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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 224

Artemísia

Estava em frente ao espelho, balançando meu corpo de um lado para o outro.

— A saia dele é muito rodada… e se der um vento?

— Você segura com a mão. Esse vestido transmite simplicidade e sofisticação. — Vanessa tentou me convencer.

— Acho um pouco apertado na cintura… — murmurei, observando como ele abraçava minhas curvas, desenhando cada linha do meu corpo.

— Você por acaso vai para um convento para vestir aquele blazer senhoril? — Liliane bufou.

Já era o quinto vestido. Os outros tinham sido formais demais, apertados nos lugares errados ou decotados em excesso. Meu traseiro parecia ter criado mais vida nesses últimos dias. Devia estar inchado das t***s de Felipe.

— Você não tem uma única desculpa para não usar esse vestido.

Liliane declarou aquilo como uma sentença.

De fato, a cor vinho me favorecia. O modelo era delicado, o tecido leve, com mangas curtas que deixavam tudo equilibrado.

— E esse decote? — perguntei, insegura.

— É a parte mais linda do vestido, Luna. — Lucila apontou para o formato em coração.

— Garanto que o Felipe vai adorar a vista. E nem é tão profundo assim — Vanessa completou.

Respirei fundo.

— Certo.

Vanessa me ajudou a fazer uma trança delicada, que caía sobre meu ombro esquerdo. Coloquei brincos pequenos com pedras de ametista e um colar combinando. A maquiagem era leve, apenas o suficiente para realçar meus traços.

— E então? — perguntei ao meu esquadrão pessoal da beleza.

— Ficou ótima — disse Vanessa, avaliando com seu olhar crítico.

— Nem parece que você pode arrancar a mão de uma fêmea com uma única unhada — Liliane comentou, pensativa. — Parece tão angelical…

— Ela não fez isso… — Vanessa me olhou, espantada.

— Ah, fez sim! — Lucila rebateu, animada. — Colocou aquela sarnenta da Rayla no lugar dela. E sinceramente? Se alguém tocasse no meu macho, eu arrancaria era a garganta.

Lucila não tinha filtro algum, e talvez fosse por isso que eu a amava tanto. Sua autenticidade era tão crua quanto verdadeira.

— É assim que se fala, Lucila! E vocês duas precisam aprender a se impor, ou essas caçadoras de Alfa vão passar por cima de vocês.

Comecei a sair antes que me atrasasse.

— Vamos querer saber de tudo quando voltar! — Vanessa gritou, sua voz me alcançando quase no meio do corredor.

— Certo, meninas!

Ainda sentia uma leve apreensão por deixar Liliane sozinha, com Aquiles rondando. Mas seriam apenas algumas horas. O que poderia dar errado?

Desci as escadas, e o olhar de Felipe brilhou ao me encontrar. Ele me devorava com os olhos, sem pudor.

Fiz uma nota mental de agradecer às meninas depois.

— O dia em que você decidiu me dar a segunda mordida por vontade própria, achei que era a loba mais poderosa que eu já tinha visto — ele disse, a voz baixa e quente. — Hoje descubro que também é a mais sexy.

— Obrigada… — senti o calor subir pelas minhas bochechas.

Seus olhos esverdeados tinham um brilho diferente. A covinha em seu queixo suavizava a dureza de seu porte de guerreiro de quase dois metros.

Ele vestia uma camisa azul e calça preta. Os músculos sob o tecido chamavam minha atenção de forma quase indecente.

— Você também não está nada mal.

Começamos a caminhar em direção à casa dele.

— E então, você providenciou seu tratamento íntimo?

Olhei para ele, incrédula.

Será que ele não pensava em outra coisa além de foder meu traseiro?

— Já. Vanessa me ajudou. Ela conhece uma sexóloga.

Ele se aproximou mais.

— Eu me referia a uma curandeira lupina, carinho.

Seu braço envolveu minha cintura, e meu corpo respondeu instintivamente, se aconchegando ao dele.

— Eu não conheço ninguém aqui… e não quis chamar a única curandeira do Sul só para isso.

— Existem boas curandeiras no Norte, por causa da universidade. Podemos ir depois da nossa cerimônia de união.

Assenti.

— A curandeira daqui saiu em busca do companheiro. Estou tentando encontrar outra, mas… nossa reputação não ajuda.

— Ela vai voltar — falei com convicção. — Assim como muitas outras. Não precisamos ter pressa.

Felipe me olhou sem acreditar completamente em minhas palavras.

— Pai! Pai! A Luna que arrancou a mão da Rayla está aqui!

Ela saiu correndo.

Felipe foi atrás e voltou com a menina, que resistia.

— Essa é minha sobrinha, Kami.

A pequena rechonchuda me olhava com puro terror.

— Kami, essa é Artemísia. Sua Luna… e sua tia.

Ela franziu o cenho… e mostrou a língua.

— Kami! — Felipe repreendeu. — Ela ficou impressionada, só isso, Temi.

Sorri suavemente.

— Claro. Coisas de filhote.

— Vou buscar seu pai. Comporte-se, Kami.

Assim que ele saiu, a pestinha cruzou os braços.

— Eu gosto mais da tia Rayla.

Me abaixei até ficar na altura dela.

— Se eu ver sua língua de fora de novo… ela vai fazer companhia à mão dela.

Os olhos dela arregalaram. A pequena mão cobriu a boca imediatamente.

Felipe voltou, acompanhado de sua mãe e três lobos que tinham covinhas idênticas às dele.

Sua mãe me analisou com discrição. Já os três atrás dela me observavam com surpresa descarada.

— Eu disse que ela não tinha defeito nenhum — Felipe declarou, orgulhoso, segurando minha cintura.

— Eu ganhei a aposta — um deles disse. — Ela só não queria olhar para essa cara feia.

Dinheiro começou a trocar de mãos.

— Não deveriam falar assim — falei calmamente. — Afinal, em poucos dias, ele será o Alfa de vocês.

Felipe estendeu a mão, e os três depositaram mais notas nela, resignados.

Tenho até medo de imaginar o que apostaram.

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