E se... Tess for apenas uma mãe solteira assustada, com medo de se casar?
Abel é jovem, bonito e vem de uma família poderosa. Não há como ele ficar preso a alguém como ela, que já passou do auge.
Quanto mais Nadine pensava nisso, mais convencida ficava.
A única coisa que Tess tem que talvez atraia Abel provavelmente é o fato de ela já ter estado com Finn. Esse tipo de emoção proibida não é algo que uma socialite comum possa oferecer.
Mas também é o tipo de coisa que desaparece rápido com o tempo.
Sou diferente da Tess.
Sou jovem, bonita, sem cicatrizes, e não tenho um filho me puxando para baixo. Se alguém merece a atenção de Abel, deveria ser eu.
Todos costumavam dizer que Finn era frio, distante e desinteressado em mulheres. Mas ele claramente favorecia ela.
Nadine não conseguiu evitar lembrar da maneira como Finn costumava olhar para ela, completamente sem emoção.
As pontas de seus dedos se contraíram levemente.
Tess apenas o cegou por um tempo. Caso contrário, por que Finn teria feito tudo aquilo por mim antes?
Se consegui conquistar a atenção dele, posso conquistar a de Abel também.
“Sr. Shaw, você tem algum estilo de decoração favorito?”, perguntou Nadine, tomando a iniciativa.
Ela ergueu os olhos para ele, as luzes do teto fazendo-os parecer brilhantes e convidativos.
Nadine sabia exatamente como usar seu charme, uma mistura de inocência e doçura que podia fazer a maioria dos homens derreter.
Mas Abel não era ‘a maioria dos homens’.
Ele nem se deu ao trabalho de olhar para ela.
Assim que Tess saiu, ele se jogou preguiçosamente em uma das camas de exposição, cruzando uma perna sobre a outra. “Não sabia que trabalhava meio período como vendedora de loja de móveis...”
Ele então bocejou.
O comentário acertou como um tapa, casual, mas ardido.
O rosto de Nadine ficou pálido, sua expressão rígida. Ainda assim, lembrando quem ele era, engoliu a irritação e sorriu. “Sr. Shaw, só pensei que, já que tem estado perto de Tess por um tempo, talvez seus gostos fossem parecidos.”
“Nem faz sentido”, murmurou Abel, revirando os olhos.
Até aquele gesto rude de alguma forma ficava bem nele. Havia um ar frio e imprudente em seus movimentos que o fazia parecer ao mesmo tempo arrogante e perigosamente magnético.
Tess não ficaria na Residência Ember por muito tempo, então ele não ia perder tempo escolhendo uma cama que ela logo abandonaria.
“Todas são bem básicas.”
Ele se levantou, alongando-se levemente. “Se vocês não conseguem decidir, apenas esperem até ela voltar. Na verdade, já que estamos aqui, queria falar com você.”
Henry congelou. “Comigo?”
Este é Abel, sobrinho de Finn, um membro legítimo dos Locks. E ele quer falar comigo?
Henry se endireitou imediatamente, empolgação brilhando em seus olhos. “Claro, Sr. Shaw. O que é? Estou ouvindo.”
A voz de Abel era calma, mas carregava peso. “Sabe, Finn é meu tio, mas sou um Shaw, e ele é um Lock.”
Ele passou a mão casualmente pela linha da mandíbula, cada movimento afiado, porém elegante, confiante sem esforço.
“Os Shaws estão procurando se expandir para dentro do Grupo Lock”, disse, lentamente. “Minha família tem me pressionado para encontrar possíveis investidores e parceiros.”
As palavras ficaram pairando no ar. Então Abel ergueu o olhar, prendendo o olhar em Henry.
Por um segundo, Henry ficou atordoado pela suavidade do tom dele. Mas quando a última frase se assentou em sua mente, sua expressão mudou instantaneamente, seu cérebro correndo para acompanhar.

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