Liliane
Temi me olha, e posso ver o espanto estampado no rosto dela; algo que raramente presenciei.
— Alaric, essa é a Luna Artemísia e seu companheiro, Felipe.
Ela me dá um sorriso hesitante. Felipe apenas inclina a cabeça para Alaric.
— Olá, Alaric.
Ela o cumprimenta, mas seus olhos voltam para mim, carregados de perguntas silenciosas.
— Meu pai me deixou a par da sua estadia na Cidade dos Ômegas. Compareça à nossa união, se ainda estiver na cidade na próxima semana.
Vi seus lábios perderem a cor. Eu sabia exatamente para onde seus pensamentos correram.
— Luna, poderíamos tomar um café amanhã? Claro… se o Alfa Felipe puder liberá-la por um tempinho.
— Tenho algumas videoconferências para fazer — ele responde com tranquilidade. — Será bom que minha Luna se distraia um pouco.
— Pela manhã, na cafeteria?
— Sim, Luna. Até amanhã.
Continuei caminhando pela beira do rio ao lado de Alaric.
— Gosta dela? — me perguntou.
— Sim. Foi um pouco embaraçoso no começo, mas ela é respeitosa, profissional… nunca a vi destratar ninguém sem motivo. Na verdade, virou uma amiga.
— Huum…
Ele suspira leve.
— Eu odiava a ideia de ter minha fêmea perto de tantos Alfas… talvez eu estivesse preocupado à toa.
O jeito carinhoso como ele disse “minha” me pegou desprevenida. E, junto com isso, veio a culpa.
Em nenhum momento pensei nele como meu. Nem agora.
Fiquei em silêncio, piscando, atordoada.
Quando chegamos em frente à minha casa, ele segurou minha mão com firmeza.
— Te vejo amanhã.
Não era um pedido. Havia um objetivo claro ali… e eu não poderia rejeitá-lo sem um bom motivo.
— Certo.
Alaric me puxou para um abraço e colou seus lábios aos meus. Correspondi, esperando — talvez inutilmente — que aquele beijo apagasse as lembranças de Aquiles.
Suas mãos deslizaram lentamente até pousarem, firmes, em cada lado do meu traseiro. Fiquei tensa.
— Isso está um pouco rápido…
— Em breve não vai haver espaço para timidez entre nós… Falta menos de uma semana para dividirmos a cama. Seria estranho continuar fingindo formalidade, não acha?
A aura suave dele me envolvia. Antes que eu conseguisse formular uma resposta, ele me beijou novamente — mais firme, mais exigente, roubando meu fôlego.
— Fique tranquila. Não vou te obrigar a nada… mas desistir não está nos meus planos.
Um sorriso ardiloso surgiu em seus lábios.
— E ele aceitou?- Temi tinha o péssimo hábito de me ler como um livro aberto. Desviei o olhar.
— Eu não dei essa chance a ele, ok? — Ela arqueou a sobrancelha. — Ele é um Alfa… é melhor manter certa distância.
— Engraçado… você não parecia com medo dele antes. Isso mudou?
Estremeci. O medo que eu tinha… era de não resistir.
— Mudou — menti, em parte. — Ver você arrancando a mão daquela loba me trouxe de volta à realidade.
— Poxa, Liliane! Você sabe que ela me provocou. Mas já que sabe como somos ciumentos… o que acha que ele faria se visse a cena de ontem?
Meu fôlego falhou. Foi como despencar de um lugar alto.
— O que você realmente quer, Temi?
Pedi um café e um mousse, tentando ganhar tempo.
— Tá bom, só vim deixar claro, Independente do que você decidir, eu continuo aqui. Você ainda tem minha amizade. — Ela deslizou a mão pela mesa, e eu a segurei. — Você sempre soube da minha situação… Eu não queria que você se envolvesse com meu irmão… que criássemos essa confusão entre nós.
Suspirei, isso me deixa aliviada.
— Eu tinha esquecido que Alfas também sofrem da síndrome da deusa… querem cuidar de tudo e todos.
Levantei os olhos para ela.
— Não precisa se preocupar comigo. Você já tem coisa demais nas mãos, Ficarei bem temi.
Ela sorriu carinhosamente.
— Mas obrigada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...