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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 95

~ ARTHUR ~

— Do que você está falando? — Estendi a mão na direção da folha com uma naturalidade fingida, tentando pegá-la antes que ela terminasse de ler o que estava lendo.

Genevieve puxou o papel para longe do meu alcance com um reflexo rápido, mantendo os olhos na folha por mais alguns segundos que pareceram muito mais longos do que eram.

— Dessa folha que você está desesperado para tirar de mim. — Ela ergueu o olhar. — É o teste da Zara e do Augusto, não é? Deu negativo. Ela não é neta dele.

— Gen... — Comecei.

E parei.

Porque não havia nada a dizer. Estava ali. Estava escrito com a clareza fria e objetiva de um laudo que não tem interesse em amenizar nada. Ela estava lendo, e eu podia ver nos olhos dela o momento exato em que as peças se encaixavam. Havia uma versão de mim que queria tirar aquele papel da mão dela imediatamente. Havia outra que sabia que isso já não adiantava absolutamente nada.

— E você já sabia disso há dias! — Ela olhou para a data no cabeçalho, confirmando o que já devia ter suspeitado desde o segundo em que os olhos pousaram na folha. — Céus, Arthur, você se casou com ela sabendo que ela não é neta do Augusto. Você mentiu para ela. Você mentiu para todo mundo.

— E você queria que eu fizesse o quê? — A frase saiu mais firme do que eu pretendia enquanto puxava a folha de volta com mais rispidez do que era necessária. — Tinha um casamento acontecendo lá fora. O Augusto acreditava nela. Ele amava a Zara. Se eu dissesse a verdade, ele morreria de desgosto.

— Bom, ele morreu de qualquer forma, não morreu?

Eu a olhei.

Ela percebeu imediatamente que tinha ido longe demais. Vi nos olhos dela — aquela contração rápida de quem reconhece o próprio erro antes mesmo de terminar a frase.

— Quero dizer... quero dizer que...

— Ele morreu feliz. — Cortei, antes que ela tentasse se consertar de um jeito que não ia funcionar. — Morreu acreditando que tinha reencontrado a neta que tanto procurou. Morreu com o coração quente. Não me arrependo nem por um segundo do que fiz.

Ela abriu a boca. Fechou. Respirou fundo.

— E vai desfazer agora? Vai desfazer agora que sabe que tudo não passou de um... de um...? — Ela não completou a frase, como se as palavras tivessem ficado presas antes de chegar ao ar.

— Golpe? — Ofereci, olhando direto para ela. Queria ver se ela teria coragem de usar essa palavra para falar da própria amiga.

— Engano, eu queria dizer — ela se apressou.

— Muda alguma coisa para você?

— O quê?

— Muda alguma coisa para você quem ela é? — Sustentei o olhar. — Ainda é sua amiga, não é?

— Bem, sim, mas...

— Ainda é minha mulher também. — Ergui a folha levemente, só o suficiente para lembrar que ainda estava na minha mão. — Eu escolhi me casar com ela mesmo sabendo disso. E escolheria de novo.

— Tudo bem. — Genevieve cruzou os braços, e eu reconheci naquele gesto a firmeza de quem está prestes a não ceder. — Mas ela merece saber. Ela acha que o exame deu positivo.

— Eu nunca disse que deu. Ela simplesmente se esqueceu de perguntar, depois de tudo que aconteceu.

— Omissão também é mentira, Arthur. Você precisa mostrar isso para ela e...

— Genevieve... — Cortei. — Eu não preciso fazer nada só porque você está me dizendo que preciso.

— Não é só porque estou dizendo. Não é como se eu achasse que posso mandar em você. Eu só acho que ela tem o direito de...

— Além do mais... — A interrompi novamente, mudando o ângulo antes que a conversa ficasse completamente fora do meu controle. — Acho que foi um erro. Algum tipo de contaminação nas amostras.

— Gen!

Ela já estava esperando o elevador. Parou, me olhou por sobre o ombro, e voltou devagar, entrando na sala enquanto eu fechava a porta atrás dela.

— Eu sei que a Zara é sua amiga. — Mantive a voz baixa e direta. — Mas o que você precisa entender é que estou fazendo isso para o bem dela. Ela é minha esposa porque eu escolhi que fosse. Vou lutar por ela até o final. E depois de ter perdido o avô, a última coisa que ela precisa agora é de um golpe desses. Vamos resolver as questões burocráticas primeiro. Depois lidamos com um novo exame. Tudo bem? Você consegue guardar esse segredo?

Genevieve me olhou por um momento que durou mais do que uma resposta simples precisaria durar.

— Talvez. — Ela apontou para a folha na minha mão. — Só se você me deixar ficar com isso.

— Ficar com o exame?

— Como garantia de que você não vai destruir e vai mostrar para ela na hora certa.

— Posso tirar outra cópia do sistema se for preciso e...

— Minha garantia. — Ela me interrompeu com uma firmeza que eu não esperava daquela voz. — Você pode tirar uma cópia, eu não. É minha garantia de que você não vai esconder a verdade da minha amiga para sempre.

Fiquei olhando para ela.

Depois fui até a mesa, peguei a folha e a entreguei sem mais discussão. Genevieve a dobrou com cuidado e guardou na bolsa.

— Cuide bem disso. — A frase saiu mais baixa do que eu pretendia. — Estou colocando minha vida e a da Zara nas suas mãos.

Ela me olhou de frente, sem piscar.

— Vou cuidar como se fosse da minha própria.

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