Os olhos de Tess estavam afiados de concentração, e até o motorista prendeu a respiração.
“Chegamos!”
Ele pisou no freio e soltou um longo suspiro de alívio.
“Sério, por que tanta pressa...”
Antes mesmo que ele terminasse a frase, o banco de trás já estava vazio.
Tess disparou para fora do carro como uma flecha, desaparecendo pelo caminho em segundos.
O motorista piscou incrédulo, esfregou os olhos e então finalmente aceitou que o que tinha visto era real.
“Esses jovens de hoje...”, murmurou para si mesmo.
A essa altura, Tess já tinha chegado ao escritório de Henry.
Quando ainda morava em Krigan, ela lembrava que ele estava sempre viajando a negócios, quase nunca em casa por mais de alguns dias. O escritório dele geralmente ficava vazio, as prateleiras cheias de livros empoeirados que ninguém tocava.
Depois de descobrir que Shannon ainda estava viva, e que Henry frequentemente viajava para o exterior com ela, Tess se perguntou se ele poderia ter transferido parte de seus bens para fora do país. Mas pensando melhor, percebeu que isso era improvável.
Henry era esperto e desconfiado por natureza. Ele nunca guardaria algo importante longe de seu alcance.
O que tornava ainda mais suspeita essa mansão em Aetheris.
Os olhos dela percorreram o ambiente enquanto fechava a porta silenciosamente atrás de si, voltando-se para o cômodo impecável.
A mesa estava organizada com cuidado, provavelmente limpa pela governanta.
Ela caminhou direto até lá e começou a abrir as gavetas.
Estavam cheias de livros-caixa e registros contábeis, nada fora do comum.
Tess folheou algumas páginas e imediatamente percebeu que os números tinham sido adulterados. Alguém claramente se deu ao trabalho de alterar os dados.
Ela verificou cada gaveta uma por uma, mas não encontrou nada útil.
Endireitando-se, suspirou e esfregou a parte inferior das costas, os olhos percorrendo o escritório arrumado com frustração.
Será que calculei errado?
Suas sobrancelhas se franziram enquanto pensava novamente, mas não importava quantas vezes revisasse as pistas, a conclusão permanecia a mesma.
Ela olhou para o relógio.
Quase 40 minutos tinham passado.
O suor começou a se formar em sua testa.
Mesmo que Henry e Kylie não estivessem em casa, ainda havia governantas andando pelo lugar.
Preciso me apressar.
Eu estava certa!
Quando tudo ficou pronto, ela se moveu silenciosamente em direção à porta.
No momento em que a puxou para fechar, congelou, ao ouvir um movimento fraco dentro da casa.
Eram passos. O som de tecido roçando. Alguém estava se aproximando.
....
Na loja de móveis, Henry continuava lançando olhares para a entrada, suas sobrancelhas se franzindo cada vez mais.
Abel, pela primeira vez, falava mais do que o normal. “Esse projeto é um dos maiores investimentos dos Shaw neste ano. Colocamos uma quantidade enorme de mão de obra, recursos e capital...”
“Hum, Sr. Shaw, Tess não está demorando demais?”, Henry finalmente não conseguiu se conter e interrompeu, com cuidado.
Seus olhos ainda brilhavam de ansiedade, mas seu rosto revelava um traço de nervosismo e impaciência.
Abel franziu a testa, claramente irritado por ter sido interrompido.
Percebendo seu desagrado, Nadine rapidamente interveio para amenizar a situação. “Talvez ela não esteja se sentindo bem. Vou ligar para ela rapidinho.”
A expressão de Abel mudou, e ele se adiantou como se quisesse detê-la. “Tess não é mais criança. Se tivesse acontecido algo, ela já teria mandado uma mensagem. Falou que iria ao banheiro, então não há motivo para ligar.”
Nadine ergueu os olhos para ele, visivelmente inquieta. “Mas, Sr. Shaw, já faz quase uma hora desde que ela saiu. Mesmo que tenha ido ao banheiro, não deveria levar tanto tempo. Se realmente houver algum problema e ficarmos esperando, pode acabar sendo pior.”
O peito de Henry se apertou, e seu coração começou a bater inquieto.

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