Felipe olhava para todos os cantos da boate e nada de encontrar a garota. Era como se ela tivesse desaparecido, e nem mesmo Carlos, ele encontrou desde a hora que chegou. Eduardo já estava animado, conferindo as garotas até que uma de cabelos lisos e negros passou ao lado dele e Eduardo a puxou para o seu colo.
O empresário achou melhor deixar o amigo à vontade e foi para o bar atrás de Carlos. Encontrou o homem bebendo e conversando com o garçom e se aproximou do gerente com um "boa noite".
— O que manda Martinelli? — Carlos perguntou ao responder o boa noite.
— Quero a garota da noite passada, procurei por ela no salão e não encontrei. E espero que ela não esteja com nenhum cliente nesse momento.
Carlos riu do que Felipe disse e conhecia bem aquele tipo, que não se apegava a nenhuma das meninas, e as poucas vezes em que aparecia na boate ele transava com uma diferente, nunca repetindo.
— Para sua sorte, a pequena Isa está no VIP hoje, o que significa que ela está no quarto e só vai atender quem procurar por ela, e veja só, você foi o primeiro essa noite.
Felipe entendeu o recado e com um aceno de cabeça seguiu até o quarto da noite passada. Sem bater, entrou e a encontrou deitada naquela cama com lençois de seda vermelha e uma camisola que mostrava praticamente o corpo dela todo.
"Isa", como Carlos a chamou, se levantou confusa ao olhar Felipe trancando a porta e ficando ali sozinho com ela.
— Boa noite, Isa! — falou, e Isadora não entendeu como ele sabia seu nome, já que na noite passada os dois trocaram meia dúzia de palavras.
— Carlos me disse seu nome no bar, eu perguntei por você e ele me contou que tive sorte porque você estava atendendo no VIP e o primeiro cliente que chegasse seria o sortudo.
— Ele está certo. Talvez eu não esteja em condições de atender muitos essa noite, por conta de um cliente digamos que especial, que me deixou um pouco dolorida.
Felipe riu do que ela disse e foi até a cama, tirou os sapatos e se sentou, sendo observado por ela.
— Você vem sempre aqui? Porque parece que já conhece bem o lugar — Isa perguntou indo se sentar ao lado dele.
— Talvez seja um antigo cliente e só agora eu conheci você. Da última vez que estive aqui você não estava trabalhando nesse lugar.
— Eu comecei a trabalhar aqui há poucos meses, e por isso você nunca deve ter me visto.
Isa, sem pedir permissão, tirou a camisa dele, e viu que era feita de um tecido fino e para não amassar colocou no cabide e voltou para a cama ajudando-o a tirar a calça, o deixando apenas com a boxer preta.
— O que acha de fazermos diferente essa noite? — Felipe perguntou, deixando a garota confusa quando ela estava indo se sentar no seu colo.
— Como assim, diferente? Olha, eu gostei da noite passada, você é bom no que faz, mas nada de coisas excêntricas. Além do mais, como já te falei, não faço anal, nem que me pague o dobro.
Isadora estava saindo do colo dele, mas foi impedida por suas mãos fortes que a seguraram com delicadeza.
Felipe riu da forma direta que ela respondia as coisas para ele e a deitou na cama, fazendo-a soltar um grito de surpresa ao sentir seu corpo por cima dela.
— Essa lingerie de hoje está bem mais sexy que seu vestido da noite passada, também é bem mais fácil de tirar.
Felipe sabia que ela não beijava na boca, mas não sabia o porquê desejava sentir os lábios daquela garota nos seus. Mesmo ela avisando que seria sem beijos, ele tentaria uma forma de mudar a ideia dela.
— Me diz uma coisa, por que você não beija? Não venha me dizer o mesmo que todas, que é algo íntimo, porque isso não é uma regra no seu mundo.
— Sim, porque é algo muito íntimo. Além disso, beijar na boca mostra que você quer mais e eu não posso me apegar a vocês nesse quarto. Alguns voltam outras vezes, outros aparecem uma única vez e nunca mais aparecem. Então não quero me apegar a nenhum cliente. Não vivo aqui esperando um romance de garota de programa e cara rico que termina com final feliz.
Isa tentou sair, mas Felipe a impediu, colocando sua perna por cima da dela.
— Calma, eu queria te perguntar: quanto? — perguntou ansiando uma resposta que pudesse dar um preço para os beijos que ele gostaria de ter.
— Quanto o quê? — Isa perguntou sem entender do que exatamente ele falava.
— Quanto eu preciso pagar para te beijar — respondeu aproximando sua boca do pescoço dela, e depositando um beijo em seu colo.

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