A voz de Nadine soou baixa e derrotada.
Mas, no segundo seguinte, Finn soltou sua mão com um movimento brusco.
O gesto foi tão ríspido que Nadine cambaleou para trás, quase se chocando contra a parede antes mesmo de entender o que tinha acontecido.
Os olhos de Raven brilharam diante daquele drama repentino, como se tivesse acabado de ganhar um lugar na primeira fila do espetáculo.
Nadine finalmente recuperou o equilíbrio e encarou Finn, olhos arregalados. "Finn, você—"
"Nadine," ele a interrompeu, a voz fria como aço no inverno. "Naquela época, você ainda era irmã da Tess. Só por isso não disse nada quando me chamava pelo primeiro nome. Mas agora? Não mais."
O tom dele era tão gelado que parecia congelar o ar ao redor.
Nadine sentiu a ponta dos dedos ficarem rígidas com aquele frio.
Tess assistia à cena de braços cruzados, saboreando cada momento como quem aprecia um bom espetáculo.
Abel ficou inquieto sem motivo aparente. Rapidamente, pegou um punhado de balas da mesa de centro e as colocou nas mãos de Tess.
Percebendo o gesto, Tess olhou para ele, confusa. Abel apenas apontou para as balas em sua palma, dizendo com o olhar: Relaxe. Apenas aproveite o show.
Tess soltou uma risada resignada. Abel era só um garoto, então ela resolveu entrar na brincadeira.
Assim, os dois sentaram lado a lado, mastigando doces e se divertindo como se estivessem no cinema.
Nadine olhou para o lado por acaso. Quando viu Tess e Abel tão tranquilos, quase cuspiu sangue de raiva.
Nunca deveria ter vindo ali. Agora, não passava de uma piada.
"Tess, está feliz agora?"
Nadine finalmente não conseguiu mais se segurar. As palavras escaparam entre os dentes, afiadas.
Finn franziu a testa e seguiu o olhar de Nadine até Tess.
Tess e Abel estavam sentados juntos, mastigando doces no mesmo ritmo, como se assistissem a um espetáculo, não a um caos.
Lyra captou a pergunta e foi a primeira a responder, sobrancelhas apertadas. "Nadine, o que você quer dizer com isso? Foi você quem correu atrás do Finn, implorando para ele ir embora com você. Ele recusou, você ficou sem graça. O que isso tem a ver com a Tess?"
Raven entrou na conversa na hora, o tom afiado de sarcasmo. "Claro que tem a ver com a Tess. Gente como você nunca tem coragem de ficar brava com o Finn. Então, sobra pra nossa pobre Tess. Tão previsível."
As duas trocavam farpas com tanta naturalidade que até os Larsons não conseguiram segurar o riso.
Comparada a todos, Tess era o retrato da tranquilidade.
"Nada mal," disse ela, sorrindo. "Continuem."
Ela estendeu a mão e pegou mais um doce de Abel. "Esse está mais doce. Os seus são bons."
"São todos seus."
Abel despejou todas as balas que tinha na mão sobre a mesa para ela, e logo foi buscar mais na fruteira.
Sempre gostou de atenção e de manter as aparências. Descobrir que foi enganada e se expôs diante de todos? Teriam feito melhor se a tivessem matado.
"Um conselho," disse Olivia, calma. "Se não é tão esperta, pare de tentar passar a perna em quem é."
Os gritos furiosos de Nadine não a incomodaram nem um pouco. Olivia apenas estendeu a mão e pegou o doce da mão de Abel.
"Olivia, com essa idade ainda come doce?"
Abel olhou para a palma vazia, incrédulo.
Olivia lançou um olhar de soslaio. "E você? Um homem feito, ainda comendo doce. Não sente vergonha?"
Então, com poucos movimentos, ela tirou o papel e colocou o doce na mão de Tess.
Tess hesitou por um instante, mas logo colocou o doce na boca.
O sabor se espalhou pela língua, mais quente e doce que os anteriores.
Quando Tess olhou para a senhora, viu Olivia observando-a com olhos gentis—como quem olha para uma criança preciosa que sempre cuidou.
Um calor suave percorreu o peito de Tess até as pontas dos dedos.
Talvez gostasse tanto de doces porque a vida tinha sido amarga demais depois que saiu da prisão.
Ver os três juntos, de forma tão natural—quentes, próximos, despreocupados—fez Nadine se sentir ainda mais exposta. Sozinha ali, nunca se sentiu tão humilhada.

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