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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 20

— Mãe, essa é a Zara. Minha futura esposa. — Arthur disse isso com uma voz levemente divertida que eu teria apreciado muito mais se eu não tivesse acabado de vomitar nos sapatos dela. — Zara, essa é minha mãe. Claire.

Fui subindo os olhos devagar.

Dos sapatos destruídos, que eram claramente caros e estavam claramente arruinados, para a saia impecável, para a camisa sem uma ruga, até chegar no rosto.

Claire Sartori tinha o tipo de beleza que vem de dinheiro familiar e de uma disciplina que eu imaginava incluir academia às seis da manhã e a capacidade de manter a expressão absolutamente imóvel mesmo diante de situações que a enraiveciam.

Como essa, por exemplo.

— Eu sinto muito — comecei, e era verdade. — Eu não estou me sentindo muito bem e...

— Certamente não está — ela respondeu, com uma frieza tão controlada que parecia técnica. — Ou por que outro motivo você estaria vestindo algo tão... peculiar?

— Ah, é... eu acabei de me mudar e ainda não tive tempo de...

— E seu cabelo precisa de uma hidratação e um corte. Urgentemente.

— Certo. Anotado.

Eu ainda estava dando desconto. Afinal, eu tinha vomitado nos sapatos da mulher. Havia um limite razoável de críticas que eu podia receber antes de começar a responder de um jeito que Arthur depois chamaria de... favelada.

— E tem algo anotado aí sobre o que eu faço com os meus Louboutin agora?

— Loubou... o quê? — Olhei para Arthur.

— Os sapatos — ele disse.

— Ah. — Pensei por um segundo. — Quanto a senhora calça? Posso te emprestar alguma coisa.

Claire me olhou com uma expressão que eu não soube catalogar.

— Como esse tênis belissimamente descolado na sola que você está usando tão adequadamente hoje?

— Bem. — Olhei para o meu tênis. — Pelo menos não tem vômito nele.

Ela não mexeu um músculo facial. Pensei que talvez o botox estivesse atrapalhando, mas guardei o comentário pra mim. Ela ainda era família. E eu precisava entender até onde ela era tão babaca quanto o filho ou onde apenas estava nervosa pelo incidente.

Mas ela não me deu tempo para concluir minhas análises.

Claire simplesmente se virou e saiu, com aquela postura de quem está acima de tudo que está acontecendo ao redor. Provavelmente indo atrás de alguém para resolver a situação dos sapatos. Ou encomendando um par novo num site americano com entrega por drone em trinta segundos, porque ela parecia exatamente esse tipo de mulher.

Me virei para Arthur e disse em tom de ironia:

— Acho que causei uma boa impressão.

Não esperei pela resposta e saí andando.

Ele sorriu com a lembrança, daquele jeito de quem está prestes a contar algo que gosta de contar.

— Acho que eu tinha por volta dos 45, 50 anos. Depois de certa idade tudo começa a se embolar um pouco. Nossa empresa tinha ganhado notoriedade no mercado, e o Eduardo... Eduardo é o pai do Arthur, ele não conseguiu vir hoje, mas enfim... O Eduardo sentia que precisávamos entrar nesse mundo. Investidores, prestígio, essas coisas. Aceitamos um jantar numa casa muito importante. — Ele fez uma pausa. — E eu fiquei tão nervoso, mas tão nervoso, que tive uma dor de barriga no meio do evento.

— NÃO! — Exclamei, antecipando o que viria.

— Desapareci por uns vinte minutos. O problema foi que o banheiro da casa do anfitrião era todo sofisticado, com um vaso inteligente que... não era tão inteligente quanto parecia.

— NÃÃÃÃO!

— Bem. — Ele deu de ombros com uma dignidade impressionante para alguém contando aquela história. — Digamos que nunca mais fui convidado a voltar.

Caí na gargalhada. Uma risada de verdade, daquelas que saem do fundo e que não têm nada de educado, e Augusto riu junto comigo.

Quando finalmente nos acalmamos, ele se inclinou levemente para frente.

— Então, querida. Me desculpe se seu velho aqui não se atentou que mulheres como você precisam de coisas como vestido e sapatos para eventos como esse. Mas acredite — ele abriu as mãos sobre a mesa —, no próximo evento ninguém vai estar mais lembrando disso. Nesse mundo, sempre tem um escândalo novo a caminho.

Sorri para ele.

E era verdade que eu tinha saído daquela conversa mais leve do que entrei.

Mas também era verdade que, no fundo, enquanto olhava para aquele homem que era meu avô e que eu mal conhecia, mas que já me fazia sentir menos sozinha do que eu tinha me sentido em anos, eu estava pensando que se essa noite já tinha sido ruim o suficiente... A noite do Baile de Debutantes seria um desastre total!

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