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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 254

Liliane

Saio da cozinha e volto para o quarto, com o pensamento fixo apenas na carona que está prestes a chegar. Vanessa mandou Aurin me buscar; segundo ela, seria mais rápido assim. Confesso que promete ser interessante… nunca voei com um híbrido antes. A ideia é que, ao chegar lá, iremos juntas às lojas. Ela quer escolher pessoalmente os jogos de berço, lençóis e cortinas para o quarto do filhote e ainda me ajudar a me orientar naquele mundo humano que nunca vi.

Aurin desce pela porta da frente e me encontro sentada nos degraus à sua espera, tamanha é minha ansiedade.

— Pronta, Liliane? — ele pergunta, com um sorriso divertido e um olhar malicioso.

Mostro o cartão que Aquiles me deu, meu passe livre.

— Prontíssima.

Aurin me pega como se eu fosse uma noiva, e sinto um impulso de susto.

— Aaa! — dou um pequeno grito.

Por segurança, seguro-me em seu pescoço e aprecio a vista deslumbrante, a brisa fresca acariciando meus cabelos.

— Não tem medo, Liliane?

— Não. Sempre te vi carregando Temi para lá e para cá. Imaginava como devia ser incrível este passeio.

Sinto a risada dele reverberar pelo corpo.

— Eu estava sendo observado… que interessante. Mas me referia ao castigo que Aquiles lhe dará por estar sem calcinha nos meus braços. Você realmente é corajosa.

— Vocês são lobos, estão cansados de ver nudez por aí. Por que a minha seria diferente? — aponto o óbvio — nem sou tão bonita assim para causar comoção.

— Se você diz… — os olhos dele se voltam para mim com um brilho diferente — …Luna.

— Eu não sou uma Luna.

— E o que é então?

Pensei por um momento.

— Eu não sei.

— Pelo que soube, Aquiles te pegou no altar. Ele não faria isso levianamente, Liliane .- Ele fala tranquilo.

Aterrissamos tão suavemente que mal percebo o momento em que tocamos o chão.

— Obrigada pela carona, Aurin. Até a volta.- desço saltitante, amei voar.

— Fico às ordens. Boas compras para vocês.

Cumprimento Vanessa, que me leva para conhecer o quarto do filhote em montagem.

— Tem dois berços que foram de Aquiles e Artemisia, entalhados por Adam. Posso enviar para você quando estiver esperando seu filho.

Olho para o berço e penso imediatamente em um filhotinho rechonchudo e loirinho ocupando-o.

— Seria muito gentil, uma grande honra, Vanessa.

Saímos de carro rumo ao shopping. Vanessa carregava uma lista interminável de compras, empolgada com cada item. Ajax foi conosco — motorista e, inevitavelmente, carregador de sacolas.

Acabei comprando algumas roupas, um celular de última geração e, bem… sendo filha da deusa, não resisti: lingeries, um relógio elegante e uma coleção de sapatos da última moda.

Lia teria um ataque se me visse aqui.

O pensamento me atinge de repente e traz junto um aperto incômodo no peito.

— Está tudo bem, Liliane?

— Está. Só lembrei da minha irmã.

— Imagino o que você está sentindo… e sei o quanto isso pesa. Já passei por algo parecido com meu pai. Mas, aos poucos, as coisas se acertam. Não é rápido nem fácil… mas acontece. Vai dar certo, você vai ver.

— Obrigada, Vanessa.

— Tenho algo que não resolve os problemas, mas ajuda a esquecer.

Ela me puxa para dentro de uma loja, e meus olhos se prendem à fachada luxuosa.

— Vanessa… eu não entro nem morta. Nem sei por onde começar aí dentro — susurro, envergonhada.

— Confia em mim?

Meu silêncio fez minha dúvida transparecer.

— Agora fiquei magoada — ela brinca.

E me deixo ser arrastada por ela. Era como atravessar para outro mundo.

Meus olhos se abrem empolgados; a luz suave reflete nos vidros, explodindo em pequenos pontos brilhantes de pura perfeição, de todas as cores.

Minha avó surge na porta, secando as mãos com um pano.

— Não se preocupe. Foi a Vanessa que o enviou. Ela precisa de alguns itens com urgência.

Bufei, contrariado, mas não quis ser rude.

— Preparem o helicóptero. Minha fêmea não volta no colo dele de jeito nenhum.

Quando chego, Aurin está lá, conversando calmamente com Adrian, como se nada tivesse acontecido.

— Onde está minha fêmea?

— Elas já saíram. Ajax foi com elas. Não tem com que se preocupar — Adrian interrompe Aurin antes que ele fale.

— E se ela fugir, Adrian? Não pensou nisso?

— Você não me avisou que ela era uma prisioneira — retruca Adrian.

Joguei a cabeça para trás e bufei, sentando-me no sofá.

— Só temos algumas coisas a acertar ainda.

Aurin ri, debochado.

— Você é tão ruim assim de cama? Porque aquela fêmea está marcada até a alma.

— Cala a boca, Aurin.

O infeliz não parece nem um pouco arrependido.

— O que te faz pensar que ela fugiria? — Adrian me olha intensamente, preocupado.

— Não pedi permissão, e ela disse que estava chateada hoje de manhã.

— Claro que não, mas ela devia ter algum motivo para estar no altar com outro. A verdade é que a escolha dela foi dele — digo, soltando o que me incomodava de uma vez.

— Não conversaram sobre isso? — Aurin pergunta, genuinamente interessado.

— Não tivemos tempo. Também não sei se estou pronto para ouvir ela me dizer que quer voltar para ele.

O celular vibrou, uma notificação atrás da outra, mostrando compras aprovadas. Vi o mesmo acontecer com Adrian e, finalmente, pude respirar aliviado ao saber onde ela estava.

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