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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 133

~ ALÍCIA ~

Ficamos ali até tudo ficar em silêncio lá em cima novamente e o caminhão voltar a se movimentar.

Então ele se afastou. Ou melhor, afastou o rosto, que era a única parte do corpo possível de se afastar naquele espaço.

— O que você tá fazendo? — Perguntei, tentando soar um pouco mais ofendida do que realmente estava.

— Fazendo você calar a boca — respondeu simplesmente.

— E não podia usar as mãos?

— Er... não! — Disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

E era óbvio. As mãos dele deviam estar presas embaixo do corpo, assim como as minhas, e na urgência de me fazer calar a boca ele tinha feito a única coisa que era fisicamente viável no momento.

— E precisava usar a língua? — Desafiei.

— Força do hábito — respondeu, mas o canto da boca dele se contorceu em um sorriso que ele claramente tentou não deixar aparecer e não conseguiu segurar completamente.

O que, é claro, não ajudou em nada com o estado geral das minhas tentativas de parecer irritada com aquilo.

O beijo serviu para me calar durante o resto do caminho, porque eu genuinamente não sabia como retomar uma conversa depois daquilo — não naquele espaço, não naquela proximidade, não com aquele sorriso ainda no canto da boca dele. Fiquei quieta. Ele também ficou quieto. O caminhão seguiu por um tempo que eu não teria sido capaz de calcular nem se tivesse tentado.

Até que o movimento voltou lá em cima.

Caixas sendo arrastadas, o som do alçapão sendo aberto, e a luz voltou a entrar — pouca, artificial, amarelada, mas luz depois daquele escuro completo.

— Vocês ficam aqui. — Um dos homens apareceu acima deles por um segundo antes de sumir.

Samuel saiu primeiro, com aquela agilidade de quem está acostumado a espaços e movimentos que eu claramente não estava. Depois me estendeu a mão e me ajudou a sair do alçapão e a descer do caminhão. Os homens fecharam o baú e o veículo foi embora antes que eu tivesse terminado de me orientar.

Olhei ao redor.

Alguns bares abertos, ruas com pouca gente, iluminação insuficiente. Não tinha ideia de onde estávamos.

— Bom. — Samuel pegou o celular. — Vou chamar um Uber para você e...

— Não! — Me aproximei mais. — Não vou pegar Uber sozinha de madrugada. Você disse que queria garantir minha segurança, então garanta direito.

Ele soltou um suspiro fundo, do tipo que dizia claramente que passar mais tempo comigo não era exatamente o que ele tinha planejado para aquela madrugada. Mas abriu o aplicativo no celular e perguntou:

— Para onde?

— Hum.

— Afastado? — Deixei a surpresa aparecer por um segundo antes de me recompor. Não tinha tempo para fofoca. — Certo. Vou tentar a casa dele então.

— Parece que ele está passando uns dias na casa do doutor Thomas. — Ela já estava anotando num papel antes que eu pedisse. — Aqui está o endereço.

Peguei o papel sem fazer perguntas. Havia muito que eu queria perguntar — afastado por quê, desde quando, o que tinha acontecido — mas tudo isso podia esperar.

— Só mais uma parada — disse, voltando até Samuel.

Ele não falou nada. Só seguiu comigo para o próximo Uber, o próximo destino.

Por coincidência, o condomínio do Thomas era o mesmo do Gustavo. O meu ex. Com quem eu tinha terminado de forma particularmente dramática algumas semanas atrás, numa cena que eu preferia não relembrar em detalhe mas que tinha envolvido palavras elevadas e uma porta batida com força suficiente para fazer o vizinho do andar de baixo bater no teto.

Pelo visto, ele havia esquecido de bloquear meu acesso livre à portaria.

Quando me apresentei e disse que estava lá para ver o Gustavo, a liberação foi automática. Sem perguntas, sem confirmação, sem nada além do porteiro abrindo a cancela com facilidade. O que era, ao mesmo tempo, uma falha de segurança gritante e a coisa mais útil que o Gustavo tinha feito por mim em meses.

O Uber desceu até a garagem. Saímos. Fui em direção ao elevador, Samuel logo atrás, e apertei o botão de chamada. Fiquei olhando para os números acima da porta enquanto ele descia, a ansiedade e o cansaço se refletindo na minha impaciência.

As portas se abriram... E naquele instante todo o sangue deixou meu rosto antes que eu conseguisse processar o que estava vendo.

— Coé, coé... Olha o que que temos aqui!

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