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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 222

Liliane

A Luna saiu para um jantar em família com o Beta. Lucila foi organizar alguns afazeres, e LunaVanessa não saiu do quarto com o Supremo.

Mordi o lado da bochecha, pensando no que faria se Aquiles realmente se mostrasse meu companheiro.

Desci as escadas e estranhei que nem mesmo o Alfa Gustavo tivesse descido para o jantar naquela noite.

Apenas Aquiles me esperava.

Sua altura imponente dominava o ambiente. Os cabelos levemente bagunçados davam a ele um ar perigosamente atraente. Sua presença era tão forte que eu a sentia como uma corrente elétrica atravessando o ar.

Seus olhos, que à primeira vista poderiam parecer frios, confidenciavam uma tempestade silenciosa. Um traço de sorriso se formava em seus lábios.

Nós dois sabíamos o que sempre acabava acontecendo quando ficávamos sozinhos.

Demorei alguns segundos até reunir coragem para me sentar à sua frente.

— É sempre assim, os treinos dos Alfas?— tentei um tema seguro.

Observei seu rosto simetricamente perfeito.

— Gosto de pensar que sim, principalmente quando eu ganho. — Ele se serviu com tranquilidade. — Como são os treinos dos ômegas?

— Não fui a muitos. Meu pai me levou a alguns, e o foco era discrição e eficiência. Como convém aos ômegas.

— Nenhuma surpresa — ele disse.

Passei a olhar para o prato, como se não houvesse nada mais importante.

Algo em seu tom havia mudado. Ele parecia mais distante. Mais polido.

— Não gostamos muito de surpresas. Poucas das que os Alfas deixam para os ômegas são boas.

Soltei um suspiro silencioso.

Aquiles era absurdamente lindo.

Se ele realmente fosse meu companheiro… seria pedir demais que minha família não me expulsasse por quebrar regras escritas por algum ancestral centenas de anos atrás?

— A comida não está do seu agrado?

E ele ainda precisava ser tão atencioso e educado?

— Ótima. Estou sem fome, só isso.

Ele me olhou como quem estava prestes a compartilhar um segredo, e aquele sorriso surgiu novamente.

— Que tal fazermos alguns lanches e assistirmos a uma daquelas séries que você ama?

Meu ânimo melhorou consideravelmente.

— Com açaí e guloseimas em cima?

Ele sorriu.

— Com tudo o que você quiser.

Esperei que terminasse o jantar e fui praticamente assaltar a despensa, que parecia um pequeno mercado de tão bem abastecida.

Minha mãe ficaria louca vendo isso, parece coisa de filme.

— Você tem uma sala de cinema na sua casa? — perguntei, animada.

Sua voz saiu baixa. Rouca.

— Você me quer, não quer?

Se ele soubesse o quanto…me concentrei na resposta correta, que eu já tinha falado mil vezes no espelho, para parecer segura. Convincente o suficiente para ele recuar.

— Você e eu sabemos que vivemos em mundos muito diferentes, Aquiles. Você tem suas obrigações como Alfa… e minha família tem expectativas.

Minha visão ficou turva.

Ele se aproximou um pouco mais.

— Pouco me importam as responsabilidades e as expectativas dos outros, Liliane. — Sua voz era firme. Inabalável. — Eu quero saber se você me quer. Porque eu quero você.

Minha respiração falhou. Ele embaralhou minha cabeça todinha.

— Eu quero seu sorriso… seu bom humor… suas mãos de fada na cozinha.

Seu polegar acariciou minha pele, enviando ondas de calor por todo meu corpo.

— Não me importaria se você fosse uma fada, uma humana ou uma bruxa.

Meu coração parou.

Liliane… e agora?

Contar ou não a verdade?

Engoli em seco sob o peso do olhar escrutinador dele.

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