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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 138

~ ARTHUR ~

Em algum momento adormeci com a Zara nos meus braços.

Era o lugar mais relaxante em que eu podia estar, ainda que estivéssemos em um cativeiro. O corpo simplesmente cedeu... horas de adrenalina, remédio para dormir que ainda circulava no sangue, o cansaço acumulado de dias que eu tinha perdido a conta. A cabeça dela estava no meu peito e a respiração dela tinha ficado mais regular depois do remédio, e em algum ponto entre um pensamento e outro, parei de ter pensamentos.

Acordei com os gritos.

Não foi um processo gradual, foi imediato. O tipo de despertar que vem quando o corpo reconhece urgência antes da consciência chegar, e eu já estava sentado com as mãos nela antes de estar completamente acordado.

— Hey, hey. — Segurei os ombros dela com cuidado. — Fala comigo. Fala comigo, o que você tá sentindo?

— Que não... que não consigo... não consigo mais... — A voz dela saía fragmentada, com aquelas pausas de quem está tentando falar enquanto o corpo pede que pare tudo e foque na dor.

— Relaxa. — Segurei o rosto dela com as duas mãos, tentando que ela me visse, que focasse em mim e não no que estava sentindo. — Eu preciso que você tente ficar calma. Respira comigo. Respira.

Ela tentou. Eu conduzia, ela seguia. Inspiração lenta, pausa, expiração lenta, com o esforço visível de quem está lutando contra o próprio corpo para executar uma instrução que sabe que é certa mas que a dor torna quase impossível de cumprir.

As lágrimas desciam de qualquer forma, silenciosas, que era de alguma forma pior do que se ela estivesse soluçando.

— Não consigo... — ela disse, entre uma respiração e outra. — Eu tô perdendo ela, Arthur. Tô perdendo essa criança.

— Não, não está.

Mas eu sabia que não podia dizer aquilo com toda a certeza que eu estava colocando na voz. A progesterona oral levava até duas horas para começar a agir de forma eficaz, e o efeito máximo levava ainda mais. Com a Zara em estado de estresse constante — e era impossível não estar, naquele lugar, naquelas circunstâncias, com dor e medo e aquela história inteira que ela estava carregando — o cortisol e a adrenalina estavam trabalhando contra o remédio em tempo real.

— Fica calma. Tenta dormir, se conseguir. Eu já volto.

Fui até a porta. Testei a fechadura. Trancada, claro — era um cativeiro, afinal. Espanquei a madeira com a palma da mão, três vezes, com força suficiente para ser ouvido do lado de fora.

Demorou alguns segundos.

Foi o próprio Marreta quem abriu. Ele me olhou com aquela expressão de quem estava avaliando se havia urgência real ou se eu estava inventando motivo para sair do quarto.

Fiz um gesto com a cabeça em direção ao corredor. Ele ficou parado por um momento antes de recuar e me deixar sair, fechando a porta atrás de mim. Fomos para a outra sala — pequena, com uma mesa, duas cadeiras, uma televisão desligada no canto.

— Culpa tua, caralho! — Apontou para mim com aquela acidez de quem carregava aquilo há tempo. — Por causa de um dinheiro sujo aí, de mancada tua. Contrataram os alemão pra deitar a garota. Porque defunto não herda nada, porra!

Fiquei parado.

Defunto não herda nada. Era esse o raciocínio — simples, frio, funcional. Eliminar a Zara antes que o processo da herança se resolvesse, para que a disputa caísse de vez para o lado de quem tinha pago pelo serviço. O que significava que havia alguém disposto a cruzar a linha do assassinato para garantir a fortuna do Augusto.

Leonora. Tinha que ser a Leonora. Ou alguém agindo por ela, com recursos dela, com a mesma frieza calculada que ela tinha demonstrado em cada passo do processo — a liminar, os documentos, as provas contra mim, o timing de tudo. A Leonora que eu tinha subestimado como adversária legal estava, aparentemente, disposta a ir muito além do que qualquer tribunal poderia alcançar.

E de repente o peso do que ela era capaz ficou muito mais real do que qualquer papel jurídico tinha conseguido tornar.

— Dá pra resolver com dinheiro. — Falei, forçando a voz a continuar firme. — Se aceitaram dinheiro pra fazer isso, vão aceitar mais pra não fazer. É assim que funciona.

— Talvez, pô. Se ela não fosse meu sangue, tu sabe como é que funciona. — Ele cravou o olho em mim. — Se a Zara brotar na pista antes da gente desenrolar essa fita, ela tá morta. Não tô adivinhando o futuro não, parceiro, o papo é esse mermo e tu sabe. Tá ligado?

— Tô ligado. — Dei um passo em direção a ele. — Mas vê se você se liga nisso: se a Zara ficar naquele quarto, ela perde o bebê. E corre o risco de morrer junto. Não é como se a gente tivesse escolha. A gente precisa tentar.

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