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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 123

Luna Vanessa

Meu Deus… como tudo pode mudar do paraíso para o caos em questão de segundos?

— Senhora, todos os lobos já foram acomodados?

A mulher piscou algumas vezes, me encarando como se eu tivesse feito algo errado… que deselegante.

— Sim, estão todos com jogos de cama e toalhas limpas, humana.

Ela pronunciou “humana” com dificuldade, como se não estivesse acostumada ao termo.

— Tivemos um contratempo: três alfas não jantaram. Quero que as refeições deles fiquem separadas. Irei buscá-las assim que chegarem.

A mulher se inclinou sobre o balcão, observando minha mordida com atenção.

— Uma parideira do Alfa, é isso? — murmurou desconfiada, olhando de um lado para o outro. Que pergunta fora do comum.

— Sim, estou carregando um filho dele.

A mulher arregalou os olhos, tomada pelo desespero.

— Pobrezinha… quer que eu te ajude a fugir?

Com a chegada do pai de Adrian, a mulher se encolheu inteira diante de seu porte imponente e logo desapareceu da recepção.

— Venha. — Ele segurou a bandeja com gentileza, ajudando-me a subir. Entendi o motivo do cuidado extra dos machos após o que ocorreu com Temi. — Sabe, Vanessa, o que significa ser uma parideira?

Algo na maneira como fala, na suavidade e firmeza de suas palavras, faz com que eu me sinta pequena, como uma garotinha insegura diante de um mundo maior do que consigo compreender.

— Uma mulher prestes a dar à luz, ou, como vocês costumam dizer, uma fêmea, carregando em si a vida que ainda está por vir.

Respondi o óbvio, sem compreender completamente o que a pergunta realmente queria, quase como se estivesse adivinhando o que esperavam de mim.

— Errado. No nosso mundo, uma parideira não é apenas uma fêmea comum. É alguém reservada exclusivamente para gerar filhos de um macho, para lhe dar herdeiros que ele deseja, mas que não podem ser fruto do vínculo com sua Luna. Não há espaço para amor, afeto ou escolha; o único interesse está nos filhotes que carregam. Muitas dessas fêmeas não conseguem sequer cuidar de seus próprios filhos, tornando-se sombras de mães, marcadas pela servidão de suas próprias vidas, destinadas apenas a perpetuar sangue que não é seu.

Congelei instantaneamente, cada músculo do meu corpo se recusando a se mover, enquanto a realidade do que eu havia dito me atingiu.

— Vou explicar tudo a ela quando a vir outra vez. — Falei sem firmeza, quase envergonhada, enquanto ele me entregava a bandeja de volta, como se nada tivesse acontecido.

— Estou orgulhoso, mais do que palavras podem expressar, da Luna que meu filho recebeu da deusa: inteligente, perspicaz e forte, uma verdadeira bênção que ilumina nossa família.

— Cansada, mas preciso me levantar daqui. — Ela olha ao redor, querendo que eu a ajude.

— Hum… eu não vou ajudar nessa loucura.

— Vanessa, eu dei mais de três anos para chegar onde estou agora. Os outros não me entendem, mas você é humana, sei que tem o coração mais sensível, me ajude. — Ela sussurra, e eu me encolho.

— Do que precisa?

— Chame Liliane aqui, rápido.

Faço o que ela me pede, com o coração na mão por perder a amizade dos meus sogros. Mas conheci Temi primeiro, e ela me ajudou quando precisei. Então, me sinto em dívida. Bato no quarto de Liliane:

— Artemisia quer te ver, rápido.

Ela, com o rosto corado de tanto chorar, se levanta imediatamente. As duas seguem pela outra saída.

Quando minha sogra chega com Ania, estreita os olhos.

— Onde elas foram, Vanessa?

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