Artemísia
Uma semana depois.
É estranhamente gratificante ver algo que lutei para erguer finalmente encontrar seu destino. Observo o sorriso do sexto casal destinado diante de mim, no quarto que, aos poucos, se transformou em um escritório improvisado.
— Vocês não imaginam o quanto me alegra vê-los aqui hoje. — Entreguei os contratos às fêmeas. — Caso precisem de qualquer alteração, meu número está no contrato.
A pequena ômega, corada, pegou o papel com mãos delicadas, enquanto buscava o olhar do Alfa, que a mantinha junto a si, a mão firme em sua cintura, como se ela fosse algo precioso demais para ser solta, ou como se temesse que desaparecesse como fumaça.
Quando eles saem, envio a novidade para Gustavo. Ele já havia mandado um psicólogo lupino à cadeia para avaliar quais lobos poderiam sair e procurar suas parceiras sem colocar ninguém daqui em risco.
Ao que parece, alguns ainda vão precisar de treinamento. Caso contrário, são capazes de encontrar uma ômega destinada, jogá-la nos ombros e desaparecer mata adentro.
Pode parecer estúpido para quem está de fora… mas esse é exatamente o nível de loucura dos machos de lá.
— Oi, posso entrar? — Vanessa bateu à porta com suavidade.
Mesmo parecendo frágil por ser humana, ela havia se tornado o elo de toda a família. Sua sagacidade a transformou na cola que unia todos, quase como um mascote: pequeno, aparentemente delicado, mas indispensável.
— Claro, Vanessa. — Ela colocou uma xícara com sua bebida favorita: café. Segundo ela serve para todas as horas e começou a me viciar também.
— Parabéns, cunhada, bom ver que está tudo dando certo.
— Só vou saber se realmente deu certo quando elas estiverem seguras com seus filhotes nos colos.
— Tem medo de não dar certo na hora do parto de Liliane também? É por isso dessa cara emburrada? — Vanessa vai direto ao ponto.
— Eu não estou emburrada. — Falo, tentando relaxar o rosto que já se fechava.
— Ah, então muito bom saber. Preciso de companhia hoje: quero levar Liliane a todas as lojas daqui, comprar bolsas, sapatos, perfumes e roupas típicas, mas que sejam à altura de uma Luna.
Ela sorri, e há algo na expressão dela que me desarma.
— Escuta, Liliane se sente culpada pelo que houve, Felipe também. Ouvi Aquiles se culpando em uma conversa com a mãe. Aparentemente, a aura dele está… assassina, embora essa parte eu ainda não entenda direito.
— É sério?
— Sim. Não pode seguir assim. Você precisa relaxar um pouco. — A risada dela me deixa leve.
— Está bem, irei com vocês. Só alguns minutos para me trocar… Vanessa?
— Obrigada. Obrigada de verdade pelo seu cuidado esses dias.
Ela pisca um olho maroto e sai.
Me arrumo rapidamente e estou pronta para sair com as meninas.
Estamos indo em direção a mais uma loja de roupas femininas. O suspiro das meninas ao perceberem que não cabem mais nos seus habituais números é hilário.
— Vocês já viram o tamanho desta cidade? Um restaurante desse porte seria o sonho de muitas ômegas que querem independência, mas não temos estrutura corporal para guerreiras.
— Só não vou pedir uma bebida para brindar a essa ideia porque vocês ainda não podem. Eu entro com o dinheiro… e a barriga! — Falei, levantando a mão, pois já não tenho tempo para meus próprios projetos.
— Eu posso investir e atrair mais investidores. Tenho novos talentos que adorariam sair empregados da universidade. — Vanessa sorri, o olhar brilhando.
— Eu consigo as ômegas. — Mas, ao invés de sorrir, Liliane chora! Que merda! Vanessa a abraça, e eu entrego guardanapos para secar os olhos.
— Ah! Não liguem, acho que são os hormônios — ela fungou. — Nunca me imaginei dona de algo tão grande.
Ela levanta o olhar, enxugando os cantos dos olhos com o guardanapo.
— Vocês nasceram ricas, não vão entender o que estou sentindo agora.
— Oh, Liliane, não chore, não fará bem aos meus sobrinhos.
Mas Vanessa também estava chorando. O que era para ser apenas um café se transformou no planejamento do restaurante: Três Lunas Restaurante & Wine.
Voltamos animadas como garotas de escola, risadas ecoando pelo ar como há muito tempo não se ouvia. Adrian, Aquiles e Felipe nos esperavam com caras ansiosas, e realmente devem ter feito força para nos deixarem sozinhas por tanto tempo.
Voltamos animadas como garotas de escola, risadas ecoando pelo ar como há muito tempo não se ouvia. Adrian, Aquiles e Felipe nos esperavam na recepção, ansiosos, e realmente devem ter se esforçado para nos deixarem sozinhas por tanto tempo.
Felipe me encara por um instante. Um silêncio pesado cai entre nós; sinto seu olhar me percorrer, me estudando em silêncio, até que nossos olhares se encontram, carregados de algo que não precisava ser dito ; uma promessa contida, provocativa, quase impossível de ignorar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...