Artemísia
Pego meu celular e disco para Aurin.
— Como anda minha loba favorita? Soube que você anda arrebentando os machos de Garras de Gelo.
— Vou bem Aurin.Estou precisando de um favor...
Liliane
O celular começou a tocar, e prendi o ar nos pulmões ao ver que era minha mãe.
— Minha filha, como você está? Estou morrendo de saudades. Não vejo a hora de te abraçar. Sua irmã está preparando uma reunião com todas as amigas de vocês. Tudo que faz seus olhos brilharem estará sobre a mesa.
Fecho os olhos por um momento, sentindo o peso das expectativas.
— Obrigada, mãezinha. Depois da União, vou seguir viagem. E o pai?
— Está todo orgulhoso. Não economizou nenhum centavo no seu enxoval de acasalamento. Está a coisa mais linda.
Engulo em seco.
— Que bom que vocês estão felizes.
— Que voz desanimada é essa? Você prometeu que, quando voltasse, cumpriria o acordo com seu companheiro escolhido.
Meu peito aperta.
— Cumprir é uma coisa. Gostar é outra. Dariel não é meu companheiro escolhido pela deusa para que eu me anime.
Há um breve silêncio do outro lado.
— Eu não peço mais que isso. Quando conhecer melhor Dariel, vai se apaixonar. Ele é um lobo bonito e de ótimo caráter.
Forço um tom neutro.
— Claro, mãe. Preciso ir. Mande lembranças a todos.
— Pode deixar, minha filha.
A ligação se encerra, mas o vazio permanece.
Artemísia
Aurin chega acompanhado de um curandeiro e uma pequena mala, deixando-o diante da porta.
— Pedido devidamente entregue. — diz ele, com um sorriso orgulhoso.
— Muitíssimo obrigada — respondo, mantendo uma distância respeitosa.
Aurin arqueia uma sobrancelha, lançando-me um olhar curioso.
— Vamos entrar. Obrigada por me atender de última hora.
O curandeiro lança um breve olhar para Aurin, como se percebesse que sua presença não era exatamente opcional. Ainda assim, entra sem questionar.
— Aurin, se quiser descansar da viagem, posso levá-lo ao quarto de hóspedes. Ou prefere comer algo primeiro?
— Vou passar na cozinha e depois descanso. — Sua voz surge em minha mente pelo elo. — E quero saber todas as novidades quando terminar.
Assinto discretamente.
Deixo Aurin na sala e conduzo o curandeiro até meu quarto. Explico minha situação e entrego as receitas da médica humana.
— Posso examiná-la, Luna?
Faço um gesto afirmativo.
Tiro a roupa e me deito, abrindo as pernas. Estar nua não é um problema na minha espécie, mas ter algo dentro de mim, se movendo, sendo investigado... isso é desconfortável.
O exame termina, e me visto rapidamente.
— Então?
Ele abre a mala e retira um aparelho portátil de ultrassom.
— Não é tão avançado quanto o do meu consultório, mas deve servir.
Suas mãos são firmes e cuidadosas. Seu rosto permanece estritamente profissional.
O aparelho desliza sobre minha pele enquanto meu coração dispara, cada batida carregada de ansiedade.
Quando termina, ele limpa minha barriga e guarda o equipamento.
— Veja bem... preciso de mais exames para confirmar um diagnóstico definitivo. Mas Aurin explicou que sua União está próxima. Então lhe darei uma resposta parcial.
Eu o encaro, meu corpo inteiro em tensão.
Luna Vanessa
Cruzo os braços, encarando Adrian.
— Você não vai entrar naquele quarto comigo.
— Você vai entrar sozinha com um macho que eu nem conheço?
Reviro os olhos.
— Ele é um médico. Só quero tirar algumas dúvidas. Ciúmes têm limite.
Ele rosna baixo.
— Não é ciúme, fêmea. É possessividade. E você não vai sem mim.
Suspiro, cansada.
— Já nos vimos em situações muito mais íntimas. Por que teria vergonha de perguntar algo na sua frente?
Ele não responde, apenas me encara, irredutível.
— Venha comigo, então. Mas vai ficar quieto e de boca fechada, Adrian.
Ele dá de ombros.
— Isso eu consigo fazer.
— Seu ogro — resmungo.
Seus ouvidos de lobo se movem levemente. Ele ouviu. Apenas escolheu ignorar.
Bato na porta do quarto de Artemísia, com Adrian logo atrás de mim.
A porta se abre.
Ela nos observa, seu olhar alternando entre nós dois, e então balança a cabeça em falsa decepção.
— Eu vivi para ver Adrian, o temido, reduzido a um cachorrinho obediente que não deixa a companheira ir sozinha a um curandeiro. Agora posso morrer em paz.
Ela sorri, claramente provocando.
Enquanto entramos para nossa consulta com o curandeiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...