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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 142

~ ALÍCIA ~

Minha mãe abriu aquele sorriso forçado, de anos de ensaio, aquele que eu aprendi a identificar quando ainda era criança, os cantos da boca chegando ao lugar certo mas os olhos não acompanhando completamente.

— Querida, podemos...?

— Vou deixar vocês a sós. — Samuel percebeu o momento antes que eu precisasse pedir, se levantou do sofá e foi em direção à cozinha.

Quando ficamos sozinhas, minha mãe voltou a me abraçar. Desta vez mais devagar, com as mãos percorrendo os meus braços como se estivesse verificando se havia algo que ela tivesse perdido na primeira vez.

— Tem certeza de que você está bem? Eles te machucaram? Fizeram alguma coisa com você?

— Eu estou bem. — Repeti, pela terceira ou quarta vez desde que ela tinha chegado, sabendo que vou ia repetir mais algumas vezes antes que ela acreditasse de verdade. — Hora errada, lugar errado. Mas estou bem.

— Precisamos passar num médico. Só para verificar. Um psicólogo talvez, traumas assim podem...

— Mãe.

— Certo. — Ela cedeu, mas com as mãos ainda segurando o meu rosto, olhando para mim como quem está tentando ler algo através dos meus olhos. — Então esse garoto... Samuel?

— Samuel. — Confirmei.

— Ele estava lá com você?

— No cativeiro? Não! Éramos eu e a Zara e...

— Ele era um dos...?

— Mãe!

A interrompi na mesma hora, entendendo onde ela estava querendo chegar. Não a julgava, era minha mãe. Tinha passado horas sem saber onde eu estava, precisava checar tudo, classificar tudo. Era o jeito dela de processar.

— Isso não é síndrome de Estocolmo. Ele não era um dos sequestradores. A Zara me ajudou a escapar do cativeiro e me deu orientações para que eu procurasse a mãe dele. Mas ela tinha morrido. Então ele decidiu me ajudar.

— Entendo. — Mas soou como quem não entendia nada ainda. — Então vocês simplesmente decidiram... ficar juntos.

Ela ficou me olhando por um segundo que durou bastante. Havia algo no rosto dela que eu não via com frequência, algo que aparece quando uma pessoa recebe informação suficiente para revisar uma coisa que achava que sabia.

— Alícia, eu nunca quis te privar de nada. Como mãe, eu só queria garantir um futuro bom para você, porque um dia eu e seu pai não vamos mais estar aqui, e o mundo não é gentil com quem não tem estrutura. Eu sempre só quis te proteger e...

— Mas essa proteção exagerada não adiantou nada, adiantou? — A palavra saiu mais gentil do que eu esperava que saísse. — Mãe. Prometo que vou ser cuidadosa. Sei quem sou, sei a qual família pertenço, sei que preciso de alguns cuidados na vida. Mas se eu tiver que quebrar a cara, quero quebrar a cara pelas minhas próprias escolhas. Não pelas suas, não pelo que você achou que era melhor pra mim sem me perguntar.

— E o que isso significa, na prática?

— Significa que vou me mudar para aquele apartamento na Lagoa. — Fiz uma pausa suficiente para encará-la. — E que vou tomar todas as minhas decisões, incluindo com quem eu namoro.

Ela me olhou por mais um segundo. E então, me puxou para mais um abraço.

— Tudo bem. — Murmurou, com o queixo no meu cabelo. — Tudo bem. Mas você sabe que ele vai passar por uma análise de antecedentes, não sabe?

Ri. Se minha mãe não dissesse algo assim, não era minha mãe. Ainda era controle, mas era o tipo de controle com o qual eu conseguia conviver. O tipo que, estranhamente, me fazia sentir em casa.

— Se você não fizesse, eu mesma faria. — Respondi, ainda rindo.

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