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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 135

Eliz

Ania começou a colocar mais força para fechar a abertura mágica; o suor escorria na testa e o corpo tremia, até que cerrou o vórtice — o braço de Caspian caiu aos nossos pés, ainda se mexendo. Engoli em seco: não era bem assim que eu tinha planejado.

Olhei a fêmea correr com Kaia nos braços pelo pátio do abrigo sobrenatural. Uma brisa fresca e confortável me envolveu; creio que a deusa abençoou a minha decisão de salvá-la.

Levaram-na para dentro a fim de banhá-la e medicá-la, enquanto eu explicava à bruxa Gladis o que havia acontecido.

— E você foi buscá-la assim? — ela disse, passeando a mão com as longas unhas vermelhas pela minha barriga grande e pesada, arqueando uma das sobrancelhas bem delineadas, com um sorriso de canto típico de bruxa.

— Ania estava ao meu lado. No máximo arrumamos mais um inimigo. Nada que já não tenhamos aos montes.

— Hum, entendo. — O olhar dela foi direto a Ania. Bruxas e fadas não são exatamente amigas, mas as duas haviam melhorado bastante a relação e, vez ou outra, faziam favores uma à outra.

— Quando Adam souber o que você aprontou, Eliz, ele vai te amarrar na cama até esse filhote nascer. E eu vou ajudar a dar os nós.

Ania estreitou os olhos, cruzou os braços e a voz baixou alguns tons. Parecia uma menina fazendo birra. Isso não era bom para mim: as fadas, às vezes, são vingativas.

Dei meu melhor sorriso, tentando convencer-a a me perdoar pelo risco — que para ela fora desnecessário. Duvido, porém, que Kaia pense o mesmo. Uma dor conhecida veio, não igual à do parto dos gêmeos, mas uma dor que tomou conta de toda a minha lombar.

— Eu não caio no seu truque — Ania falou, desacreditada. Apertei as pernas ao sentir um líquido morno escorrer; tentei segurá-lo, mas logo o vi escorrendo pelas minhas pernas.

— Oh! Pela deusa. — As duas se puseram ao meu lado. — Eu já disse que você não deveria ter emoções fortes nesses dias.

Ania me amparou e ralhou ao mesmo tempo.

A dor apertou; parei no meio do caminho esperando que passasse.

— Traga Adam, Ania.

Ela me olhou séria, dividida entre chamar Adam e me ajudar.

— Gladis me ajudará. Vá.

Ela abriu o vórtice com a mão que não me segurava.

— Voltarei o mais rápido que puder.

— Não se preocupe, fada. Já coloquei muitos filhotes no mundo; garanto que ela ficará bem.

Ania pulou dentro do vórtice, que se fechou.

Levantei-me da cama, agarrei o dossel e, numa dor forte, comecei a empurrar.

— As contrações chegaram. Vamos, Eliz, empurre.

Chorava, gritava, uivava; já tinha andado por todo o quarto em agonia. Voltei a deitar-me.

As contrações vinham agora muito rápidas.

— Já vejo a cabecinha dele saindo. Ao invés de gritar feche a boca e ponha força, para ele não subir de novo.

Até tentei fazer como ela pediu. Falhei.

Dei um grito tão alto que acho que deixei Gladis surda.

Uma dor que parecia partir-me ao meio atravessou-me. Vi Gladis segurando Adrian. Meu corpo tremia e doía; um frio me tomou, minha garganta queimava. Embora estivesse em cacos, ao olhar aquele filhote minha alma sentiu paz. Senti tanto amor que nada mais importava no mundo.

— Você está ótima e seu filho esbanja saúde. Só vou retirar a placenta; aguenta só mais um pouco.

O choro forte cessou imediatamente quando Adrian foi colocado em meus braços. Obrigada, Selene. Eu estou bem e, com meu filho nos braços, um alívio me envolveu, enquanto eu conhecia o meu novo cheiro favorito.

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