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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 76

Os últimos momentos na fazenda tinham sido de uma tranquilidade que eu já sabia que não ia durar.

Tínhamos ficado no piquenique até o sol começar a baixar, conversando sobre nada importante e tudo importante ao mesmo tempo, sem aquele peso de quem resolveu temporariamente parar de fingir que as coisas são mais complicadas do que precisam ser.

O carro do Arthur tinha sido recuperado, mas ele insistiu em voltar com motorista e um segurança, o que eu não contestei porque era a primeira decisão prática dele que eu entendia completamente. Fiquei encostada na janela vendo a cidade aparecer aos poucos enquanto o interior ficava para trás.

Quando o carro entrou no portão da mansão, entendi imediatamente que o Rio tinha aproveitado o fim de semana para fazer hora extra.

A mansão estava irreconhecível.

Funcionários temporários por toda parte, arrumando os jardins, instalando cadeiras com capas brancas em fileiras que ainda não tinham encontrado a posição final, espalhando tecidos, decorações, estruturas de metal que eu não sabia o nome nem a função. A entrada principal tinha ganhado um arranjo de folhagens que bloqueava metade do caminho e cheirava intensamente a algo floral que eu não conseguia identificar mas que era, objetivamente, demais para uma única entrada. Alguém discutia sobre a posição de uma mesa no jardim com a seriedade de quem discute um tratado internacional, enquanto Geórgia balançava a cabeça com tanta força que parecia poder descolar do pescoço a qualquer momento.

Era o meu casamento.

Aquela loucura toda era o meu casamento.

Eu mal tinha colocado o pé no saguão quando uma mão me agarrou pelo braço.

— Aí está você. Por favor, nunca mais faça isso.

Era Beatriz, a wedding planner que Claire tinha contratado e que nos últimos dias tinha se tornado uma presença constante na minha vida, sempre com uma agenda, sempre com uma caneta atrás da orelha e sempre com aquela expressão de quem está administrando uma crise enquanto administra outras quatro.

— Fazer isso o quê?

— Fugir às vésperas de um casamento!

— Eu não fugi. E bem... não pretendo ter outros casamentos.

Troquei um olhar rápido com Arthur, que estava parado ao meu lado com a mala na mão e uma expressão entre divertida e aliviada por não ser ele o alvo. Ele sorriu de volta para mim, murmurou boa sorte num tom que não tinha nada de solidariedade, e saiu em direção ao corredor.

— Traidor! — gritei na direção dele, com a voz que tinha mais riso do que raiva.

— Temos alguns problemas — Beatriz disse, me puxando de volta para a realidade com a eficiência de quem não tem tempo para assuntos secundários.

— Aposto que são muito importantes para você estar tão desesperada assim — minha ironia transbordou, mas ela pareceu não entender. Ou resolveu ignorar.

— De fato. — Ela abriu a agenda. — Mas vamos dar um jeito. Meu trabalho é dar um jeito. Primeiro: enviaram pétalas de rosas bicolores, branco e rosa claro, quando tínhamos solicitado completamente brancas. Posso solicitar a troca, mas o tempo me preocupa, então...

— Mantém as bicolores — falei, como se aquilo fosse o menor problema do universo. Porque era. Bicolor, unicolor, o que a Beatriz precisasse entender era que eu não ia passar os próximos vinte anos lembrando da cor das pétalas do meu casamento. Ia lembrar de outras coisas.

Beatriz piscou.

— Certo. — Fez uma anotação. — Segundo problema. Liguei para confirmar o bolo e o confeiteiro me garantiu que o que ficou reservado foi um bolo de chocolate com brigadeiro, leite Ninho e Nutella.

— Foi.

— Foi? — Ela piscou confusa.

— Seu vestido — ela disse, finalmente. — Parece que houve um atraso na entrega. Ele vai chegar...

Uma pausa.

— Um dia antes. Ou... algumas horas antes.

— O vestido vai chegar ALGUMAS HORAS ANTES? — Eu tinha atravessado o fim de semana inteiro com a calma de alguém que tinha decidido que não ia se importar com detalhes do casamento, e agora descobria que isso tinha sido prematuro. — Mas e se precisar de ajustes?

— Vamos deixar uma designer à disposição no dia para qualquer necessidade.

— E se não chegar?

— Não tem a mínima possibilidade de não chegar.

— Mas e se não chegar? Você tem um plano B?

— Claro que tenho um plano B, querida. — A voz saiu firme, profissional, daquele jeito treinado de quem está acostumada a dizer exatamente isso em momentos exatamente assim. — Sempre tenho um plano B para tudo.

Mas eu a conhecia bem o suficiente agora para notar.

A forma como ela segurou a agenda um segundo antes de responder. O jeito como os olhos dela foram para um ponto ligeiramente acima da minha cabeça em vez de direto para mim. A pausa mínima, quase imperceptível, antes de completar a frase.

— Seu casamento será perfeito, Zara. — Ela me colocou as mãos nos meus ombros com uma firmeza que pretendia ser reconfortante. — Só se preocupe em relaxar e deixe todo o resto comigo.

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