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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 143

Adrian

— A fêmea acordou e foi levada para a sala de cirurgia, como o senhor instruiu, Alfa.

— Certo. Como ela está?

— Fisicamente, ficará bem.

Respirei fundo. As engrenagens giravam na minha mente. Minha companheira era humana — e estava quebrada. Se não tivesse passado por tudo aquilo, seria simples: eu a submeteria até que o corpo dela só se lembrasse de mim. Até que desejasse meu toque.

Mas isso a colocaria em pânico. E esse não era meu objetivo.

Algumas horas se passaram enquanto eu pensava nisso, até despertar com meu Beta chamando pelo elo mental.

— Alfa, a humana deixou um número para contato com uma enfermeira que não é nossa. Ela chamou o pai. Ele está na recepção querendo vê-la.

Estávamos em um hospital fora do meu território. Apesar de eu ter lobos trabalhando ali, impedir um pai de ver a própria filha seria trabalhoso demais.

— Ela acordou?

— Sim, mas humanos demoram mais para se recuperar da anestesia.

— Preciso falar com ela antes que fale com o pai.

— Providenciarei.

Duas horas depois, fui levado ao quarto.

Meu olhar percorreu o rosto enfaixado. As partes visíveis estavam vermelhas e arroxeadas; os lábios, machucados e inchados. Aquilo me partiu o coração.

Aproximei-me da prancheta ao lado da cama e li seu nome.

— Vanessa, eu sou Adrian. Temos um pequeno problema aqui. Você me viu. Sabe quem eu sou. E isso é complicado. Você entende, não entende?

Ela fechou os olhos por alguns segundos, ponderando. Garota inteligente.

— Sim. Eu não contarei a ninguém. Prometo. Você salvou minha vida.

Eu sabia que ela era sincera. Ainda assim, antes de tudo, eu era um Alfa.

— Sinto muito, pela experiência com o meu povo,

isso não funciona assim. Você ficará ao meu lado a partir de agora por precaução.

Respirei fundo e contei o ocorrido aos pedaços. Menti. Disse que o lobo atacara Gabriel e que, por isso, eu havia escapado.

— Vou investigar a fundo o que houve. Quando estivermos em casa…

— Pai, eu não vou voltar agora. Não quero enfrentar olhares nem fofocas. Vou viajar por um tempo.

Ele cedeu. Viajar sempre fora algo natural na nossa família.

— Viaje pelo tempo que precisar para esquecer tudo isso.

Ele me abraçou como se eu ainda fosse criança e passou a noite ali comigo.

Pela manhã, nos despedimos. Ele seguiu com a própria vida; havia casos urgentes à espera. Deu-me inúmeras recomendações, e prometi segui-las.

Quando ele saiu, Adrian entrou no quarto.

— Vamos, Vanessa?

Organizei-me como pude. A cabeça martelava de dor enquanto eu o seguia. Observei suas costas largas e a altura que facilmente passava de um metro e oitenta.

Seguimos por cerca de dez minutos de carro. Encostei a cabeça e fechei os olhos até chegarmos a uma pista particular, onde um jato nos aguardava.

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