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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 141

Vanessa Bragança

Meu noivo, Gabriel Santos, conseguiu o cargo mais desejado no grupo Queiroz Guimarães, um dos maiores do ramo de construção no país. Ele não vem de família influente como a minha, mas meu pai — um desembargador muito respeitado — viu o quanto Gabriel me faz bem e o esforço dele para chegar onde chegou. Tenho tanto orgulho: do meu pai por aceitá-lo, como de Gabriel, pela dedicação e méritos próprios.

Escolhi um vestido envelope com pequenas flores e decote em V; destacou minha cintura e disfarçou o bumbum avantajado. Meus seios sempre chamam atenção, não serviria para modelo, mas sou do tipo que os homens não esquecem. Saí de casa rumo ao prédio onde ele trabalha. Moro sozinha desde os dezesseis; minha família sempre incentivou a independência — viajar, conhecer o mundo antes de se firmar. Eu e Gabriel combinávamos em tudo: três filhos, uma casinha, um cachorro. Até gostos musicais e culinários batem — por isso cada conquista dele me enche de alegria.

Passei na confeitaria e comprei baklavas — nosso doce preferido. No prédio, a recepcionista já me conhecia; entro ali há três anos. Segurei a caixinha com um lacinho na mão e tentei pegar o celular na bolsa para avisar da minha chegada. O celular estava coberto por uma agenda; ao tentar puxar, quase derrubei a caixa. Pensei: se eu aparecer sem avisar, não será tão rude, né? Ele sabe que não costumo invadir privacidade.

No corredor da sala dele, a mesa da secretária ficava vazia por um instante — até que ela empalideceu ao me ver.

— Se... senhorita Vanessa, o senhor Gabriel Santos está em reunião — gaguejou.

Sou jovem, mas sou Bragança. Cresci aprendendo a ler expressões; isso é quase um hobby. Meu coração acelerou; senti um gelo subir pelas pernas. A secretária tirou o telefone para avisá-lo; eu impedi, segurando a mão dela com firmeza e, sem hesitar, joguei a caixa de doces no lixo.

— Eu te pago cinquenta mil para não ligar — disse, séria.

Ela olhou para a porta, nervosa, mas hesitou apenas um segundo. Virou o celular para mim com a tela do QR code; transferi na hora. Ouvi sussurros atrás da porta. Quis manter a elegância, mas a curiosidade me corroía: quem estaria com ele? Estranha? Conhecida? Bonita?

Encostei o rosto à porta e enviei uma mensagem como sempre fazia. Ouvi o bip do celular quando a mensagem chegou.

— Porra! A vadia está subindo. Vista a roupa e sai! — ouvi a voz de Gabriel, dura como nunca.

— Quando você vai se livrar dessa vadia?

— O suficiente, Gabriel Santos. Saiba que minha família vai varrer você para debaixo da ponte.

O elevador abriu. Ele me segurou pelo braço. Dei um chute certeiro. Meu sapato ficou preso; corri para a rua, mas ele gritou ao motorista:

— Segure ela!

Quando percebi que estava cercada, a raiva tomou conta. Desferi socos e pontapés, mas os dois homens se juntaram e me dominaram. Jogaram-me dentro do carro. Eu gritei:

— O que você quer comigo, Gabriel?

Seu rosto se transformou em uma máscara fria.

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