Kylie encontrou o olhar suplicante de Nadine. Mesmo com tudo dentro dela resistindo, ainda assim não conseguiu evitar dizer:
“Tia Olivia! Mesmo que eu tenha deixado a família, o sangue dos Larson ainda corre em mim. Como a senhora pode ser tão sem coração?”
“Sem coração?”
Antes que Olivia pudesse responder, Violet deu um passo à frente, bloqueando a visão de Kylie.
Os saltos ecoaram com força no chão, dando a impressão de que ela ficava até mais alta enquanto encarava Kylie de cima, com frieza.
“Pode continuar sendo ingênua se quiser, mas a família Larson não vai te seguir por esse caminho.”
Ela cruzou os braços, com um tom carregado de desprezo. “Só você é capaz de pegar a nossa boa vontade e transformar isso em ofensa.”
Em seguida, acrescentou: “Mas você tem razão em uma coisa. Pode ter saído dos Larson, mas não rompeu completamente. Seus descendentes ainda carregam o sangue da família.”
Os olhos de Nadine brilharam ao ouvir aquilo. Ela trocou um olhar rápido e esperançoso com Kylie, mas antes mesmo de conseguir soltar um suspiro de alívio, Violet continuou:
“Os Larson sempre vão acolher a Tess. Ela será, com certeza, uma das herdeiras da família.”
Os olhos de Kylie se arregalaram em choque, com sua mente ficando em branco.
O sorriso de Nadine congelou no rosto.
“Não! Nadine é minha filha!”, Kylie gritou, com sua voz tremendo de raiva.
Mas Violet apenas ergueu o queixo, girou nos saltos e se afastou sem olhar para trás.
“Kylie”, disse friamente enquanto caminhava: “Deveria estar ciente que acabou de destruir sua última chance.”
…
Enquanto a tempestade se armava no hospital, outra revelação vinha à tona no escritório do último andar do Grupo Lock.
“Senhor, os resultados da investigação chegaram. E as imagens restauradas das câmeras de segurança também!”, disse Zane, ofegante, batendo na porta com empolgação.
Com a permissão de seu chefe, ele praticamente entrou correndo no escritório, segurando uma pilha grossa de documentos.
Finn ergueu o olhar do papel que estava assinando. A caneta parou no ar ao ver o volume de arquivos nos braços de Zane.
“E então?”, as sobrancelhas dele se franziram com força, os dedos se entrelaçando, um gesto pequeno que denunciava o quanto estava tenso.
Zane hesitou por um instante, depois avançou e colocou os documentos sobre a mesa.
“A Senhora Lock foi incriminada.”
As mãos de Finn se fecharam em punhos. “Me dê isso.”
Zane hesitou antes de acrescentar: “Tem mais um vídeo. O senhor precisa ver com seus próprios olhos.”
Ele abriu um tablet e deu play em uma gravação.
Essa estava mais nítida do que as outras.
Mostrava Nadine e Max próximos um do outro em um canto tranquilo do prédio do Grupo Lock. Eles se inclinavam, sussurravam algo, depois trocavam um objeto pequeno antes de se afastarem.
Max, usando uma máscara, entrou em um Maybach preto discreto estacionado na calçada. Nadine olhou em volta com nervosismo antes de voltar para dentro.
“Isso foi gravado no dia anterior à empresa acusar a Sra. Lock de roubar informações confidenciais”, Zane explicou, enquanto Finn avançava as imagens.
O rosto dele foi ficando cada vez mais sombrio, seu maxilar foi se contraindo até parecer esculpido em pedra.
Mesmo que os vídeos não fossem uma prova absoluta, eram mais do que suficientes para limpar o nome de Tess.
Eles estavam trabalhando juntos o tempo todo. Max mirando em Tess, e Nadine atacando o próprio Grupo Lock.
Finn não precisou pensar muito.
Seu braço tremeu levemente, com todas as emoções colidindo dentro dele ao mesmo tempo.
A culpa o inundou como uma maré crescente, apertando seu peito até ficar difícil respirar.

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