Adrian
— A fêmea acordou e foi levada para a sala de cirurgia, como o senhor instruiu, Alfa.
— Certo. Como ela está?
— Fisicamente, ficará bem.
Respirei fundo. As engrenagens giravam na minha mente. Minha companheira era humana — e estava quebrada. Se não tivesse passado por tudo aquilo, seria simples: eu a submeteria até que o corpo dela só se lembrasse de mim. Até que desejasse meu toque.
Mas isso a colocaria em pânico. E esse não era meu objetivo.
Algumas horas se passaram enquanto eu pensava nisso, até despertar com meu Beta chamando pelo elo mental.
— Alfa, a humana deixou um número para contato com uma enfermeira que não é nossa. Ela chamou o pai. Ele está na recepção querendo vê-la.
Estávamos em um hospital fora do meu território. Apesar de eu ter lobos trabalhando ali, impedir um pai de ver a própria filha seria trabalhoso demais.
— Ela acordou?
— Sim, mas humanos demoram mais para se recuperar da anestesia.
— Preciso falar com ela antes que fale com o pai.
— Providenciarei.
Duas horas depois, fui levado ao quarto.
Meu olhar percorreu o rosto enfaixado. As partes visíveis estavam vermelhas e arroxeadas; os lábios, machucados e inchados. Aquilo me partiu o coração.
Aproximei-me da prancheta ao lado da cama e li seu nome.
— Vanessa, eu sou Adrian. Temos um pequeno problema aqui. Você me viu. Sabe quem eu sou. E isso é complicado. Você entende, não entende?
Ela fechou os olhos por alguns segundos, ponderando. Garota inteligente.
— Sim. Eu não contarei a ninguém. Prometo. Você salvou minha vida.
Eu sabia que ela era sincera. Ainda assim, antes de tudo, eu era um Alfa.
— Sinto muito, pela experiência com o meu povo,
isso não funciona assim. Você ficará ao meu lado a partir de agora por precaução.
Respirei fundo e contei o ocorrido aos pedaços. Menti. Disse que o lobo atacara Gabriel e que, por isso, eu havia escapado.
— Vou investigar a fundo o que houve. Quando estivermos em casa…
— Pai, eu não vou voltar agora. Não quero enfrentar olhares nem fofocas. Vou viajar por um tempo.
Ele cedeu. Viajar sempre fora algo natural na nossa família.
— Viaje pelo tempo que precisar para esquecer tudo isso.
Ele me abraçou como se eu ainda fosse criança e passou a noite ali comigo.
Pela manhã, nos despedimos. Ele seguiu com a própria vida; havia casos urgentes à espera. Deu-me inúmeras recomendações, e prometi segui-las.
Quando ele saiu, Adrian entrou no quarto.
— Vamos, Vanessa?
Organizei-me como pude. A cabeça martelava de dor enquanto eu o seguia. Observei suas costas largas e a altura que facilmente passava de um metro e oitenta.
Seguimos por cerca de dez minutos de carro. Encostei a cabeça e fechei os olhos até chegarmos a uma pista particular, onde um jato nos aguardava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...