Liliane
Eu me agarrei a um último resquício de sanidade. Havia uma corda invisível e inegável me puxando para Aquiles. Subi a calcinha, tentando recuperar o mínimo de dignidade possível. O olhar dele, insuportavelmente faminto por mais, dizia tudo; ainda bem que não ousava colocar em palavras. Eu não resistiria.
— Arrependida?
Ele também ajeitava a própria roupa.
— Pelo contrário, Aquiles. Tenho certeza de que adoraria passar a noite inteira trocando carinhos com você. Mas seria errado. Você sabe.
Vi seu maxilar travar, o olhar mudar.
— Então me deixe marcar você como minha escolhida agora. Diga sim para mim.
Levantei-me em silêncio e fui até a porta, abrindo-a com cuidado.
— Me deixe pensar, Aquiles.
Ele me observou em silêncio. Sua mão se ergueu para me tocar, mas parou no meio do caminho.
Puxei sua camisa e fiquei na ponta dos pés para alcançar sua boca. Ainda não era suficiente; ele me alcançou no meio do caminho, tocando meus lábios.
— Por quê?
Sua voz saiu baixa, rouca e suplicante. Eu sabia exatamente o que ele queria. E eu… queria muito ceder. Mas isso não duraria se não fôssemos companheiros destinados. E se, de repente, alguém surgisse entre nós?
— Eu não disse não. Disse que vou pensar.
— Está bem. — ele me deu outro beijo—Eu vou aguardar.
Aquiles foi embora. E eu peguei minha sobremesa de volta.
Sentei no sofá, ainda envolta pelo cheiro dele, liguei a televisão e comecei a assistir a uma série antiga sobre dois vampiros que se apaixonavam pela mesma fada, com uma amiga bruxa. Tenho certeza de que não foi um humano que escreveu aquele roteiro.
Eu ainda assistia quando a porta se abriu de repente. Aquiles entrou com um ar irritado, os olhos incandescentes.
— Você nos pertence! Não pode negar o que é nosso! — a voz do lobo dele tentou me submeter à sua vontade. — Está brincando com a gente.
Que eu não me importo nem um pouco que falem de mim. Nem tão pouco me importo as atrocidades que falam dele.
Quando largo o turno da tarde, saio da escola e dou de cara com Aquiles me esperando. Não consigo conter o olhar que o devora ali mesmo, na frente de todos.
— Oi, Liliane. Como foi seu dia?
A pergunta parecia inocente, mas seu rosto denunciava que ele dormira tão pouco quanto eu.
Minha vontade era responder que faltava ele na minha cama para saciar meu desejo.
— Bem, Aquiles. E o seu? Soube que você será o próximo alfa dessa matilha. Parabéns.
— Tecnicamente estou sendo rebaixado… mas fico feliz em te ver todos os dias daqui para frente.
Acho que meu coração errou uma batida.
Como vou resistir as investidas dele todos os dias?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...