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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 87

A festa continuava em pleno vapor lá dentro — a banda tocava, as taças tilintavam, alguém certamente já estava perdendo os sapatos embaixo de uma mesa — mas nós dois escapamos pelo jardim lateral, o vestido levantado nas minhas mãos para não pisar na barra, Arthur segurando a outra mão firme enquanto ríamos baixinho como dois adolescentes fugindo de um toque de recolher. O ar da noite estava fresco depois de tantas horas dentro do salão, e por um instante, atravessando aquele jardim escuro de mãos dadas, senti que finalmente podia respirar fundo de verdade.

O carro já estava esperando na entrada principal, longe da agitação. As malas que levaríamos para a lua de mel já estavam guardadas no porta-malas, e o motorista mantinha aquela discrição profissional enquanto aguardava por nós.

Augusto estava lá para se despedir.

Ele me abraçou primeiro, com aquela força contida que sempre carregava mais emoção do que palavras conseguiriam. Depois abraçou Arthur.

— Aproveitem muito a Inglaterra. Sabem que é um dos meus lugares favoritos, não sabem?

— Certamente eu vou levar a Zara em Liverpool, padrinho. Depois de todas aquelas tardes ouvindo The Beatles com o senhor, seria um crime não levar.

— Vou procurar um LP para sua coleção — prometi.

— Não se preocupe com isso. Apenas se divirtam e aproveitem a viagem para criar boas memórias. — Ele segurou minhas mãos com as suas, mais frágeis do que eu gostaria de admitir. — São só elas que ficam no final.

Nos abraçamos de novo. Augusto segurou meu rosto com as duas mãos por um segundo.

— Sejam felizes, meus queridos.

— Eu já sou — respondi, e era verdade.

Entramos no carro e seguimos para o Hotel Milani.

Quando atravessamos o saguão de mãos dadas, lembrei do dia em que tudo tinha começado naquele mesmo lugar.

— Quando te conheci, aqui mesmo, eu jamais imaginei que ia terminar casada com você — falei, enquanto esperávamos o elevador. — Eu até tinha um namorado, sabia?

Arthur me olhou, completamente desprevenido.

— O quê? Você... namorava quando... quando...?

— Ah, é. Era um namorado completamente imaginário, mas eu tinha. — Ri da expressão dele.

— E por que você tinha um namorado imaginário?

— Para sobreviver à faculdade. Você não entenderia.

— Acho que realmente não — respondeu, sua voz carregando tanto espanto quando divertimento.

O elevador chegou. Subimos até a Penthouse reservada, e quando a porta se abriu eu entendi que aquele quarto era ainda mais incrível do que o que tínhamos usado da outra vez — paredes de vidro do chão ao teto emoldurando a cidade lá fora, vista panorâmica para o mar, móveis de design que pareciam ter sido escolhidos peça por peça com a única função de impressionar quem entrasse. Havia até uma garrafa de champanhe esperando num balde de gelo, com um cartão pequeno apoiado ao lado que eu nem me dei ao trabalho de ler ainda.

— Rico sabe mesmo como se divertir — comentei, percorrendo o ambiente com os olhos, o que arrancou dele uma risada genuína.

Arthur se jogou no sofá, afrouxando a gravata.

Minutos depois, estávamos jantando na varanda da Penthouse. A piscina de borda infinita brilhava ao lado, refletindo as luzes do quarto, e mais além se estendia o mar noturno, escuro e enorme, pontilhado por luzinhas distantes de barcos que pareciam estrelas que tinham decidido cair no oceano por engano.

Arthur serviu o vinho. Comemos com as mãos roçando de vez em quando ao alcançar o mesmo prato, com aquela proximidade que já não precisava de desculpa para existir, que tinha se tornado natural depois de tudo que tínhamos passado juntos naquelas últimas semanas. O vento batia leve, balançando o cabelo dele de um jeito que ele claramente não estava se importando em controlar mais.

— Você é a única pessoa que eu conheço capaz de contrabandear um jantar inteiro de casamento — ele disse, em algum ponto, servindo mais vinho para mim.

— Eu sou cheia de talentos escondidos.

— Estou começando a perceber. — Ele se inclinou um pouco mais, o cotovelo na mesa, olhando para mim de um jeito que fazia o resto da varanda desaparecer. — Quais outros você esteve guardando?

— Isso eu não vou contar de uma vez. — Sorri, mordendo o lábio de leve. — Você vai ter que ir descobrindo aos poucos.

A mão dele encontrou a minha por cima da mesa, os dedos entrelaçando devagar, e o silêncio que se formou entre nós não era desconfortável.

Em algum momento, depois de comer mais do que era razoável e rir mais do que eu tinha rido em qualquer outro jantar da minha vida, me recostei na cadeira com um suspiro satisfeito, observando o mar lá fora se misturar com o céu escuro até não dar mais para distinguir onde um terminava e o outro começava.

— Comi tanto que sinto o vestido começando a apertar.

Arthur me olhou, e dessa vez não havia nada da calma controlada de sempre. Os olhos diziam exatamente o que ele estava pensando.

— Então... por que eu não te ajudo a tirar isso?

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