Abel sentiu de repente como se o ar no quarto tivesse ficado mais pesado.
Olivia, depois de obter a resposta que queria, já não parecia tão agressiva. Ela pegou casualmente algumas uvas do pratinho sobre a mesa de cabeceira e levou à boca.
Em poucos minutos, metade do prato já tinha sumido.
“Sra. Olivia, a Tess quem trouxe essas uvas pra mim. Quase não consegui comer nenhuma”, Abel reclamou, cheio de arrependimento.
A mulher congelou no meio da mastigada, com suas sobrancelhas se franzindo enquanto lançava um olhar fulminante para ele.
“Ah, é mesmo? Que ousadia, garoto! Você reclama porque estou comendo uvas, mas está de olho na minha neta?”
Ela bufou, empurrando o prato para o lado e, logo depois, disfarçadamente, colocou mais duas uvas na boca.
A Tess trouxe essas uvas pessoalmente. Não faz sentido desperdiçar, ainda mais por causa de um estranho...
Abel sentiu um suor frio escorrer pela testa.
Ótimo. Consegui irritar a mais velha antes mesmo de ter chance de causar uma boa impressão.
“Sra. Olivia, não devia ter dito isso. Por favor, fique à vontade para comer. Se não forem suficientes, eu mesmo compro mais. Mesmo ferido e doente, dou um jeito.”
A idosa virou o rosto com um resmungo satisfeito: “Agora sim. Se acha que merece a minha neta, é melhor mostrar sinceridade.”
Dito isso, ela puxou o prato de uvas para perto de si, de forma possessiva, e continuou comendo, uma por uma.
Violet observou o comportamento quase infantil da mãe e levou a mão à testa, sem saber o que fazer.
Enquanto isso, os olhos de Abel continuavam presos naquele prato de uvas, cheios de arrependimento.
Eu devia ter comido antes. Fiquei esperando porque a Tess trouxe pessoalmente e eu quis guardar, mas agora… Já foi. Outra pessoa acabou comendo tudo.
Ele suspirou e fez uma anotação mental: Da próxima vez que a Tess vier me visitar, vou caprichar no charme. Talvez ela traga mais.
O pensamento o fez sorrir sem perceber.
“Por que esse sorriso aí?”
Violet surgiu atrás dele e deu um peteleco em sua testa.
Abel puxou a cabeça para trás, esfregando o lugar. “Ai. Desculpa, Sra. Violet.”
“Tenho uma pergunta”, ela disse, fria.
“Pode falar”, Abel respondeu, endireitando-se imediatamente.
“A Shannon não morreu, certo? E a Nadine é filha dela com o Henry?”
“Mas a Shannon não foi apresentada ao Henry como a melhor amiga da Kylie?”
“Talvez”, disse Abel com cautela: “Eles já se conhecessem antes mesmo da Kylie aparecer.”
Todos se viraram para encará-lo.
A ideia era perturbadora, e o silêncio que se seguiu só piorou tudo.
Eles trocaram olhares sombrios, cada um vendo a mesma indignação refletida no outro.
“Isso… É bem possível”, Violet disse por fim, cerrando os punhos.
“Se a Tess e a Nadine têm idades tão próximas, então não foi algo passageiro. Se o que você disse estiver certo, a aproximação da Shannon com a Kylie, essa história de melhor amiga… Pode ter sido planejada desde o início.”
Se tudo isso fosse verdade, então Shannon e Henry tinham armado tudo desde o início. E a Kylie, doce e confiante depois de uma vida inteira sendo mimada, tinha sido a presa perfeita para um plano de longo prazo.
“Abel”, Olivia disse de repente, quebrando o silêncio. “Quando estiver recuperado, vou precisar da sua ajuda em algo importante”, falou em tom calmo, mas pesado.
Ele concordou sem pensar duas vezes. “É só dizer. Farei o que estiver ao meu alcance para ajudar.”

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