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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 231

Aquiles

Olhei para baixo e vi meio metro de grama congelada. Nem tinha percebido que havia liberado meus poderes. Já não era seguro treinar ; não queria lesionar seriamente nenhum dos guerreiros que lutaram comigo por dois anos e se tornaram meus amigos.

O problema é que minha cabeça estava dispersa, e quem tem um lobo como o meu não pode se dar ao luxo de se distrair. Saí para espairecer, e Gustavo veio no meu encalço.

— O que você quer, Gustavo? — nunca me dei ao trabalho de chamá-lo de avô. Quem não o conhece sequer acreditaria nisso pela aparência; só o chamo assim quando quero irritá-lo, como um jeito de chamar de velho.

— Só quero conversar. Já que me expulsaram do meu escritório, não tenho nada para fazer a esta hora.

— Isso é o que chamo de aposentadoria forçada. A propósito, o que diabos aconteceu para você tocar em minha irmã, a mesma que você passou tantos anos implorando para trazerem aqui?

Continuei andando, ele vindo atrás de mim. Sentei-me sob uma frondosa árvore; Gustavo se acomodou em outra, quase em frente.

— Eu me excedi, estava com a cabeça em outro lugar e perdi meu autocontrole. Culpa daquele vinho élfico que me trouxe.

Nunca tinha visto Gustavo perder o controle com facilidade; aliás, nunca o vi perder o controle alguma vez.

— Estava muito interessado no que você viu no computador da minha irmã, mas acabei de trocar. O que será que faz um lobo velho e rabugento como você perder o controle?

— O mesmo que você… ou pensa que não percebi seu lobo abanando o rabo para Liliane.

Fiquei surpreso com a sensibilidade energética do meu avô, embora não tanto quanto ele dizendo que estava interessado em alguém, já que sempre rejeitou as fêmeas que tentavam confortá-lo.

— Quem?

Ele olhou para cima, apoiou a cabeça no tronco da árvore, e seu olhar voltou-se para o meu, como se pesasse sua confiança em mim.

— O que, além de não confiar em mim para te dar herdeiros, agora também acha que sou fofoqueiro?

— Você sabe que confio que possa me dar herdeiros. O que eu não quis foi que se sentisse obrigado, como eu e seu pai fomos, ou que sua fêmea se sentisse obrigada, como a segunda companheira de Gael.

Engoli em seco. Às vezes esqueço que a história dele é bem maior que a minha.

— Ainda não respondeu, Gustavo.

Ele jogou uma pedrinha para cima, a agarrou e a esmagou na mão.

— Uma segunda chance, adolescente… Lucila

— Você está mais fodido do que eu. — falei, divertindo-me às suas custas.

— Acredite, eu sei.

Voltamos a tempo do jantar. Todos estavam à mesa, inclusive Aurin e um macho que eu não conhecia. Felipe tinha uma expressão sombria e mal tocava no prato; Lucila parecia furiosa, mirando Gustavo, que olhava para todos os cantos, menos para ela. Isso ia ser divertido. Adrian estava mais apaixonado do que no dia do casamento pela minha cunhada.

— Que milagre é esse, Aurin? Notícias da nossa mãe? — perguntei.

— Eliz e Adam estão ótimos. Adrian conferiu por ele mesmo em Arcadia.

Eu e Temi nos viramos para Adrian ao mesmo tempo. Já tinha estabelecido que tinha errado; embora Temi ainda se sentisse magoada por ter sido obrigada a se unir a Felipe, achei que ela tivesse se acostumado com a ideia, quem sabe até gostasse dele. Mas a cara insatisfeita dela me fez encolher um pouco; e parecia afetar Felipe também. Parecia que jogaram sal sobre a ferida.

— Então ela não só compareceu ao casamento do caçula favorito dela, como também o levou para Arcadia, sem sequer dar um oi aos outros filhos.

— Pare por aí, Artemísia. — Adrian franziu o cenho.

— O que veio fazer aqui, Aquiles? — ela revirou os olhos. — Se despedir de Aurin não foi…

— Vim me assegurar de que você não se pendurasse no pescoço de Aurin, como faz sempre. Agora está cheirando todo a ele? Vem aqui.

A puxei para um abraço, deixando meu cheiro junto ao de Aurin.

— Cuidando dos meus interesses ou dos de Felipe, Aquiles?

— Ambos. — respondi prontamente.

Ela se aconchegou em meu peito, como quando era pequena. Abracei-a um pouco mais.

— Não poderei dar filhos a ele, Aquiles. — disse Temi. — Isso que o curandeiro me falou.

— Que diabos, Temi…

Imagino o quanto custou a ela me falar isso.

— Terá que ser você, Aquiles. Vou dar um jeito de que as fêmeas dos machos de Garras de Gelo consigam dar a luz em segurança. Eu prometo.

Ela tremia, mas falava com uma determinação assustadora para quem conhece sua personalidade.

— Mesmo assim, você já será Luna aqui e eu serei Supremo no Sul. Não se perturbe por isso.

Seu coraçãozinho sossegou um pouco. Ela afastou o rosto do meu peito para encarar-me.

— Vô Gustavo tem uma segunda chance com Lucila. Não quer que ele possa ser pai mais uma vez e refaça sua vida com Lucila, sem a sombra da morte rondando atrás dele? Ou de você?

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