“Não confia em mim?”
Henry forçou um sorriso sem graça e esfregou os dedos rígidos. Ele voltou para a cama e puxou Kylie para seus braços.
“Me dê o seu telefone”, ela disse.
O peito de Kylie se apertou como se uma pedra pesada estivesse pressionando. Ela mal conseguia respirar.
O rosto de Henry ficou tenso. “O que há de errado com você hoje?”
“Me dá logo!”
Kylie retrucou e estendeu a mão para pegá-lo.
Henry ficou com raiva. “Então não confia em mim?”
Kylie olhou diretamente para ele. “Confio. Me deixe ver seu telefone.”
Ela nem sabia como explicar. No sonho, tinha ouvido uma criança chamando Henry de pai. A voz parecia a de um menininho...
Quando acordou, a dor em seu peito era aguda e real. Seu marido já não estava mais ao seu lado.
Henry segurou o telefone com força, o rosto cheio de humilhação e mágoa. “Confia em mim? Então por que está querendo verificar meu telefone? O que está tentando encontrar?”
“Ouvi uma criança chamando você de pai. Só quero ver com meus próprios olhos e parar de me preocupar.”
Kylie mordeu o lábio, os olhos firmes e determinados.
O olhar de Henry percorreu o rosto dela. Depois de um longo silêncio, ele soltou um suspiro pesado, como se tivesse tomado uma decisão. “Tudo bem”, disse, friamente. “Se não encontrar nada, o que acontece?”
As mãos de Kylie se fecharam levemente. “Se não houver nada, então...”
“Qual é o problema de me mostrar agora?”, ela insistiu, a voz tremendo.
Kylie estava sendo irracional. Ela não soava como a mulher gentil, bem-comportada e paciente que normalmente era.
A decepção nos olhos de Henry era evidente. “Você é quem está insistindo em verificar meu telefone. Isso significa que já deixou de confiar em mim. Tenho corrido sem parar ultimamente por causa de Tess e da sua família. E agora está duvidando de mim por causa de algo que ouviu em um sonho?”
Kylie olhou para o rosto de Henry e começou a vacilar. Mas aquele grito agudo e desesperado ainda ecoava em sua mente... Soava tão real, como se tivesse acontecido bem ao lado dela.
Ele lhe entregou o telefone. “Vá em frente. Verifique.”
Kylie pegou o telefone, mas Henry de repente ficou furioso.
Suas mãos estavam na cintura enquanto ele andava de um lado para o outro.
“Já me desculpei por tudo! Te contei tudo! Mas se ainda quer verificar, tudo bem! Se não encontrar nada, então acho que acabou entre nós!”
Suas palavras foram profundas, frias e definitivas.
Os dedos de Kylie tremeram enquanto ela segurava o telefone.
Ele deu um passo à frente, arrancou o telefone da mão dela e disparou: “Paranoica!”
Então, sem sequer olhar para ela de novo, disse de forma cortante: “Se não confia em mim, então não há mais nada para conversarmos.”
“Vou procurar um hotel para dormir.”
No segundo seguinte, a porta bateu com força atrás dele.
Kylie ficou parada no lugar, olhando para a porta fechada, os olhos vazios e sem expressão.
Assim que ele fechou a porta do quarto, olhou para trás para ter certeza de que ela não o seguiu.
Quando o corredor permaneceu silencioso, correu até a garagem, ligou o carro e saiu em alta velocidade em direção ao hospital.
No momento em que saiu pelo portão da mansão, ligou para Nadine.
Ela atendeu imediatamente. “Pai, como foi? Ela acreditou?”
A raiva de Henry de antes tinha desaparecido completamente.
Um sorriso presunçoso puxou seus lábios. “Ainda bem que você estava acordada. Aquela id*ota realmente acreditou em mim. Eu te disse para me ligar, depois apagar o número do Kaleb do registro. Um truquezinho desses sempre funciona.”
Ele riu, trocando a marcha. “Amanhã vá comprar um colar de diamantes qualquer ou algo assim para ela.”

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