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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 10

Não. Não, não, não.

Não sou obrigada a sair. Já fiz minha boa ação do dia. Salvei o velho. Cumpri minha cota de heroísmo gratuito por pelo menos uma semana.

Mais um tiro.

Qual é, Deus? Sério? Eu? De novo?

Mas e se ele morresse. Ia ter sangue nas minhas mãos. Tecnicamente. Havia um argumento filosófico inteiro sobre omissão de socorro que eu não queria enfrentar agora. E o senhor Augusto ia ficar destruído. O homem já tinha perdido o suficiente.

Foda-se. Não vou colocar minha vida em risco por um homem que me deixou com uma conta de quase dois mil reais e foi embora como se eu fosse o café da manhã.

Mas ele me salvou no jardim.

Mas transou com você e saiu sem deixar nem bilhete. Ainda te tratou pior que a uma prostituta. Prostitutas recebem. Você pagou! Quem faz isso?

Mas você se importa com ele.

Essa última voz eu ignorei com toda a força disponível no meu corpo.

É pelo meio milhão. Só pelo meio milhão. Mais nenhum motivo.

Me levantei.

Abri a porta.

— Arthur! Ah, porra, cadê você?

— Aqui.

A voz veio do beco logo à esquerda, perto o suficiente para eu localizar sem precisar me aventurar muito. Ele estava encostado na parede, a perna esticada à frente, a mão pressionada na coxa. A mancha escura na calça me disse tudo antes de eu chegar perto.

— Ah, que merda — murmurei.

Joguei o braço dele sobre o meu ombro sem perguntar e puxei. Ele pesava o que eu esperava que um homem daquele tamanho pesasse, o que era muito, e eu sou pequena, o que tornava a equação ingrata. Mas já estava no movimento e não havia opção de recuar com dignidade. Voltamos pelo beco com ele mancando e eu aguentando o que conseguia, nenhum dos dois com energia sobrando pra conversa.

Entramos e tranquei a porta.

— Banheiro — falei.

— Por quê?

— Duas paredes externas. É o mais seguro que eu tenho.

Ele não discutiu, o que me disse que a dor estava falando mais alto que o ego por enquanto. Tomei isso como vitória pequena.

O banheiro era do tamanho que banheiros em casas como a minha são. Quando entramos os dois, o espaço que sobrou era exatamente o suficiente para deixar claro que não havia como fingir que a distância entre nós era confortável. Ele se apoiou na parede ao lado da pia. Eu fechei a porta e fiquei do lado oposto, o que não era lá muita coisa.

Limpei o ferimento sem cerimônia. Raspão de bala continua sendo raspão de bala, o que coloca a situação numa categoria acima da que eu preferia estar gerenciando num banheiro minúsculo enquanto um tiroteio acontece lá fora, mas era tratável. Peguei a agulha e o fio e comecei.

Ele não fez barulho. Ficou com a cabeça levemente inclinada, olhando para as minhas mãos trabalharem. E havia alguma coisa naquele silêncio que era diferente do silêncio do carro. Aquele era irritante. Esse era... estranho. Do tipo que você fica consciente da própria respiração.

Mantive os olhos nos pontos. Não olhei para cima. Não porque eu não quisesse, mas porque eu sabia que se olhasse ia encontrar ele me olhando, e eu já tinha tomadas suficientes de decisão ruins em menos de vinte e quatro horas.

Lá fora os tiros não tinham parado completamente, mas tinham espaçado. O que era um bom sinal.

Quando terminei, amarrei, cortei e voltei para a minha parede.

Ele olhou para o curativo. Depois para mim.

— Obrigado.

— Olha só — murmurei. — Alguém aprendeu a agradecer.

O canto da boca dele se mexeu. Podia ser um sorriso querendo nascer. Podia ser dor.

— E agora?

— Agora a gente espera. — Puxei meus joelhos contra o peito e os abracei. — Você não vai sair daqui tão cedo.

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