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MARCADA ACIDENTALMENTE PELO LYCAN romance Capítulo 1

POV: AYLA

Sabia que aquele dia nunca seria fácil.

Mas não imaginava que ia se transformar no pior de todos, de novo.

— Seja uma boa subordinada e abra as pernas para mim — sussurrou meu chefe em meu ouvido, com o bafo quente e azedo de cigarro velho e uísque barato. — Não vai querer ser demitida no seu grande dia, vai, docinho?

Debaixo da mesa, a mão gorda e úmida do meu chefe subia por minha coxa, pegajoso, lento e possessivo. Seus dedos grossos apertavam a minha carne, em movimentos circulares, forçando o caminho para dentro da saia, roçando a ponta dos dedos na borda da calcinha.

Maldito velho nojento!

Agarrei o punho dele com força, cravando as unhas na pele flácida.

— Para com isso, Sr. Ronildo! — Minha voz saiu alta, tremendo de raiva. — Isso é assédio. Me solta agora ou eu vou direto para o RH!

Ele riu baixo, sem tirar a mão.

— Ah, vamos lá… Não precisa fingir que não quer. Eu sei que você gosta quando te toco. — Os dedos apertaram mais forte. — Pensei que quisesse aquela promoção. Não foi por isso que veio até a minha sala ontem?

Minha mão voou antes que eu pudesse pensar. O tapa estalou seco, alto, ecoando pela sala inteira. A cabeça dele virou com violência, a marca vermelha dos meus dedos surgiu na bochecha gorducha. Ele levou a mão ao rosto, olhos escurecendo de ódio puro.

— Você me bateu, sua vadia insolente? — A voz saiu baixa, perigosa, quase um rosnado. — Eu sou o seu chefe!

Me levantei com tudo, com as pernas tremulas, a mão ainda erguida no ar, ardendo.

— Acha que eu vim até aqui para me vender por uma promoção? — O encarei de frente, meu peito subia e descia rápido. — O que você pensa que eu sou?

— Uma estagiaria que não sabe o seu lugar! — ele anunciou, erguendo o queixo com arrogância, ajustando a gravata que mal fechava no pescoço. — Você está demitida!

— Cretino… — Cuspir ao sair.

Juntei tudo na caixa com mãos trêmulas, meus olhos caíram no porta-retratos no topo: minha família sorrindo, apertei contra o peito, sentindo o nó se formar na garganta.

— Que saudade… — A palavra escapou baixa, quase inaudível.

Puxei o celular, digitando uma mensagem rápida ao meu namorado:

“Amor, acabei de ser demitida. Justamente hoje. Parece que sou amaldiçoada mesmo nesta data.”

Dois risquinhos azuis e nada de resposta.

“Ei, hoje ainda tá de pé? Aquele bar de karaokê que eu amo…”

Nada.

“Matt, eu realmente preciso de você hoje. É importante.”

Doze minutos depois:

“Desculpa amor, tô atolado de serviço. A gente marca outro dia, tá? Te amo.”

Encarei as palavras na tela, sentindo as lagrimas escorrerem quentes por minha face e pigarem no display, borrando a mensagem.

— Outro dia? — mordi o lábio até sentir gosto de sangue. — Mas hoje é meu aniversário… e aquele dia…

O celular vibrou de novo, meu coração deu um pulo idiota de esperança, abrir sem olhar o remetente.

— Me perdoem por ter sobrevivido!

Chorei até a garganta doer, até não sobrar mais ar, até silenciar a sensação de estar tão perdida. O vento soprava contra meus fios desgrenhados, gelando minha face molhada, trazendo consigo um aroma terroso, inspirei fundo, virando nariz em direção ao cheiro.

Então vi a silhueta.

Um homem alto, curvado contra a grade, a mão pressionando a lateral da barriga, havia sangue escorrendo entre os dedos, sua respiração vinha pesada, irregular.

— Ei! Você… tá bem? — Chamei, a voz rouca de tanto chorar, me aproximei devagar. — Não fica tão perto do parapeito, você pode escorregar, é perigoso.

Ele não respondeu, lentamente ergueu o rosto em minha direção, seus olhos terrosos se fixaram nos meus, tão profundos, cintilando algo selvagem no fundo, que me prendaram.

— Você... — Cheguei mais perto. — Precisa de ajuda?

— Por que você tá tão triste? — perguntou, com a voz baixa e rouca de dor.

Antes que eu respondesse, as pernas dele cederam, seu corpo tombou para frente.

— Não! — Corri, agarrei o braço dele.

O peso me puxou junto, caímos da ponte, no ar, ele girou o corpo com força, me envolveu nos braços, apertando contra o peito duro.

Só sentir o impacto contra a água fria, como se mil agulhas infiltrassem em meus pulmões, rasgando, ardendo.

A Correnteza nos arrastava impiedosa, a água invadia minha boca, o nariz, os ouvidos, me arrastando para escuridão total.

Quem era este homem? Será que a Deusa o enviou para cobrar sua dívida?

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