

Damon entrou. Roupas escuras e olhos intensos como sempre.

Ele ficou me observando por um instante, depois se aproximou devagar.

O homem alto, cabelos escuros, o sorriso fácil. E aqueles olhos azuis...

Não iguais aos de Damon. Mas parecidos o suficiente pra gelar a espinha.

Frio. Estratégico.

“Você de novo...” murmurei, tentando manter a postura.

Ele se sentou ao meu lado, como se fôssemos velhos conhecidos.

"Você parece decepcionada," ele disse, pegando o cardápio. "Mas ele sempre foi assim... intenso. E covarde, você é a nova namorada de Damon Thorn não?"

Meu corpo ficou tenso.

"Você fala como se conhecesse ele muito bem. Afinal, quem é você e porque diabos está me seguindo?"

Ele sorriu, sem pressa.

"Conheço ele muito bem, e não estou te seguindo. Prazer, sou o primo dele. Eric."

O nome me atingiu como um tapa.

Eu já ouvi esse nome mencionado por Damon, só não lembrava exatamente em que circustâncias.

Fiquei em silêncio. Meus dedos apertaram o copo.

"Relaxa," ele disse, com um sorriso enviesado. "Só achei curioso ver você por aqui. As histórias correm rápido nessa cidade, senhorita Hart."

Meus olhos se estreitaram.

"Como sabe meu nome?"

Ele apenas ergueu a sobrancelha, como se fosse óbvio.

E antes que eu pudesse exigir uma resposta, meu celular vibrou no balcão.

Número desconhecido.

Uma única frase:

"Você vai queimar junto com ele."

O gelo do copo estalou.

E meu mundo também.

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