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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 12

Saí da faculdade com o coração acelerado e fui direto para o outro lado da cidade sem parar para pensar muito no que eu estava fazendo.

Passar pela portaria não foi difícil. O segurança me reconheceu, hesitou, e aquela hesitação foi suficiente para eu entrar antes que ele decidisse o que fazer. Difícil foi ser barrada pela governanta na entrada principal, que abriu a porta, me viu, e provavelmente desejou poder batê-la na minha cara antes de margem para uma conversa.

Mas ela não fez isso, provavelmente porque era educada demais.

— Senhorita, o senhor Arthur deixou ordens de que...

— Eu imagino bem o tipo de ordens que ele deixou — sorri. —Mas eu não vou embora.

Ele soltou um suspiro.

Eu fiquei parada.

— Sinto muito... Mas eu só cumpro ordens aqui.

Respirei profundamente mais uma vez e concordei de leve com a cabeça. Ela tinha razão. Eu não queria causar problemas para o elo fraco dessa corrente. Arthur morava ali também, era patrão, dava ordens, ela obedecia.

Mas eu... eu não desistia fácil.

Comecei a rodear os jardins fingindo não ser uma pessoa que estava completamente perdida ali. Dei a volta na casa inteira, o que levou mais tempo do que eu gostaria de admitir porque a casa era absurdamente grande, até encontrar a árvore.

Era uma figueira velha e muito grande. Os galhos se estendiam tanto que chegavam quase a encostar na varanda do segundo andar. Uma varanda com porta aberta. Um acesso fácil. Céus, quando eu encontrasse o senho Augusto precisava me lembrar de avisá-lo para reforçar a segurança.

Quero dizer, pensando bem, talvez escalar árvores não fosse algo que passaria pela cabeça de qualquer um. Mas eu cresci em um morro e lá, aprender a subir em coisas e se esgueirar era muito útil para... sobrevivência. Por isso, quando vi a árvore, não pensei duas vezes.

Começar a escalada não exigiu muito esforço. O problema foi o meio, onde os galhos ficavam mais finos e a calça jeans não ajudava em nada. Eu já sentia os arranhões nos braços antes de chegar na metade, mas continue porque já não havia mais alternativa digna naquele ponto.

— Essa família realmente sabe como acabar com minhas roupas — murmurei, percebendo que a calça rasgou na coxa esquerda.

Cheguei perto o suficiente da varanda para calcular o salto. Era menor do que parecia lá de baixo. Eu puxei o ar, firmei meus pés no galho e pulei.

O problema foi que o galho que não me soltou.

Mais especificamente, o galho se enroscou na minha blusa enquanto eu saltava e não largou. Eu cheguei na varanda, mas a blusa ficou na árvore. E o processo todo foi bem menos silencioso do que eu havia planejado, envolvendo um grito de susto, um baque considerável no chão da varanda e um segundo grito de dor pura enquanto eu processava o que tinha acontecido.

— Merda!

Me levantei. Estava apenas jeans rasgado e sutiã no meio de uma varanda de mansão.

— Parabéns, Zara!

Mas obvio que as coisas podiam piorar. Porque se não pudessem piorar, não era minha vida.

A porta da varanda abriu e Arthur saiu de lá.

Primeiro ele me olhou. Olhou mesmo, meus cabelos desgrenhados, meus arranhões pelo corpo, meu jeans rasgado e provavelmente notando o fato de que eu estava sem blusa. Então, olhou para a árvore, notando a parte da minha vestimenta que tinha escolhido ficar por lá. Finalmente ele faz aquela pausa muito longa de quem provavelmente está escolhendo entre rir ou me matar.

— Eu não vou nem perguntar.

— Você barrou minha entrada! — Fui logo me defendendo.

— Claro que eu barrei. —Ele cruzou os braços. —Quem me garante que depois que eu cumprisse minha parte do acordo, você cumpriria a sua?

— Eu tenho palavra!

— Tem tanta palavra que está tentando invadir minha casa pela árvore?

— Tecnicamente você ainda não cumpriu sua parte do acordo.

— Porque ainda não completou uma semana — ele chegou perto de mim e olhou com os olhos mais apertados. — Mas você não conseguiu, não é? Não conseguiu abrir mão e ficar longe. O que você quer, mais dinheiro? Não vai funcionar. Eu não caio em chantagens.

— Cala essa boca — dei um passo também. — Meu assunto não é com você. Vim falar com o senhor Augusto.

— Você não tem nada para falar com meu padrinho.

— Isso não é você quem decide.

— Não é da sua conta.

— É sim. Ou eu te faço sair pelo mesmo lugar que você entrou.

Olhei para ele.

Olhei para a janela.

Pensei, seriamente, nas minhas opções.

Eu podia jogar ele pela varanda antes. Resolvia dois problemas de uma vez, mas ele parecia ter a vantagem da força contra mim.

Podia chutar a perna baleada e correr enquanto ele processava a dor. Cruel, mas eficiente.

Podia fingir um mal-estar e torcer para a confusão ser suficiente para eu sumir pelo corredor enquanto todo mundo se perguntava o que estava acontecendo.

O problema de todas essas opções era que, depois, eu ainda precisava encontrar o senhor Augusto dentro de uma mansão que eu não conhecia, e as chances de conseguir fazer isso sozinha eram aproximadamente as mesmas que eu tinha de sobreviver ao Labirinto do Fauno.

Enfiei a mão na bolsa. Tirei o envelope.

Arthur olhou para o envelope. Depois para mim.

— É um teste de parentesco?

— Exatamente.

Ele ficou em silêncio por um momento, olhando para o envelope com uma expressão que eu não consegui decifrar. Quando falou, a voz tinha perdido boa parte da arrogância.

— E o que diz aí?

Eu segurei o envelope com as duas mãos. Ele estava amassado nas bordas de tanto ficar dentro da bolsa.

— Eu... — Parei. — Não sei. Cheguei a abrir, mas não li... achei que seria justo ver o resultado junto com o senhor Augusto.

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