Henry tentou se explicar, mas Tess parecia completamente sem disposição para ouvir.
“Hum.”
Depois que ele terminou sua longa explicação, a pessoa à sua frente respondeu com fria indiferença. Henry não conseguiu evitar de cerrar os punhos com mais força.
“Então por que veio?”
O olhar de Tess percorreu seu rosto.
Ao ouvir aquilo, Henry de repente se lembrou do verdadeiro motivo de sua visita.
Ele tinha se deixado envolver tanto na discussão anterior que quase tinha se esquecido.
“Você não concordou em voltar para a Residência Ember há alguns dias? Até ficou lá por um tempo, mas hoje não voltou. Por isso resolvi passar aqui para ver o que estava acontecendo.”
Ele disse isso com naturalidade, repetindo a explicação que havia ensaiado no carro.
A expressão de Tess não mudou nem um pouco.
“O quarto não era confortável. Quando a roupa de cama nova chegar, vou considerar se volto ou não.”
Só então Henry concordou, demonstrando compreensão, mas ainda assim esticou o pescoço, olhando mais para dentro da casa.
“Eu saí com tanta pressa. Vejo que estão tomando café da manhã. Acho que podem separar mais um conjunto de talheres para mim?”
Ele esfregou as mãos, cheio de expectativa.
“Bessie não preparou muita coisa. Entre.”
O recado era claro. Ele podia comer, mas não sairia satisfeito.
Tess não hesitou e até abriu mais a porta para deixá-lo entrar.
Afinal, ela ainda precisava manter uma aparência de paz com os Embers. Se recusasse tudo e o enfrentasse a cada instante, só faria Henry ficar desconfiado.
Ao ouvir isso, o rosto de Henry se iluminou. Ele parou na entrada e perguntou:
“Preciso tirar os sapatos?”
“Para um grupo de mulheres, vocês prepararam bastante comida.”
Henry observou a mesa e depois ergueu o olhar.
“Agora sou mãe. Ser magra demais não é exatamente algo bom.”
Tess respondeu com indiferença, segurando Layla enquanto voltava para a mesa.
Henry encontrou um lugar vazio e se sentou, mas seus olhos continuaram examinando tudo ao redor.
Ele já tinha descoberto por meio de um informante que o trabalhador estranho que havia levado o casal Wood era Steven, um velho amigo de Tess e também um renomado especialista do Instituto de Pesquisa Nexus em Aetheris.
Ele havia levado o casal por causa de Tess, então, antes mesmo do amanhecer, Henry correu, esperando chegar primeiro e pegá-los.
“Tem poucas pessoas na mesa. Por que há mais conjuntos extras de talheres?”
Henry olhou ao redor, mas não encontrou nada fora do comum. Seu olhar voltou para a mesa antes de se fixar em Tess com intensidade.
Quem tinha dito aquilo era Marc. Era uma frase simples, mas saindo da boca dele, ganhou um tom arrogante e triunfante.
Connor usava um terno branco. Comparado a Marc, parecia mais calmo e elegante.
“Sr. Ember, entrar na casa dos outros sem permissão não é muito correto, sabia?”
Ele sorriu, com os cantos dos olhos se enrugando levemente. Ainda assim, havia algo naquele sorriso que causava arrepios, como se fosse o tipo de pessoa capaz de mandar alguém eliminar outra sem jamais deixar de sorrir.
Henry franziu a testa, mas seus pés deram um passo para trás.
Afinal, aqueles dois homens eram bastante famosos.
“Ótimo, começaram a comer antes mesmo de eu chegar.”
Outra voz atravessou o ambiente, confiante e clara.
Abel entrou rapidamente, cheio de energia e bom humor.
Com a chegada dessas três pessoas, os três conjuntos extras de talheres sobre a mesa finalmente faziam sentido.
A expressão de Henry ficou bastante desagradável.
“O que foi? Ficou decepcionado em me ver?”
Abel cruzou os braços e observou Henry da cabeça aos pés, com o cenho franzido e sem tentar disfarçar o desprezo.
Connor e Marc já eram figuras importantes muito além do alcance de Henry, e agora, com Abel também aparecendo, a situação tinha se tornado impossível para ele lidar.

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